quarta-feira, 9 de julho de 2008

Humano

Carris, 8 de Julho de 2008

...e porque estar em Carris nos transmite uma série de estados de alma e sensações que só são possíveis naquele lugar.

Um excerto da letra de "Humano" da autoria de Adolfo Luxúria Canibal / Miguel Pedro dos Mão Morta:

"(...) Não foi bem uma vista aérea, foi uma coisa estranha, como se estivesse em cima... (...)
Uma espécie de aldeia em miniatura, que eu percorria por dentro estando fora... (...)
É como se olhasse para as minhas botas e as visse dentro dos meus pés, apesar de calçadas... (...)
Era como se eu fosse maior do que o que sou - como se estivesse todo dentro de algo mais pequeno do que eu - dentro e fora em simultâneo, porque ao mesmo tempo que cabia lá dentro era maior do que aquilo em que cabia - uma espécie de ilusão física - de anulação do volume - ou de inibição do impossível - uma abstracção indizível... (...)"

Fotografia: © Rui C. Barbosa

terça-feira, 8 de julho de 2008

121!

Carris, 8 de Julho de 2008

Uma nova caminhada até Carris... Comecei a subida um pouco mais tarde do que é habitual fruto da preguiça de ficar no leito mais uns minutos que se transformaram em duas horas. Seguindo o trilho clássico ao longo do Vale do Alto Homem, a característica que mais se salientava era o fulgoroso coberto vegetal que em certas partes do caminho o ocupa em quase 90%. Penso que isto se deve às condições meteorológicas favoráveis dos últimos meses e à quantidade de água que ainda existe na montanha, apesar de já surgirem leitos secos principalmente nos cursos mais pequenos.

A caminhada teve uma duração total (entre a Ponte sobre o Rio Homem e o Penedo da Saudade) de 2h 54m com os seguintes tempos:

12h05 - Ponte sobre o Rio Homem
12h20 - Abilheirinha
12h42 - Água da Pala
12h55 - Ponte do Cagarouço
13h10 - Febras
13h22 - Modorno (ponte)
13h30 - Modorno (saída)
13h51 - Teixo
14h04 - Águas Chocas
14h15 - Abrótegas
14h24 - Abrótegas (saída)
14h39 - Carvoeirinha
14h51 - Minas dos Carris
14h59 - Penedo da Saudade

A distância total entre a Ponte sobre o Rio Homem e o Penedo da Saudade foi de 8,85 km.

Após o almoço tardio fui visitar o Cantinho do Miguel e de seguida quiz inspeccionar o que ao longe me parecia um garrano em mau estado. Felizmente no local só encontrei um velho bidão enferrujado, daí a confusão (ou então estou mesmo a necessitar de óculos!).

De seguida a habitual passagem pela represa dos Carris e mais uma curta sessão fotográfica. Desta vez não passei pela zona industrial do complexo, mas uma observação a partir do Penedo da Saudade não mostrou alterações visíveis em larga escala.

Foi uma caminhada para desentorpecer as pernas tendo em conta duas grandes caminhadas previstas para a última semana deste mês e como tal não havia um objectivo definido logo ao princípio. Porém, ao observar a paisagem em torno da represa, depressa arranjei um e decidi visitar o Altar de Cabrões pois a última vez que lá estivera tinha sido nos anos 80! Iniciei pois a curta subida até ao Altar de Cabrões e há medida que me ia aproximando, tornava-se visível a fantástica paisagem que ia surgindo. Já no topo a imensidão dos espaços até ao Pico da Nevosa e o final da Garganta das Negras ocuparam a minha atenção durante largos minutos.

Para iniciar o (penoso) regresso fiz uma passagem por Carris (marco geodésico) e baixei quase até à entrada do complexo mineiro, rumando depois à Portela do Homem.

O dia esteve com céu pouco nublado por vezes com nuvens mais escuras sobre Carris. Vento fraco e uma temperatura a rondar os 22ºC.

Fotografias: © Rui C. Barbosa

segunda-feira, 7 de julho de 2008

O caminho fantasma

Carris, 20 de Maio de 2008

Amanha, se tudo correr como previsto, vou percorrer um caminho fantasma. Uma estrada que não existe, um caminho para lugar nenhum... isto é, a ter em conta o que está representado neste mapa que é disponibilizado pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês aos automobilistas que por estes dias cruzam a Mata da Albergaria, verdadeiro pulmão do parque nacional.

