segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Edifícios das Minas dos Carris (VII)

Carris, 7 de Outubro de 2007 (... e anos 40 e 50) ...esta entrada foi editada tendo em conta um novo dado que me foi enviado por José Manuel Rodrigues de Sousa.

Foi com agrado e tremenda satisfação que nos últimos dias tive a oportunidade de contactar com dois descendentes (José Manuel Rodrigues de Sousa e Carlos Sousa) de um dos primeiros sócios (José Rodrigues de Sousa) da empresa de começou a exploração mineira nos Carris. A ajuda que me têm prestado neste trabalho de tentar preservar a memória das Minas dos Carris e daqueles que lá viveram, trabalharam e construíram as suas vidas, é uma ajuda com um valor incalculável e para a qual estarei eternamente agradecido.

Na fase actual encontro-me a analisar várias fotografias que me foram enviadas e ao comparar uma delas com uma outra fotografia que em tempos me foi enviada pelo leitor Artur Batista, notei um detalhe interessante. A primeira fotografia foi enviada por Artur Batista e mostra uma parte da Casa de habitação do Pessoal Superior da Mina e parte de uma das Casas de Habitação...

A seguinte imagem foi-me enviada por José Manuel Rodrigues de Sousa e mostra a mesma casa e a casa de habitação que lhe é anexa...

A fotografia de Artur batista foi datada como sendo de 1948 e a fotografia de José Manuel Rodrigues de Sousa é datada dos anos 50. Uma análise detalhada às fotografias mostra algumas diferenças interessantes. De notar a existência de uma nova janela na casa em pedra ao lado da Casa de Habitação do Pessoal Superior da Mina, o que implica por si só que a casa da fotografia cedida por Artur Batista foi alvo de uma grande remodelação. Veja-se a diferença nas paredes... a fotografia cedida por José Manuel Rodrigues de Sousa, e datada dos anos 50 mostra os edifícios acabados de remodelar. Uma outra diferença menos óbvia é a aparência da base da Casa do Habitação do Pessoal Superior da Mina. Da mesma forma, repare-se nas escadas nas quais está sentado José Rodrigues de Sousa e compare-se com as escadas da primeira imagem... existe na última imagem um bloco de granito que não existe na altura em que a primeira fotografia foi tirada.

São estas pequenas descobertas que tornam fantástica a história desconhecida das Minas dos Carris!!!

Fotografia: © Rui C. Barbosa

Fotografia: © Artur batista

Fotografia: © José Rodrigues de Sousa

Notas históricas (XV)

Montalegre, 19 de Julho de 1941

A 19 de Julho de 1941 é feito na Câmara Municipal de Montalegre o registo da concessão mineira da Corga das Negras em nome de Aníbal Pereira da Silva.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

domingo, 9 de dezembro de 2007

Outros lugares de Carris (XXXII)

Carris, 6 de Agosto de 2006

A represa dos Carris é um dos locais mais peculiares que existe no velho complexo mineiro. Ainda pergunto qual o verdadeiro objectivo da casa junto à pequena albufeira?

Fotografia: © Rui C. Barbosa

sábado, 8 de dezembro de 2007

Mistério pelos Carris... (II)

Carris, 28 de Novembro de 2007

A exploração mineira na zona dos Carris na Serra do Gerês começou na área do Salto do Lobo. Naqueles anos já a Serra do Gerês era calcorreada pelas gentes serranas em busca do ouro negro que iriam depois vender. Por esta altura as Minas do Borrageiro (ou de Borrageiros) já tinham laborado por muitos anos, extraindo toneladas de volfrâmio das entranhas da Terra.

Quando Domingos da Silva descobriu por exploração de superfície os primeiros vestígios de volfrâmio no Salto do Lobo, iniciou-se uma corrida ao minério naquele local. A exploração em larga escala começaria alguns anos mais tarde, mas entretanto o minério que se encontrava à superfície ia sendo recolhido fazendo assim aumentar a riqueza de alguns que passavam os dias na serra.
Naqueles tempos a vida na serra era difícil e com o passar dos dias era necessário construir abrigos que protegessem os primeiros mineiros. Junto da área do Salto do Lobo encontramos hoje o que puderam ter sido esses primeiros abrigos de pedra.

