domingo, 15 de fevereiro de 2009

128 ...o silêncio em Carris entra-nos na alma.

Carris, 15 de Fevereiro de 2009

As caminhadas que mais nos marcam são aquelas que por vezes decidimos de um dia para o outro. Foi o que aconteceu com a 128ª ida às Minas dos Carris. Apesar de várias pessoas me questionarem se iria encontrar neve, eu aguardava por um dia quase primaveril. Toda a chuva das últimas semanas começa a ter em nós um efeito nefasto e apesar de preferir o Inverno ao Verão, já pensava em dias frios mas com Sol. Era isto que esperava encontrar, mas qual não foi a minha surpresa quando pouco depois do Modorno a quantidade de neve, isto é, de gelo compacto era tanta que me surpreendeu.

A partir de certa altura a progressão teve de ser mais cuidadosa e lenta devido ao gelo. Em muitas zonas a camada era bem espessa e facilmente se caminhava sem haver o receio de me afundar na neve. Porém, outros locais havia onde por várias vezes 'cai' em buracos quase até à cintura.

Os tempos de caminhada foram os seguintes:

Portela do Homem - 06h34
Ponte sobre o Rio Homem - 06h42
Abilheirinha - 07h02
Água da Pala - 07h35
Ponte do Cagarouço - 07h54
Curvas das Febras - 08h02
Ponte do Modorno - 08h14
Teixo - 08h52
Ponte das Águas Chocas - 09h08
Ponte das Abrótegas - 09h22
Corga da Carvoeirinha - 09h43
Minas dos Carris - 09h58

Assim, foi um tempo total de caminhada de 3h 24m que reflecte bem a dificuldade da subida nas condições referidas.

As instalações de apoio mineiro e toda a zona envolvente até ao Salto do Lobo, Lamalonga, Corga das Negras, Pico da Nevosa, Altar de Cabrões, Carris e Sombras, estavam cobertas com um espesso manto branco certamente originado durante as semanas seguidas de chuvas que marcaram o início de Fevereiro. Em relação à última visita as casas não apresentavam novos danos resultantes de vandalismo e / ou efeitos dos elementos. Uma pequena nota positiva, apesar de por outro lado indicar uma degradação, as pinturas na parede lateral da Casa para Casais está lentamente a desaparecer. Apesar de isso indicar que a tinta original também está a desaparecer, o olhar já não é logo atraído pela estupidez da múmia...

Os minutos passados no topo do Penedo da Saudade valeram todo o dia e o esforço da caminhada. O silêncio envolvente proporcionou-me algo que só é possível naquele local... o silêncio em Carris entra-nos na alma. O olhar abrangia as serranias loginquas de Trás-os-Montes e mostrava Pitões das Júnias sem neve, tal como Montalegre lá mais no horizonte.

Um aspecto que os próximos visitantes de Carris deverão ter particular atenção, caso encontrem um cenário semelhante, é o perigo que representa a área circundante ao velho peço mineiro que está quase dissimulado pela grande quantidade de neve em seu redor. A visita à lavaria no topo da Lamalonga também requer um cuidado particular devido principalmente ao gelo.

Após passar uns minutos da Saudade, desci para junto da antiga Casa Para o Pessoal Superior da Mina para finalmente tomar um merecido pequeno-almoço e mais tarde rumei em direcção à Represa dos Carris. A represa estava totalmente gelada e o cenário era o ideal para umas boas fotografias. Na casa que se encontra junto da represa encontravam-se três a quatro igloos que devem ter proporcionado uma fantástica noite ao grupo que lá pernoitou.

Decidi então subir até ao Alto dos Carris (1508 m.) para mais uma sessão fotográfica e aguardar a chegada do Zé Moreira e da Guida. Com o passar do tempo decidi ir ao encontro do casal amigo e descer em direcção às Sombras. A descida a partir dos Carris foi complicada devido à neve e ao gelo, mas o pior estava para chegar. Iniciando uma verdadeira odisseia começo a descida pelo gelo já com as Sombras à vista até atingir um ponto junto de uma mariola a partir do qual não me foi possível progredir mais. São nestas situações que temos de saber tomar as decisões correctas mesmo que isso implique mais quilómetros de caminhada, mas a chegada ao destino são e salvo. Rodeado por uma encosta de gelo, era impossível caminhar e o mais pequeno resvalo numa encosta assim inclinada implicava logo uma visita relâmpago às Minas das Sombras...

O regresso à fronteira foi feito força e com muito cuidado, abrindo pequenos socalcos com as botas ou com a faca de mato... Após atingir um plano menos inclinado a caminhada tornou-se mais fácil mas por vezes lá surgiam os falsos encobertos pela neve. Não querendo regressar a Carris, decidi rumar em direcção ao Teixo, mas mais uma vez a progressão tornou-se lenta com a necessidade de se ultrapassar encostas de gelo e depor vezes ter de voltar alguns metros atrás para encontrar uma rota mais segura. Finalmente atingi o jovem Rio Homem e depois de repor alguns líquidos consegui atingir o velho estradão para os Carris, seguindo agora na direcção da Portela do Homem onde cheguei por voltas das 15h46. O Zé Moreira e a Guida também chegaram ao destino final sem problemas de maior.

E assim foi, mais uma crónica de uma caminhada não anunciada... por causa dos ratos azuis...

Ficam as fotografias... e as memórias...

Fotografias: © Rui C. Barbosa

2 comentários:

White Angel disse...

Rui,

Sabado dia 14 estive la:) a festejar os meus anos.... (eu e aserra) lindissimo é mesmo... quanto ao silencio que nos penetra na alma... adormeci no Penedo da Saudade a ouvir a sua voz:):):)
Pena nao saber que no Domingo foste la... eu estava na zona de Fafião, nao muito longe...

Abraço Montanheiro

Anónimo disse...

No fim de semana anterior o UPB tb lá esteve. MTª, mtª neve :))


abraço


medronho