A beleza do Rio Arado após quase uma semana de chuva na Serra do Gerês.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
A beleza do Rio Arado após quase uma semana de chuva na Serra do Gerês.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
A caminhada que nos levou ao alto do Junco passando pela Chã de Pinheiro e Curral do Camalhão foi uma jornada tranquila através das paisagens da Serra do Gerês.
Iniciamos a jornada no cruzamento da Pala Freita tomando a estrada florestal que nos levou a passar na Ponto do Arado. Nestes dias, e após as chuvas que entretanto marcaram o final de Agosto, o Rio Arado ganhou nova vida, deixando esquecer os charcos de água estagnada e coberta de gordura dos dias quentes do estio.
Optamos por seguir a velha estrada dos Serviços Florestais que ladeia os Cabeços de Junceda para chegar ao Curral de Coriscada, já caminhando por carreiros de pé posto. A manhã surgia amena, ajudando no percurso que nos levaria pelas encostas da Arrocela e a passar junto da Fonte da Meda de Arrocela. Chegando quase ao topo da Corga de Giesteira, seguiu-se em direcção à Chã de Pinheiro com o seu velho abrigo pastoril, descendo depois para a Corga de Fitoiros Negros. É magnífico caminhar por uma montanha com o som da água que percorre os pequenos riachos e traz nova vida à serra, especialmente após tantos dias de secura.
Olhando para velhas mariolas que traçavam carreiros já esquecidos, seguimos em direcção ao Vale de Teixeira, dirigindo-nos para o Curral de Camalhão, onde fizemos uma paragem mais prolongada para o almoço.
Após o descanço, encetamos caminho em direcção ao Junco, passando no colo da imensa Corga da Figueira antes de se iniciar a subida final. A Corga da Figueira afunda-se em direcção ao Vale do Rio Gerês e forma um cenário magnífico com os espigões do Pé de Cabril e a forma quase irreconhecível do Pé de Salgueiro. A parte superior do Vale de Teixeira oferece-nos a paisagem do Curral de Camalhão abrigado pelas vertentes do Alto da Ruivas e pelos escarpados que se prolongam para as alturas do Borrageiro.
A subida para o Junco faz-se de forma tranquila e animados por uma brisa que parecia trazer chuva de Leste (que só chegaria pela noite). Passado o cume, segue-se pelo Cabeço da Boca de Suero e inicia-se uma cómoda descida em direcção ao Curral da Lomba do Vidoeiro e depois ao Curral da Carvalha das Éguas, seguindo já o traçado do Trilho dos Currais que abandonamos logo após a Carvalha das Éguas, ladeando o Alto de Rebolar e descendo para a Chã de Rebolar. O caminho leva-nos a entroncar no traçado da Grande Rota da Peneda-Gerês junto da Pala do Cando de Cima, seguindo depois para as proximidades do Cocão e continuando para o ponto de partida na Pala Freita, com um cenário de alarido com dezenas de carros a ocupar o estacionamento.
Ficam algumas fotografias do dia...
Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
A minha primeira visita às Minas dos Carris ocorreu em Setembro de 1989, num dia em que os céus se cobriam de um prenuncio de Outono e o nevoeiro cobria as encostas do Vale do Alto Homem. Uma chuva miudinha enchia de pequenas gotícolas a vegetação ao longo do caminho e tudo era um mundo novo de escarpas aprumadas, paisagens cinematográficas e uma mochila que pesava nas costas.
Já há meses que queria visitar o local, mas na altura a aventura foi pesada, inexperiente nas lides montanheiras. Porém, a chegada àquele conjunto de ruínas naquele dia cinzento despertou uma curiosidade que nunca mais acabaria. Jurei que nunca mais lá voltava, o resultado está à vista!
Envolto numa neblina pesada, percorri todos recantos daquele lugar e espreitei por todas as galerias que podia aceder... até que decidimos entrar numa delas!