Podemos apontar quatro possibilidades para a origem desses abrigos. A primeira é a que esses abrigos podem ser simples abrigos de pastores, afinal aquela zona da serra é percorrida pelos rebanhos e manadas nos meses de Primavera e Verão. Uma segunda hipótese pode apontar para abrigos de peregrinos que atravessavam a Serra do Gerês provenientes das aldeias serranas para os lados de Montalegre em direcção ao santuário de S. Bento da Porta Aberta. A terceira hipótese refere-se à utilização destes abrigos pelos contrabandistas que utilizavam a Serra do Gerês como um meio de introduzir no país os mais variados produtos. Finalmente, a quarta hipótese refere-se a que os restos que hoje observámos junto do Salto do Lobo sejam os restos dos primeiros abrigos utilizados pelos povos serranos que procuravam o volfrâmio na Serra do Gerês e mais precisamente para os lados do Salto do Lobo e dos Carris.

Nesta altura convém voltar a relembrar qual a origem do nome 'Carris'. Sendo aquela zona percorrida por inúmeros trilhos de montanha, a designação 'Carris' poderá surgir devido a esse grande número de caminhos por aqueles lados da Serra do Gerês. Note-se que aquando da disputa pela posse da concessão do Salto do Lobo, alguns documentos já referem a designação de 'Carris' como um alto serrano, logo este nome não está associado à actividade mineira naquela zona.

Um dos próximos objectivos de uma caminhada às Minas dos Carris será o de georreferenciar a localização destas ruínas que se encontram junto de explorações a céu aberto no Salto do Lobo, o local onde toda esta aventura começou...

Fotografias: © Rui C. Barbosa

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Mistério pelos Carris...

Carris, 28 de Novembro de 2007

Qual será o significado ou a utilidade desta construções? A resposta pode não ser tão óbvia! Carris está cheio de mistérios...

Fotografias: © Rui C. Barbosa

Edifícios das Minas dos Carris (VI)

Carris, 28 de Novembro de 2007

Com esta nova entrada vou tentar determinar a localização de algumas divisões no edifício que servia Escritório e Cantina nas Minas dos Carris. Apesar de já ter publicado esta planta numa entrada anterior, acho que vale a pena rever a seguinte imagem pois ser-nos-á bastante útil...

Este edifício era composto por várias divisórias: escritórios, gabinete técnico, gabinete da administração, arrecadação, escritório da cantina, cantina, entrega de minério, depósito de minério e hall de entrada.

Ao compararmos esta planta com o que encontramos no que resta deste edifício facilmente conseguimos identificar algumas divisórias, porém uma outra parte das ruínas não coincidem com esta planta o que nos leva a deduzir que: a) ou a construção não foi realizada segundo o plano inicial, b) a construção foi realizada segundo o plano inicial, mas sofreu alterações posteriormente.

A imagem seguinte mostra-nos o escritório / cantina tal como surge hoje nas Minas dos Carris...

Ao se tentar comparar estas ruínas com a planta original do edifício somos tentados a dizer que a zona em primeiro plano corresponde à cantina. Esta afirmação pode ser correcta, até porque no interior podemos observar uma lareira cuja existência faz todo o sentido no interior de uma cantina destinada ao pessoal superior da mina.
Num plano mais afastado da imagem observamos as quatro janelas que estão na planta do edifício nas duas divisórias destinadas aos escritórios. A comparação com o que na realidade existe no terreno é consistente com a planta do edifício. Assim, as seguintes fotografias mostram o que resta dos escritórios onde em tempos se fez a gestão das Minas dos Carris...
Voltando à nossa planta, observámos que nas actuais ruínas não existe qualquer divisória que possamos identificar como sendo o hall de entrada e que percorreria toda a largura do edifício. Da mesma forma não existe qualquer porta de acesso entre o hall e o depósito de minério, apesar de nas ruínas existirem vestígios de que em tempos terá havido uma passagem entre os escritórios e essa parte da casa, tal como se pode ver na seguinte fotografia...

Numa divisória ao lado da que terá servido de depósito de minério existe o que resta do que facilmente se deduz ter sido uma cozinha. Nas paredes ainda se podem observar as canalizações de gás...

As próximas imagens mostram o que terá sido o gabinete técnico e a arrecadação...

Ao chegarmos a este ponto penso podermos então concluir que este edifício não terá sido construído segundo a planta original, pois nota-se a inexistência de algumas divisões e alterações efectuadas noutras. É de facto interessante a existência de uma passagem bloqueada entre a divisória onde provavelmente se depositaria o minério e os escritórios. Talvez tivesse ocorrido um erro no planeamento da construção no terreno e que os trabalhos tivessem avançado até um ponto onde já não seria possível voltar atrás. Apesar de ser uma especulação é algo que sobre o qual nunca teremos uma resposta...

