Esta caminhada levou-me desde a Fonte de Lamas até ao Zanganho, Junceda e Gamil, antes de terminar no Campo do Gerês ao longo de uma manhã a prometer o calor que se instalaria à tarde.
Estes dias de canícula nascem sempre com manhãs onde o ar fresco nos anima a caminhar, mas aos primeiros raios de Sol, surge a sensação de que a coisa não será sempre assim. Resta-nos a satisfação das sobras e dos locais onde a brisa nos refresca a pele que vai encharcando a roupa. Memorizamos os locais onde a água brota, refrescante, e faz reviver o corpo.
A caminhada começaria - coma já começara tantas vezes - junto da Fonte de Lamas próximo do Lameirão. A tranquilidade da manhã é acompanhada pelo som caótico dos chocalhos, numa música contemporânea que ali faz de banda sonora da natureza. Seguindo o caminho florestal, passaria junto da velha e triste Casa Florestal de Lamas, continuando encosta abaixo até chegar à Estrada Panorâmica das Voltas de S. Bento (Estrada de Lamas) não muito longe da Quelha da Buraca. Mais adiante, e por entre o lento balançar da ramada, tomei o traçado da Grande Rota da Peneda-Gerês que me levou a passar no Campo de Futebol da Pereira (a Chã da Pereira, local do antigo Viveiro Florestal da Pereira) e seguir para a Fecha do Zanganho (Cascata do Zanganho ou Cascata das Caldas) que deixava saudade dos dias mais chuvosos, pois encontrava-se quase exangue de água.
Seguindo pela estrada marginal, em breve ligava com o traçado do Trilho dos Miradouros para iniciar a longa subida para a Junceda.
A 25 de Outubro de 2023, havia feito este mesmo percurso e na altura escrevia, "desta vez fiquei espantado pelo trabalho de combate às mimosas que está a ser realizado naquelas encostas por parte do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas. A silvicultura não será o meu forte, mas penso que este será um trabalho a longo prazo onde se começou a combater as árvores já de maior porte (...). Ao longo da subida, pode-se notar o esforço já realizado e que certamente será estendido até à Junceda, onde as mimosas estão a crescer a olhos vistos." Desenganem-se!
Passando a parte inicial daquela parte do traçado, vemos o efeito da não continuação dos trabalhos de combate às mimosas. O resultado é que estas surgiram com mais força ainda e o local está de novo coberto de invasoras. Acho que em tempos alguém referiu que este teria sido apenas um teste, mas lembro-me que aquando de umas comemorações do aniversário do PNPG se ter referido um investimento neste combate. Como referi há pouco, "as mimosas ganham sempre!"
A chegada à Chã de Junceda trouxe um certo alívio do calor com a refrescante água da Fonte de Junceda. Havia pensado baixar para a aldeia de S. João Batista do Campo do Gerês seguindo o traçado da Grande Rota da Peneda-Gerês, porém decidi enveredar pelo Curral de Gamil, passando pelo vale do Meio e Manga da Tojeira (agora, surgiu por lá uma placa a assinalar o "Prado de Tojeira", aprendemos sempre...), baixando à Boca do Rio e seguindo pela Fonte de Gamil até ao curral.
A parte final do percurso fez-se descer às Vitoreiras e seguir, através de velhos apiários (colmeais), para o Campo do Gerês.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)











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