A entrada principal da mina era feita através de um edifício que tinha uma pequena sala localizada à sua esquerda na boca-mina, a oficina de martelos e o escritório. A galeria principal da mina dividia-se em três galerias secundárias. A galeria que seguia pela direita curvava mais à frente para a esquerda, indo de encontro à galeria central que terminava no poço do elevador (poço-mestre), dando também acesso a uma galeria que faria ligação com o poço a céu aberto, mas que estava bloqueada. A galeria central conduzia ao elevador na mina e a galeria esquerda dividia-se em outras duas galerias: uma que continuava na direcção da anterior e uma que seguia para o lado esquerdo, isto é, a Sul. Esta encontrava-se há anos bloqueada por um muro de betão, com uma altura de aproximadamente 2 metros, e que retinha uma enorme massa de água.
O poço do elevador estava resguardado por uma estrutura metálica que lhe permitia o acesso. Eram visíveis os cabos de tracção do elevador. Este era composto por duas «caixas», uma das quais estava mergulhada nas águas que inundavam por completo os níveis e galerias inferiores da mina e outra que se encontrava ao nível do segundo piso. Parte desta estrutura, entretanto colapsada, era coberta por madeira e um alçapão amovível permitia o acesso aos níveis inferiores.
O poço-mestre ligava o Piso 2 ao Piso 6. Havendo mais um piso inferior (o Piso 7), a partir daqui partia uma galeria que seguindo para Este, terminava na área da concessão da Garganta das Negras I. Aparentemente, esta comprida galeria serviu como um esgoto de emergência, porém a sua concepção foi mal elaborada havendo um desnível de cerca de 5 metros que mais tarde seria compensado para funcionar correctamente como esgoto.
Curiosamente, de todas as entradas para o mundo subterrâneo das Minas dos Carris, esta boca mina é a menos conhecida e era a única que se encontrava devidamente encerrada e acautelada com um gradeamento de ferro, tendo, no entanto, este sido removido.
Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
A paisagem vista das Minas dos Carris na tarde do dia 27 de Agosto de 2026 com o Pico da Nevosa e a Garganta das Negras.
Após as chuvas dos últimos dias, é notória a diferença nos caudais dos rios que percorrem a Serra do Gerês.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados) via Carlos Araújo / EMC
Com as chuvas dos últimos dias, os caudais dos cursos de água tornaram-se mais animados.
A imagem em cima mostra o Rio Homem e a Cascata de S. Miguel e a fotografia em baixo mostra a Cascata de Leonte (ambas obtidas a 27 de Agosto de 2026).
Fotografias © Nuno Machado (Todos os direitos reservados)
Paisagem clássica vista desde as Minas dos Carris olhando para a Nevosa e a Garganta das Negras, com o Pico da Nevosa a ter o principal protagonismo no palco granítico da Serra do Gerês.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
O Parque Nacional da Peneda-Gerês foi afectado por um grande incêndio florestal em Julho e Agosto de 2025 no qual arderam consumiu 7.550 hectares, sendo 5.786 hectares parte da área protegida.
Segundo noticiou a Barca Fm Rádio, "As conclusões do relatório sobre os incêndios de 2025, realizado por uma Comissão Técnica Independente, assume que parte dos danos causados no Parque Nacional da Peneda Gerês, em julho do ano passado, “poderia e deveriam ter sido evitados”, tal não aconteceu, devido a “erros crasos”.
Esta comissão, criada pela Assembleia da República, assume ainda que foi desperdiçada “a oportunidade de resolver ou reduzir o impacto do fogo”, por parte do Comando das Operações, em Ponte da Barca, nomeadamente pelos responsáveis da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.
Recorde-se que ardeu 10% de toda a área protegida do PNPG, principalmente na Serra Amarela em Ponte da Barca, tendo causado elevados prejuízos.
