terça-feira, 1 de junho de 2010

Trilhos Seculares - Portela do Homem - Palheiros - Portela do Homem

Palheiros, 1 de Junho de 2010

Aproveitar um dia livre e tentar descobrir a Casa de Palheiros, eram estes os objectivos do dia. Após a usual passagem pelo Ramalhão, tomei conhecimento que hoje era o primeiro dia das Portagens 2010 na Mata de Albergaria. Seria eu o primeiro a ser portajado? Dirigi-me então para a Portela de Leonte e a ânsia crescia à medida que os quilómetros se iam encortando. Chegado a Leonte lá estava o já conhecido sinal de portagem e diminui então a velocidade para parar em frente à guarita de madeira. A carteira já estava pronta; será que o valor seria o mesmo ou a crise que a tudo de justificação serve iria também servir para aumentar o valor da portagem?

Parei então em frente da guarita e enquanto que electronicamente abro o vidro do carro, vejo uma mão que me faz sinal para prosseguir. Oh! tristeza sublime! Oh! derrame lacrimal, não seria o primeiro a ser portajado... A coisa parecia atrasada e ainda se faziam as limpezas de última hora bem visíveis na Portela do Homem onde alguns funcionários do Parque Nacional limpavam apressadamente o lixo da zona de estacionamento junto da fonte.

Parei então o carro a pouco metros da saudosa fronteira e logo a seguir chegava o companheiro de caminhada. Alguns minutos mais tarde já caminhavamos e passavamos junto das antigas casas dos guardas fiscais. Entrando profundamente na Mata de Albergaria, passavamos pela ponte que substitui (!!!) a Ponte de S. Miguel e depois pelos marcos miliários junto da abandonada e em ruínas Casa do Clube Académico do Porto.

Seguindo o Homem passamos ao lado da Ponte Feia e do Centro de Recuperação de Animais Selvagens. Em piucos minutos caminhavamos na Geira Romana e depois de abastecer de água, passavamos o Bico da Geira e, virando á direita, descíamos em direcção à Ponte de Palheiros.

A Mata de Palheiros, tal como a Mata de Albergaria, é uma amostra das matas que em tempos cobriram a maior parte do território nacional. Hoje estas áreas são reduzidas, mas mostram-nos uma visão de um passado longínquo do território português.

Depois de explorar durante largos minutos a zona, de contemplar com entusiamo as marcas dos javalis no chão e nas árvores, e de finalmente encontrar os restos da Casa de Palheiros (ver entrada em baixo neste blogue), decidimos seguir o fantástico trilho que se embrenhava cada vez mais na floresta seguindo a margem do Ribeiro das Gramelas. Passando por uma vegetação luxuriante e velhas árvores caídas, o trilho acompanha a encosta levando-nos á Ponte de Gramelas que nos permite passar para a Costa de Palheiros guardada pelo Cabeço de Palheiros. Aqui, o trilho flete para direita e volta a acompanhar o Ribeiro de Gramelas na sua margem esquerda ao mesmo tempo que vai elevando a sua cota de altitude.

A certa altura a vegetação abre-se e sobre o Sol escaldante do final da manhã foi possível contemplar uma apisagem que nos levava desde o Altar do Geira pela Costa do Altar passando pela Pena Longa e Costa da Varziela, Peito de Albergaria, a Costa de Sabrosa e os picos guardiões dos Prados Coveiros (Caveriros). Ao longe, a parede da Barragem de Vilarinho das Furnas e parte da sua albufeira. Simplesmente soberbo!

Prosseguimos a caminhada descendo em direcção à Albergaria circundando o Cabeço de Palheiros. Chegamos finalmente à Ponte Feia sobre o Rio Homem e dirigimo-nos para a Portela do Homem.

Algumas fotografias...





























Fotografias: © Rui C. Barbosa

2 comentários:

Voa baixinho disse...

Então Rui!...e a ponte? não merece uma entrada? Isto é, não uma entrada no blogue como poderá parecer à primeira vista, mas sim uma entrada na verdadeira acepção da palavra.
Um Abraço,

Rui C. Barbosa disse...

Merece, sim senhor! Já havia falado da ponte antes, mas mais cedo ou mais tarde ela voltará «à baila»...

Abraço!