Ao se analisar este pequeno mapa vemos as estradas que todos conhecemos naquela zona, mas escapa-nos o estradão de acesso aos Carris. Desta maneira, o Parque Nacional da Peneda-Gerês consegue em parte eliminar a curisodade dos visitantes que ao chegar ao local se deparam com um acesso que na maioria pensa somente dar passagem para as lagoas naturais ao longo do Rio Homem. Sim, estas lagoas aonde se pode ir percorrendo parte do caminho que nos leva a Carris e sem o perigo de serem abordados por uma farda familiar que altivamente os informaria de que estão a transgredir uma zona de protecção muito importante para aquela área protegida. Infelizmente, só os macabúzios que percorrem a serra em busca de paz e sossego e que transportam às costas o lixo dos outros no regresso é que são os indesejados...

Fotografia: © Parque Nacional da Peneda-Gerês

Fotografia: © Rui C. Barbosa

Outros lugares de Carris (LVII)

Carris, 16 de Março de 2008

Carris é rico em paisagens únicas em Portugal e muitas vezes a sua imensidão faz-nos esquecer os pequenos detalhes...

Fotografia: © Rui C. Barbosa

domingo, 6 de julho de 2008

Olhar o futuro

Pitões das Júnias, 6 de Julho de 2008

Alguns dias de descanso e este blogue volta à acção olhando para uma paisagem que espero voltar a ver brevemente: Carris visto a partir de Pitões das Júnias.

Certamente muitos terão sido aqueles que trabalhando em tempos passados nas Minas dos Carris, terão comtemplado tal paisagem... São muitas horas de caminho por um trilho que apesar de não ser difícil acaba no final por ser um pouco penoso.

Há medida que a pequena aldeia vai ficando para trás, entramos num mundo de fadas e duendes, num mundo de estórias de lobos, de nomes e locais singulares.

É assim a Serra do Gerês, local único neste nosso imenso Portugal...

Fotografia: © Rui C. Barbosa

domingo, 29 de junho de 2008

Calor e uma semana de pausa

Carris, 11 de Fevereiro de 1986

Vencido por uma noite quente e de muito calor, decidi adiar a minha próxima ida às Minas dos Carris para dias mais amenos.

Entretanto este blogue vai de férias por uma semana só devendo ser novamente actualizado a 7 de Julho.

Para refrescar ficam umas fotografias de Carris em Fevereiro de 1986.
Fotografias: © Miguel Campos Costa / Rui C. Barbosa

sábado, 28 de junho de 2008

Catalogar

Carris, 26 de Abril de 2008

No dia 29 de Junho vou novamente a Carris. Vamos tentar continuar o trabalho de catalogação dos abrigos rústicos existentes na área.

Espera-nos um dia quente com temperaturas a rondar os 33ºC e um índice de UV Alto (7). O vento irá soprar de NE a 11 km/h com rajadas a 22 km/h. A probabilidade de ocorrência de trovoadas é de 1%.

Fotografia: © Miguel Campos Costa / Rui C. Barbosa

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Carris, princípio dos anos 80

Carris, anos 80

A imagem que ilustra esta entrada no blogue é um documento histórico com um grande valor para a História das Minas dos Carris.

Nela podemos ver em primeiro plano o edifício da secretaria, cantina e de recepção do minério. Ao seu lado esquerdo (para quem olha no ecrã) vemos o pequeno edifício que servia de oficina nos tempos de actividade mineira. A meio da fotografia estão os edifícios de habitação e ao seu lado direito a base de alvenaria que serviu de apoio para a casa do pessoal superior da mina. Contígua a esta base encontra-se uma pequena arrecadação e a garagem. Atrás é visível a cozinha da casa do pessoal superior da mina e ao seu lado direito os antigos balneários.

Como é visível todos os edifícios tinham telhado e as janelas estavam intactas no início dos anos 80 quando o complexo ainda era guardado e vigiado.