Segundo os peritos, a informação meteorológica e sobre a velocidade de propagação previsível “não foi integrada no processo de decisão” da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), apontada como tendo “deixado passar a janela de oportunidade” única e de graves consequências, ilibando-se completamente as corporações de bombeiros e os seus respetivos comandantes, pois o Comando era só da ANEPC. Mais concretamente, durante um total de 29 horas, “o vento abrandou, a humidade subiu e o incêndio entrou num período prolongado de reduzida expansão, o que era “o momento ideal” para acabar com o mesmo, mas tal só aconteceu já em Terras de Bouro. Os especialistas afirmam ainda que “os boletins de previsão meteorológica e os planos operacionais anteciparam a necessidade de realizar “ações de consolidação, ancoragem e abertura de acessos recorrendo, designadamente, a máquinas de rasto, durante as 29 horas consecutivas, havia presença significativa de recursos na envolvente da área crítica”".
Caso desejem consultar o relatório por completo, este está disponível aqui.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
Estão abertas as inscrições para o V Encontro de Escaladores no Campo do Gerês, Terras de Bouro.
Este ano o Encontro terá aa presença de alguns escaladores espanhois apoiados pela Rab España, como é o caso de Josep Grau e de Sílvia Farré.
Após o jantar convivio de sábado Josep irá realizar também uma apresentação sobre a escalada na Catalunha.
As inscrições podem ser feitas aqui!
O velho abrigo pastoril dos Currais de Cidadelhe é memória dos dias de transumância na Serra do Gerês.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
Uma carta aberta da ASPA (Associação para a Defesa, Estudo e Divulgação do Património Cultural e Natural) ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) sobre o modelo de «visitação» da Mata de Albergaria.
Bom, na verdade não existe um «modelo de visitação» da Mata de Albergaria estabelecido pelo ICNF. O acesso à Mata de Albergaria - que quando convém é designada como "Zona de Protecção Total" - nunca sofreu qualquer restrição tanto ao nível do acesso pedestre como ao nível do acesso motorizado e, neste aspecto, a cobrança da "taxa de acesso" apenas serve para financiar o ICNF, não havendo qualquer impacto visível (ou, já agora, invisível) na preservação da Mata de Albergaria.
A visitação da Mata de Albergaria - principal razão de ser do Parque Nacional da Peneda-Gerês - merece por parte de quem governa o país (seja quem for), um murro na mesa, uma voz grossa e publicações com letras maísculas. Só assim se preserva a Reserva Biogenética! E mais uma vez basta uma curta visita à Mata de Albergaria para constatar que, no Verão, as regras não se aplicam (bom, na verdade, nem no Verão, nem no Inverno).
A Mata da Albergaria não está cuidada ao abrigo da justificação de que deve ser a Natureza a cuidar dela própria e não são as esporádicas limpezas de mato feitas pelas equipas de Sapadores que afirmam um suposto cuidado com a Mata. No Verão, é ver as hordas de banhistas que assaltam as lagoas naturais do Rio Homem e basta uma não muito atenta procura entre as rochas para ver o efeito de um turismo desordenado e irresponsável que não faz a mínima ideia da espcificidade do local onde se encontra.
Há uns anos, disseram que "não se pode vir para o Gerês como se vai para a praia." Entretanto, a situação piorou.
O compromisso para a preservação dos espaços naturais na Peneda-Gerês tem de ser de todos, mesmo daqueles que só gostam de trabalhar no Verão. As regras têm de existir e ser cumpridas, e quem não cumpre terá de aprender da maneira mais dolorosa... sim, muita gente só aprende "quando lhe vão ao bolso!" A sinalética existe, mas não é respeitada "porque não estava lá ninguém para a fazer respeitar." Se assim não for, corremos o risco de matar a «galinha dos ovos de ouro».
Em tempos foi pensado um sistema prático (semelhante ao que existe noutros parques nacionais) com a criação de zonas de estacionamento nas Caldas do Gerês e no Campo do Gerês a partir das quais seria criada uma rede de transportes em minibus que fizesse a ligação entre estes pontos e as zonas balneárias do Rio Homem ou mesmo do Arado. Chegou a ser prevista a criação até de uma zona de estacionamento na Portela de Leonte como parte deste sistema, sistema este que deveria limitar os lugares de estacionamento na zona transfronteiriça. O projecto não avançou e a situação foi piorando. Hoje, a Portela do Homem chega a ser caótica.
