domingo, 25 de janeiro de 2009

Outros momentos parados no tempo...

Carris, 24 de Janeiro de 2009

Mais uma série de fotografias obtidas nas Minas dos Carris a 24 de Janeiro de 2009...

Fotografias: © Rui C. Barbosa

sábado, 24 de janeiro de 2009

127!

Carris, 24 de Janeiro de 2009

A primeira subida a Carris em 2009 acabou por ter lugar neste dia dado a impossibilidade de acesso à Ermida de Na. Sra. do Xurés devido à queda de árvores na estrada que dá acesso ao local.

Com uma Sexta-feira atormentada por ventos fortes e chuvas intensas, cheguei a ponderar o adiamento da actividade prevista para o sia 24. No entanto a vivência com um grupo interessante de pessoas e uma grande vontade de caminhar e poder visitar as Minas dos Carris pela primeira vez em 2009, falaram mais alto. Havia também a confiança de que o estado do tempo melhorasse e isso veio mesmo a acontecer.

A primeira concentração teve lugar pelas 6h45 no parque de estacionamento da antiga Bracalândia onde já se encontrava o Carlos Daniel Rego e pouco depois chegou o Rebelo (http://trilhoseazimutes.blogspot.com/). Aguardamos um pouco mais e seguimos em direcção à Portela do Homem. Ao longo do caminho, mas mais evidente na descida das Cerdeirinhas para as pontes de Rio Caldo, encontravam-se os restos de um dia e uma noite de temporal com restos de ramos e folhas, árvores tombadas, toda a espécie de detritos espalhados pela estrada. A subida para as Caldas do Gerês apresentou o mesmo cenário com árvores e postes de electricodade caídos ou seguros pelos próprios cabos eléctricos (no final do dia estes postes haviam sido já destruídos para evitar acidentes mais graves). Não houve a oportunidade de se fazer a usual paragem no Café O Ramalhão e seguimos directos para a Portela do Homem. A estrada para a fronteira apresentava o cenário já habitual mas não menos surpreendente. Na Mata da Albergaria e já a caminho da ponte sobre o Rio Homem (não a Ponte de S. Miguel) tivemos de efectuar uma paragem para remover uma árvore caída. Quem por lá passou antes teve o cuidado de cortar a copa da árvore o minimo para que o seu carros passasse, agora remover a árvore por inteiro já dava muito trabalho (no final do dia os restos da árvore que havíamos colocado na berma estavam assinalados com uma fita da GNR daquelas intransponíveis...). Quando paramos para remover a árvore parou logo atrás de nós um outro carro e do interior saíram o Paulo Figueiredo (http://www.no-geres.blogspot.com/) e o Mário Faria que se encontravam na companhia da Paula Ferreira e com os quais nos íamos encontrar na Portela do Homem. Removido o obstáculo prosseguimos para o nosso terceiro encontro com o Zé Moreira que já nos aguardava junto de Vilaméa.

Após nos encontrarmos com o Zé Moreira prosseguimos para a Ermida de Na. Sr.a do Xurés junto da qual se iniciaria o trilho que nos levaria até às Minas das Sombras. Infelizmente, a nossa viagem foi interrompida por um pinheiro de grande porte que, tombado, bloqueava a estrada. Na impossibilidade de o remover decidimod optar por um plano alternativo de caminhada e seguimos para Portugal, estancionando os carros na Portela do Homem e percorremos o Vale do Alto Homem até às Minas dos Carris.

Enquanto preparavamos o nosso equipamento para a caminhada que se avizinhava, escutei uns latidos provenientes das eternas obras do antigo edifício da fronteira da Portela do Homem. Os latidos intrigaram-se e fui ver de onse se originavam. Por detrás da vedação que cerca as obras pude ver um cão a tremer de frio quase abandonado naquele lugar. Muito provavelmente será o forte cão de guarda, mas só a perversa e ignorante mente de alguém é capaz de colocar um cão de pequeno-médio porte a fazer guarda num local tão ermo e já por várias vezes assaltado. Só de imaginar que alguém foi capaz de pensar que aquele animal é capaz de afugentar possíveis ladrões, é tão ridículo e caricato que merecerá sem dúvida uma acção posterior pois é uma situação de abandono e mau trato animal.