Fotografia: © Miguel Campos Costa / Rui C. Barbosa

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Velhos mapas (III)

Carris, anos 70

Este mapa faz parte de um prospecto em francês editado nos anos 70. A zona que nos mostra é sobejamente conhecida de todos. No entanto, interessante neste mapa é o facto de a estrada para a zona dos Carris estar representada como uma estrada florestal transitável o que nos leva a deduzir que a zona teria um interesse relevante para os visitantes do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Ainda no mesmo prospecto surge a seguinte frase: "Le bons chemins du périmètre forestier permettent aujoud'hui au touriste de parcourir en automobile une grande partie de la "serra" en passant par les sites ler plus dignes de visite. Il est recommandé à ceux qui faute de temps veulent voir le plus de choses possible en un jour (mauvaise besogne!) de commencer par la Pedra Bela et le Pnt de l'Arado puis de continuer par Leonte, Carris (1.507 m) Portela do Homem, Albergaria, Ponte Feia, Bouça da Mó, Cruzeiro de S. João do Campo, Junceda et Calcedónia."

Sobre Carris é dito o seguinte: "A Carris point culminant de la "serra" dans un paysage aux immenses horizons, on découvre les restes d'une récente exploitation de mines de wolfram."

Assim, questiono como foi possível e quem são os culpados por ser ter perdido um potencial desta natureza? Quem não foi capaz de conciliar estes dois importantes aspectos da preservação da Natureza num estado quase bruto e selvagem, e a possibilidade de se criar pontos de visita de interesse no alto da Serra do Gerês? Porque se deixou chegar a um estado em que se teve de proibir (e como se gosta de proibir neste país!!!) para preservar?

Fotografias: © Rui C. Barbosa

terça-feira, 24 de junho de 2008

A chave da cozinha das Minas dos Carris

Carris, 1 de Junho de 2008

É uma realidade, é difícil encontrar artefactos de interesse nas Minas dos Carris. Já procurei por quase todos os cantos, buracos nas paredes, restos de tectos, debaixo de pedras, por entre ressequidos tijolos e nada... não há nenhuma descoberta fantástica que possa constar dos anais arqueológicos nacionais. Tirando uma fechadura misteriosa e o resto de uma pá ferrugenta (a lendária "pá do Serrinha") o meu espólio sobre as Minas dos Carris resume-se a papéis e mais papéis, e uns milhares de fotografias...

Mais recentemente recebi algo que veio valorizar a minha parca colecção de artefactos dos Carris. No fundo, é algo que pensei jamais existir mas que foi religiosamente guardado pelo Miguel Campos Costa e que ele decidiu ficar para mim. Já aqui referi que nunca tive a oportunidade de conviver de perto com o Miguel, se bem que a nossa ligação àquele local é muito forte e foi através do tema "Minas dos Carris" que acabamos por nos conhecer. O Miguel deixou-me ficar muita informação sobre as Minas dos Carris, mas o objecto a que eu dou mais valor é a chave que abria a fechadura da porta da cozinha que servia a cantina pequena das Minas dos Carris.
Fica o meu agradecimento eterno ao Miguel. Sei que sempre que for a Carris estarei perto dele e estarei atento aos seus conselhos. Fizemos a homenagem devida ao Miguel e gostava que o lugar onde essa homenagem se encontra fosse agora conhecido como "Varanda do Miguel".

Fotografia: © Rui C. Barbosa

Para uma história do vandalismo em Carris...

Carris, 2 de Janeiro de 1985

Tentar contar a história do vandalismo em Carris é algo de muito complicado por razões que são óbvias. Confesso que tirando vários casos mais recentes que quase testemunhei (quanto mais não seja pelas minhas idas mensais ao local), não me posso referir a nenhum em particular.

Para enquadrar a curta nota que irei referir mais adiante, deixem-me referenciar que em 1984 o último guarda das Minas dos Carris ainda se encontrava de corpo e alma no local. No entanto, o Serrinha, alcunha pela qual era conhecido entre as pessoas mais chegadas, dividia a sua pacata vida entre as Minas dos Carris e as Minas das Sombras com umas descidas ocasionais a Lobios ou às Caldas do Gerês para comprar mantimentos. Nas suas permanências nas Sombras, as Minas dos Carris ficavam assim à mercê dos (talvez) raros visitantes. Os últimos dias do ano de 1984 as Minas dos Carris estavam sem guarda. O Serrinha deslocara-se provavelmente para as Sombras e é nesta altura que um grupo chega aos picos mais altos do Gerês. O que esse grupo fez nos Carris ficar-lhes-ia na consciência e deverá hoje ser estupidamente lembrado como um grande feito na Serra do Gerês... devem ser tão valentes como os últimos a enfrentar um touro enfraquecido e moribundo....