A sazonalidade tem de se combater com um projecto a médio e longo prazo, e não será a megalomania de um teleférico que irá terminar com ela quando existem soluções muito mais fiáveis, mais práticas e que não venham a hipotecar o futuro do concelho e do Parque Nacional. A implementação de um sistema deste tipo irá trazer alterações de fundo a uma zona onde o espaço para a sua implementação é reduzido (zonas de estacionamento, áreas e serviços de apoio nos pontos culminares do percurso, etc.).
Eu, que nada percebo destas coisas, já há muito que digo que é necessária uma alteração de paradigma no turismo que chega ao Parque Nacional da Peneda-Gerês e no turismo que se promove no concelho de Terras de Bouro, porque no futuro "QUEREMOS MUITO QUE TUDO CORRA BEM. QUEREMOS MESMO."
A Lavaria Velha da Mina do Salto do Lobo foi construída em 1943, sendo mais tarde - nos anos 50 - substituída pela Lavaria Nova situada no topo da Corga de Lamalonga, Serra do Gerês. Esta, iria operar até 1974.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
A paisagem vista das Minas dos Carris na manhã do dia 23 de Agosto de 2026 é bem diferente da registada no dia anterior, com as pesadas nuvens a bloquear a paisagem do Pico da Nevosa e da Garganta das Negras.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados) via Carlos Araújo / EMC
A paisagem vista das Minas dos Carris na manhã do dia 23 de Agosto de 2026, com o Pico da Nevosa e a Garganta das Negras.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados) via Carlos Araújo / EMC
Os rios são um dos traços mais marcantes das nossas paisagens. Este trilho, que tem início junto à antiga escola primária de Cousso, desenvolve-se ao longo do vale do Rio Mouro, atravessando as aldeias de Cousso, Gave e Parada do Monte.
O Rio Mouro nasce na localidade de Lamas de Mouro, percorre cerca de 30 quilómetros até desaguar na margem esquerda do Rio Minho, na localidade de Ponte de Mouro, concelho de Monção. No seu trajeto, propicia um contacto interessante com um rico e vasto património natural e paisagístico, sustentado em águas cristalinas, límpidas e refrescantes e pontuado por locais paradisíacos que apelam à contemplação e ao descanso. Seguindo as orientações, a descida permite chegar mais próximo das margens do rio, onde se destaca toda a riqueza da sua vasta galeria ripícola e uma grande biodiversidade. Ao longo do seu percurso, o Rio Mouro, forma um Vale, talhado maioritariamente sobre solos graníticos, com encostas de acentuadas pendentes, humanizadas desde a sua base até ao topo. A sua importância, desde tempos recuados, no auxílio à subsistência das populações é atestada na humanização dos solos das aldeias que nele se aninham e que possuem um impressionante conjunto de socalcos. Os socalcos agrícolas são estruturas que contrariam a natureza dos declives e permitem ao homem desenvolver as atividades agrícolas nos locais mais inóspitos. Surgem a eles associados as culturas do milho, a vinha (ramada) e uma intensa policultura de hortícolas variadas.
A valorização e preservação destas paisagens é essencial para a prevenção de riscos naturais. Já em Parada do Monte, não deixe de recuperar energias junto à Capela da Sra. da Vista e Sr. dos Aflitos, também conhecida por minhoteira onde pode desfrutar de um local tranquilo com contacto direto com o rio e onde o som da água e a sombra fresca convidam a momentos de relaxamento e a retemperar forças. Depois de atravessada a ponte pedonal da Minhoteira, o trilho leva-o de regresso ao ponto de partida através de dois passadiços de visita obrigatória.
Texto extraído daqui!
Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)