A caminhada até às Minas dos Carris teve uma duração de aproximadamente 3 horas. Ao longo do percurso notou-se o frio da montanha, mas estivemos livres de chuva exceptuando alguns minutos de granizo que começou a cobrir de branco a paisagem. Por alturas das Abrótegas já se notava a neve fresca e os restos dos nevões anteriores... queles fora do normal que provaram que a nossa Protecção Civil fica bem nas fardas que hostenta... mas só fica mesmo bem aí!

A chegada às Minas dos Carris é sempre diferente e a paisagem glaciar que nos brindou lembrou o porquê de tantas saudades daquele lugar e realçou as sensações que sempre proporciona ao visitante.

Ao percorrer os primeiros metros por entre o Edifício para Casais e a antiga Cantina, reparei que este Inverno tem sido implacável com as estruturas dos Carris. Quase toda a fachada da Oficina Mecânica caiu vítima da neve e do gelo, e também dos fortíssimos ventos que certamente se terão feito sentir nos últimos dias naquelas paragens. Assim, este é mais um edifício que agora só existem na memória e nas fotografias do local.

Prosseguimos para a zona habitacional e como é usual procuramos refúgio na única zona onde é possível encontrar algum abrigo do vento, da chuva e do frio. Logo ao entrar foi fácil de notar que ainda existe muito palerma a visitar aquelas paragens, pois mesmo após a actividade de limpeza realizada em Carris em Setembro de 2008, o lixo já se começa a acumular de novo nos recantos mais abrigados. São garrafas de vinho, roupas, pacotes plásticos de todas as formas e feitios. Certamente é a reduzida percentagem de oxigénio no ar da montanha que leva estes inergumenos a deixar o lixo por lá espalhado. Possivelmente serão estes os mesmos que advogam o encerramento total da montanha para a sua preservação, mas que não são capazes de trazer de volta a garrafa de vidro que tanto prazer e saber lhes proporcionou. Eu sei um sítio onde vocês podem guardar a garrafa da próxima vez que lá forem...

Após o almoço de montanha notamos que as condições atmosféricas iam piorando (ou melhorando, depende da perspectiva) e no ápice começou a nevar intensamente em Carris o que proporcionou a oportunidade para uma boas fotografias. Foi notada a descida da temperatura e decidimos deixar as nossas mochilas no abrigo e ir visitar alguns pontos de interesse no complexo mineiro: os antigos poços de mina e locais de abatimento, as velhas instalações de processamento de minério, a entrada para a grande mina, o magestoso edifício da lavaria e a paisagem da Lamalonga e a zona de lamas poluidoras (mas que os doutos dizem que não fazem mal). Regressamos de volta ao nosso abrigo por debaixo da antiga Casa do Pessoal Superior da Mina e após mais algumas fotografias rumamos para a represa dos Carris, local de visita quase obrigatória. Fico a passagem pela varanda sobranceira à Garganta das Negras, mas o intenso nevoeiro que entretanto caira impediria qualquer vislumbre da paisagem.

A antiga represa estava açoitada por ventos fortes que originava uma forte ondulação como há muito já não via naquelas águas. A neve também se acumulava por aqueles lados, mas a água da represa não estava gelada. Após mais algumas fotografias regressamos. Ao passar junto do velho edifício do Dormitório noto que mais uma parede caiu vítima dos elementos e agora já pouco resta em pé das paredes deste edifício...

Mais algumas fotos e várias tentativas para se obter uma fotografia de grupo à entrada dos Carris, iniciamos a nossa descida com a satisfação de ter atingido mais um ponto alto e a gratificação de um dia bem passado em grupo.

Fotografias: © Rui C. Barbosa

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Minas das Sombras e mais além... (V)

Sombras, 6 de Agosto de 2006

Não sou muito de utilizar textos em inglês neste blogue, pois amo a minha língua e temo os estragos que os eruditos desta era lhe causam... Porém, e para aqueles que desafiam os elementos na (tentativa da) visita às Minas das Sombras e às Minas dos Carris no invernoso dia 24 de Janeiro de 2009, fica aqui um poema que embeleza um dos temas que envolve há já dois anos este blogue...