Estas são conclusões feitas tendo em conta o que se pode observar actualmente nas ruínas das Minas dos Carris comparando com a planta deste edifício. Qualquer ajuda ou opinião é sempre bem vinda!!

Fotografias: © Rui C. Barbosa

Outros lugares de Carris (XXXI)

Carris, 28 de Novembro de 2007

Durante a minha última caminhada até às Minas dos Carris deparei-me com o que restava de uma construção peculiar. Esta construção não surge em qualquer plano que eu tenha das Minas dos Carris e para ser sincero é algo que passa despercebido a quem por lá caminha apesar da sua localização, encontrando-se ao lado na antiga enfermaria.

Certamente não é difícil de deduzir qual terá sido a sua utilidade após olhar para o que resta daquela construção, mas não deixa de ser interessante...
Fotografia: © Rui C. Barbosa

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Notas históricas (XIV)

Carris, 23 de Julho de 1957

A Guerra da Coreia termina a 27 de Julho de 1953 e desde então a procura de volfrâmio nos mercados internacionais começa a baixar. Em princípios de 1956 a cotação do volfrâmio nos mercados internacionais é muito baixa e existe um desinteresse generalizado nos compradores. Este facto vam-se reflectir no universo mineiro nacional e as Minas dos Carris não fogem à regra.

A 23 de Julho de 1953 a Sociedade de Minas do Gerês Lda solicita a autorização para suspender a lavra nas várias concessões existentes em Carris (Salto do Lobo, Lamalonga e Corga das Negras) até que as condições dos mercados internacionais se modificassem.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Edifícios das Minas dos Carris (V)

Carris, 28 de Novembro de 2007

Continuando com esta série de entradas neste blogue acerca dos edifícios das Minas dos Carris, irei-vos mostrar o estado actual e identificar alguns dos edifícios que se podem ainda observar no terreno. A descrição dos edifícios já foi feita numa entrada anterior neste blogue (a 25 Novembro). O estado geral dos edifícios é de ruína deplorável...

A seguinte imagem mostra o que resta do bloco de Casas para Casais. Este edifício é um dos primeiros que se pode visitar nas Minas dos Carris, encontrando-se à direita da entrada do complexo para quem chega pelo Vale do Alto Homem... Na realidade, actualmente este conjunto comporta dois edifícios que foram acrescentados mais tarde e que constituíam as oficinas mecânicas de automóveis e talvez um armazém.

Em frente deste edifício encontra-se a Cantina. No terreno pode-se facilmente identificar a cozinha (ainda com alguns azulejos) e a cantina propriamente dita. Eis o seu estado... A porta que se vê na imagem dava acesso à cozinha, enquanto que a porta de acesso à cantina se encontra do outro lado da casa.

Seguindo o caminho por entre estes dois edifícios em direcção ao Penedo da Saudade, encontramos um conjunto mais rico de edifícios. O primeiro edifício que se vai deparar à nossa esquerda é o Escritório e Cantina onde se processavam os trabalhos administrativos das minas e se fazia a entrega do minério. No edifício estava localizada uma pequena cantina provavelmente para o pessoal superior da mina...

A Cantina ficava situada na divisão que se encontra em primeiro plano e na qual existia uma lareira que ainda hoje é visível...

Ao lado deste edifício encontravam-se as Oficinas onde se chega voltando à esquerda após passar pelo Escritório...

Logo atrás da Oficina ficava localizada a Enfermaria da qual hoje se pode identificar a escada de acesso e a base em alvenaria do edifício...
O Escritório, as Oficinas e a Enfermaria, formavam uma pequena rua da qual no outro lado ficavam situados outros edifícios. Começando por descer essa pequena rua encontramos os Armazéns...

Contíguas aos Armazéns estavam localizadas algumas Casas de Habitação. Nestas casas ainda se podem observar uma ou outra lareira e numa das divisórios o seu chão coberto de azulejos azuis...

Finalmente, e já no final desta pequena rua, ao lado do Escritório e Cantina ficava localizada a Casa para o Pessoal Superior da Mina. Hoje somente resta o soco de alvenaria na qual assentava e a antiga Cozinha...
















Na imagem em cima vemos o que resta da antiga Cozinha e ao lado um pormenor interessante no antigo alpendre da Casa para o Pessoal Superior da Mina.

Este quadro não fica completo sem vos mostrar o que na altura eram os Balneários e Retretes. Hoje são dos poucos locais onde se pode montar uma tenda para ter o mínimo de abrigo do vento... mas estas coisas não se podem dizer...

