No dia 31 de Dezembro de 1984 chegaram duas pessoas a Carris. Cansados após a longa e penosa caminhada pelo Vale do Alto Homem, procuraram as chaves das casas no local que lhes havia sido indicado. Ali estavam elas, escondidas em baixo de uma pedra. Dirigiram-se às casas... nenhuma das chaves abriam as portas pois as fechaduras tinham sido vandalizadas pelos valentes. Só conseguiram abrir uma das portas e felizmente era a que daria para uma pequena sala com uma lareira onde acabariam por passar a noite. Repararam também que uma das janelas de um dos quartos de uma das casas ainda habitáveis estava partida. O vento, a chuva e a neve entravam na casa...

...assim foi acelerada a destruição das casas em Carris.

Fotografia: © Miguel Campos Costa / Rui C. Barbosa

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Velhos mapas (II)

Carris, 8 de Maio de 1971

Esta é uma parte de um velho mapa do Parque Nacional da Peneda-Gerês (talvez o primeiro mapa do parque nacional) no qual surge representada a velha estrada florestal para os Carris que são mesmo assinalados pelo desenho de uma casa rústica. Nos mapas actuais do parque nacional, este é um caminho quase esquecido (de propósito?) afastando assim os visitantes daquela zona.

No antigo mapa estavam representadas algumas distâncias dentro do parque nacional numa secção informativa de passeios para montanhistas ou cavaleiros, a salientar: Gerês - Abrótegas - Altar de Cabrões - Gerês... 38,5 km; Gerês - Carris... 21,5 km.
Ainda nos textos que acompanhavam o mapa estão aconselhadas algumas panorâmicas que os visitantes do parque nacional não deveriam deixar de visitar: Borrageira e Altar de Cabrões...

...como os tempos mudam...

Fotografias: © Rui C. Barbosa

Outros lugares de Carris (LVI)

Carris, 30 de Agosto de 1999

Entrada para a antiga cantina pequena das Minas dos Carris contígua ao escritório e ao local de recepção do minério. Serviu ao longo de muitos anos de residência ao último guarda das minas. Abandonada, caiu nas mãos dos vandalos. Foi-se degradando, tal como o resto dos edifícios, e servindo de abrigo aos garranos que por ali deambulam. Nos nossos dias, até já nem para isso serve...

Fotografia: © Rui C. Barbosa

Notas históricas (XXXVI)

Carris, 8 de Dezembro de 1983

(Esta entrada no blogue é baseada nos escritos de Miguel Campos Costa).

O Miguel passou muitos dias, semanas nas Minas dos Carris. O seu amor pela Serra do Gerês é impar e felizmente deixou-nos muitas das suas memórias escritas em pequenos cadernos. Muitas dessas memórias são apontamentos pessoais que não cabem no escopo deste blogue, outras porém fazem o relato de dias passados.

Nas suas estadias em Carris o Miguel conviveu de perto com o último guarda das minas, o Sr. Domingos (Serrinha). Em Dezembro de 1983 o Dr. Domingos contou-lhe que "...nos 18 anos que já passou em Carris nunca viu tanta neve como no Inverno passado (82 / 83). Disse-nos ele ininterruptamente desde o dia 17 de Abril até ao dia 21 de Maio de 1983. Disse também que a neve tapou as casas em Carris (andava-se em cima dos fios do telefone e ele tinha de cavar um buraco e passar pela parte de cima junto do tecto (...)) e que em fins de Junho ainda havia neve em Carris. Diz ele que esteve para morrer pois tentou ir para as Sombras e enterrou-se até aos ombros e que nunca tinha visto nada assim."

Fazendo lembrar o grande nevão de Fevereiro / Março de 1955 no final do qual foi organizada uma expedição de socorro para resgatar os mineiros de Carris, este relato é impressionante e é um exemplo da vida difícil que as Minas de Carris proporcionava já após muitos anos de inactividade.

Fotografia: © Miguel Campos Costa / Rui C. Barbosa

domingo, 22 de junho de 2008

Panorâmica do Modorno

Carris, 11 de Fevereiro de 1986

Nos primeiros dias deste Verão que esperamos seja condescendente com as nossas florestas, deixo-vos aqui uma panorâmica de um Inverno passado. É uma maneira de olhar que só um homem sensível como o autor da fotografia era capaz de ter... Uma panorâmica do Modorno no Inverno de

Fotografia: © Miguel Campos Costa / Rui C. Barbosa