Wail of Sumer, por Carl McCoy (Fields of The Nephilim)

you can see the earth
we're high here
we're climbing over sumertown
you can kiss the air
we're gliding
follow me for sumerland
no sound life no essence
we lay entranged in our curious ways
memories lay beside us
but I'm seeing through an age
who I am
through sumerland
lead me taken from god
forgivers sent in to the dark to play
from life here I lead them
taken away from where they layed
getting old together
to breathe myself free
I'll stay
we're high here
forever
no tomorrow no today
through sumerland lead me

Fotografia: © Rui C. Barbosa

...o turpor.

Carris, 11 de Janeiro de 2003

...no torpor em que mergulhara por alguma razão,
deixou de sentir o vento húmido e as gotículas que lhe percorriam o rosto...
No precipício antes das Negras sentia agora o vento tépido do final da tarde de Verão...
Ao longe, a brancura granítica da Lamalonga conferia-lhe a distinta sensação de que ali já havia estado...
...essa presença tão reflectida num poema...
Mantendo-se de pé, mas incapaz de se mover...
...de repente sentiu a sua respiração no seu rosto, o breve sabor do metal das profundezas da Terra... O suor que lhe percorre a pele... a única sensação de deleite, prazer... deitada na erva, enroscada no granito...
O beijo chama-lhe a atenção para o alto dos Carris... O seu corpo despido pelo calor do dia abarca o topo da Nevosa...
Com a serra aos seus pés, de um Salto do Lobo adormece embalado pela magnitude do Gerês...
...o leve acordar do sonho... o Sol brilha pelos raios que se projectam na parede...

Fotografia: © Rui C. Barbosa

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Um outro olhar... (XI)

Carris, 26 de Outubro de 2008

Um outro olhar sobre Carris pela objectiva de Francisco Amorim...

Fotografias: © Francisco Amorim

Minas das Sombras e mais além... (IV)

Sombras, 12 de Abril de 2004

Continua prevista esta actividade para o dia 24 de Janeiro de 2008 com o objectivo de visitarmos as Minas das Sombras.

As previsões meteorológicas apontam para uma temperatura máxima de 9ºC, com a ocorrência de ventos de WSW a 16 km/h com rajadas que podem atingir os 38 km/h. Prevê-se a ocorrência de aguaceiros ligeiros com um máximo de precipitação de 2 mm. Não está prevista a qieda de neve.

Para o Sábado à noite está prevista uma temperatura máxima de 5ºC, com a ocorrência de ventos de WSW a 24 km/h com rajadas que podem atingir os 57 km/h. Prevê-se a ocorrência de aguaceiros com um máximo de precipitação de 12,2 mm. Não está prevista a qieda de neve.

Fotografia: © Rui Barbosa

Notas históricas (LIX)

Carris, 21 de Janeiro de 1958

A nomeação de Luís Anibal Teixeira Sá Fernandes como Director Técnico da mina do Salto do Lobo tem parecer favorável por parte do governo a 21 de Janeiro de 1958.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

Outros lugares de Carris (LXXX)

Carris, 26 de Outubro de 2008

...são lugares, pormenores condenados à eternidade...

Fotografia: © Francisco Amorim

domingo, 18 de janeiro de 2009

Notas históricas (LVIII)

Carris, 20 de Janeiro de 1947

No dia 20 de Janeiro de 1947 a Secretaria de Minas do Conselho Superior de Minas e Serviços Geológicos comunicava ao Ministro da Economia o seu parecer favorável à concessão definitiva da mina do Salto do Lobo à Sociedade Mineira dos Castelos.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

sábado, 17 de janeiro de 2009

O que resta?

Carris, 28 de Fevereiro de 2006

Durante as longas três horas e meia de uma viagem de Alfa pendular, temos a oportunidade de pensar em muita coisa. Uma das questões que me assaltou o pensamento foi a seguinte: "Será o passado tudo o que resta às Minas dos Carris?"