Fotografias: © Rui C. Barbosa

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Notas históricas (XIII)

Carris, 25 de Março de 1975

Reactivadas no início da década de 70, a actividade nas Minas dos Carris não se prolonga por muitos anos. Nesta data a Sociedade das Minas do Gerêz Lda solicita ao Secretário de Estado da Industria a suspensão da lavra para 1975, apontando a falta de mão de obra adequada para continuar os trabalhos.

Nesta fase o destino das minas estava já traçado e apesar de a empresa solicitar nos anos seguintes sucessivos pedidos de suspensão da lavra numa tentativa de manter de certa forma as minas em 'actividade', o declive das Minas dos Carris já havia começado. A degradação das casas e o vandalismo começaria alguns anos mais tarde. Com a retirada das máquinas, as casas são os primeiros alvos com os seus telhados em lusalite. Num país em que muita coisa faltava, o abandono das minas era razão suficiente para se aproveitar o que lá havia sido deixado.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Edifícios das Minas dos Carris (IV)

Carris, 28 de Novembro de 2007

Como já referi numa entrada anterior neste blogue, o objectivo da minha mais recente caminhada até Carris foi o de tentar determinar através de uma comparação fotográfica, a localização de algumas fotografias antigas das Minas dos Carris.

A dúvida sobre o local de onde essas fotografias foram tiradas surgiu quando ao se comparar determinadas fotografias se concluir que a ideia que tinha anteriormente sobre a localização das fotografias não estava correcta. O conjunto de fotografias em minha posse mostra vários locais distintos em Carris. O primeiro local, e o mais fácil de localizar, mostra um conjunto de operários junto de um edifício branco tal como se pode ver nas fotografias seguintes...
Estas casas são hoje facilmente identificáveis nas Minas dos Carris apesar do seu estado ser deplorável... É difícil de acreditar que se tratam dos mesmo edifícios!

Juntamente com estas fotografias, tenho uma outra série de imagens que mostram os mesmos operários com uma máquina semelhante a um gerador. Foi esta imagem que juntamente com outras fotografias nos levou a concluir que os geradores das Minas dos Carris estavam localizados no interior da casa representada nas imagens anteriores. Eis as imagens do interior do edicífio onde se podem observar os geradores que por altura da Segunda Guerra Mundial tinham sido utilizados no aeroporto de Londres juntamente com as fotografias actuais dos mesmos locais...

Para finalizar esta série comparações de fotografias históricas com o estado actual do local, temos a seguinte imagem que nos mostra uma panorâmica sobre o que seria a escombreira da concessão do Salto do Lobo e que hoje se encontra coberta na sua maior parte de vegetação. Uma observação cuidada mostra a estrutura em madeira, em último plano, que fazia a ligação entre o edifício no qual se situava (e situa) a entrada principal da mina e a lavaria. A ligação por carris na qual os vagões de minério corriam, era toda ela coberta por uma estrutura de madeira da qual hoje nada resta a não ser alguns pedaços soltos e espalhados pelo chão...
É este o estado actual das Minas dos Carris... Um património que se perdeu para sempre por culpa de alguém que avaliou e determinou prioridades de forma errada. Ao longo dos anos o Parque Nacional da Peneda-Gerês não soube avaliar devidamente o equilíbrio entre a preservação ambiental e a preservação do património mineiro ali existente, património mineiro esse que no fundo é um pedaço da História de Portugal. Certamente existem culpados por esta avaliação, mas num país onde a culpa morre sempre solteira deixamos que a nossa memória se apague para sempre e se deixe perder. A incapacidade de se fazer uma preservação e de se pensar num concenso entre os objectivos ambientais de um parque nacional e a preservação histórica das Minas dos Carris demonstra uma incompetencia do mais alto nível.

Poderíamos fazer mais? Certamente que sim... e este é o meu humilde contributo...

Fotografias: © Rui C. Barbosa e © António Ribeiro / Rui C. Barbosa

domingo, 2 de dezembro de 2007

Olhando para Carris...

Pitões das Júnias, 2 de Dezembro de 2007

Olhando para Carris desde Pitões das Júnias. Lembrando velhas caminhadas, antecipando novas descobertas... ao longe, Carris...

Fotografia: © Rui C. Barbosa

sábado, 1 de dezembro de 2007

Outros lugares de Carris (XXX)


Carris, 28 de Novembro de 2007


Restos enferrujados do pasaado escorrem pelas paredes nuas...


Fotografia: © Rui C. Barbosa