Quando pensei nisto imaginei que ficasse um bom título para uma entrada neste blogue! Porém, a questão não tem nada de meramente superficial. Numa altura em que tanto se discute o Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês (POPNPG), isto é não sei se posso dizer que se discute pois parece-me que os únicos que ainda pensam nele são as populações do próprio parque porque as decisões essas já estão tomadas pelos que tudo decidem, gostava de meter a minha acha na fogueira e gritar bem alto "E então? Em que ficamos em relação aos Carris?"

As últimas voltas que o POPNPG tem dado não me surpreendem. Já há muito que não compreendia quando alguém me disse que o Director do parque nacional achava que era melhor as populações abandonarem os seus campos do que continuar a cultivá-los. Posições dogmáticas como esta não levam a nada num país como o nosso, nem aqui nem em lado nenhum. Tentar fazer do parque nacional uma coutada para turistas ricos e expulsar o elemento 'Homem' do alto da montanha é uma visão tão infeliz que nem merece ser comentada. Muitas vezes pergunto-me porque é que o estado gasta dinheiro na educação superior de alguns elementos e deixa-se desperdiçar outros. Não gosto de utilizar esta comparação, mas ter um PNPG autista perante as populações só pode levar a consequências muito graves que depois quando estivermos escondidos perante a capa de um outro instituto, de outro tacho governamental ou de uma qualquer ordem corporativista, não serão certamente assumidas e a culpa dos grandes acabará por morrer solteira.

Como em muitos aspectos da nossa sociedade lusitana, vamo-nos limitar a estar quietos. Vamo-nos limitar a actuar e a brandir aos céus quando talvez um dia a Mata da Albergaria não passe de um monte de cinzas fumegantes. Nesta altura não faltarão certamente as vozes que se irão levantar e dedos hirtos que irão apontar, mas certamente que terão a consciência suja pela vergonha de não assumir que um dia se poderia ter salvo aquele canto que em tempos de chamou Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Talvez as Minas dos Carris sejam uma memória do que o nosso único parque nacional um dia terá sido. Não penso que Lagrifa Mendes tivesse em vista este futuro para o PNPG. Somos peritos em delapidar o nosso património, parece que um dia alguém nos inoculou com a virose do anti-lusitanismo e nos obriga a ansiar o vem lá de fora. Infelizmente, não fomos capazes de escolher quem de melhor para nos governar... é o nosso triste fado! E aos poucos a Lusitânia vai morrendo bem como as suas memórias diluídas nos trilhos do tempo e ficaremos nós a pensar para onde vão as gotas que rapidamente percorrem a janela do comboio!?...

Para finalizar estas divagações... Se muitas vezes sou da opinião de que as ruínas de Carris deveriam ser recuperadas, receio qual o futuro ou destino lhes dariam após essa recuperação? Seria algo para todos os que amam a montanha e fazem dela parte das suas vidas ou estariam reservadas para aqueles capazes de pagar a estadia na montanha? Estando acessível a todos, será que seriam preservadas da forma como as instalações actuais o foram ao longo dos tempos pela gentalha que as destruiu?

Sinceramente, será o passado tudo o que resta às Minas dos Carris?...

Fotografia: © Rui C. Barbosa

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Minas das Sombras e mais além... (III)

Sombras, 6 de Agosto de 2006

No dia 24 de Janeiro o blogue Carris organiza uma visita histórica às Minas das Sombras. Recordo que as inscrições para esta caminhada estão já encerradas.

A concentração para esta caminhada terá lugar na Portela do Homem entre as 7h30 e as 7h45. De seguida rumamos para a Ermida da Na. Sra. do Xurés (Vilaméa) a partir de onde iniciaremos o trilho até às Minas das Sombras.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

Notas históricas (LVII)

Carris, 15 de Janeiro de 1954

A 15 de Janeiro de 1954 era emitido o parecer favorável por parte do governo português para a construção dos edifícios de apoio à laboração mineira no que na altura era denominada a mina do Salto do Lobo. O despacho ministerial havia sido emitido a 17 de Dezembro de 1953, sendo posteriormente publicado em Diário do Governo a 22 de Janeiro de 1954.

Fotografia: © Rui C. Barbosa