domingo, 21 de fevereiro de 2010

O património perdido da Peneda-Gerês (X)

Com um Domingo chuvoso já havia adiado a marcha arqueológica na entrada do Vale do Alto Homem e assim ficou a oportunidade de poder visitar mais algumas casas florestais na área do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Desta vez rumei á Serra Amarela, à Serra do Soajo e à Serra da Peneda. No total passei por oito casas que as encontrei em diferentes condições. No entanto, estes edifícios serão referidos noutras entradas posteriores neste blogue.

Hoje vou permanecer ainda na Serra do Gerês e concentrar-me na Casa Florestal da Malhadoura. Esta casa faz parte do meu imaginário longínquo pois está situada numa das primeiras zonas que terei visitado dentro do nosso parque nacional. Nos idos dos 80, a zona da Pedra Bela, Arado e Malhadoura era umas das áreas que mais percorria. caminhando desde o Parque de Campismo do Vidoeiro e percorrendo a poeirenta estrada até à Pedra Bela, entrava naquilo que me parecia uma zona selvagem e longínqua... pelo menos no que diz respeito à caminhada feita ao Sol abrasador de Agosto. Após a descida para o cruzamento que dá acesso para o Arado, surpreendia-me o autocarro de dois andares que estava estacionado numa bouça perto deste estacionamento, certamente fruto de um pensamento hippie dos anos 70 no qual o convívio com a Natureza era o seu expoente.

A caminhada era depois recompensada com um mergulho nas água da Cascata do Arado e o almoço de então nas fantásticas (!!!) latas de comida já preparada aquecidas debaixo da ponte com o «camping gaz». Eram assim os felizes dias de Verão de então...

A Casa Florestal da Malhadoura está localizada numa zona de excelência. Não muito longe da Tribela e não muito longe da incrível casa murada privada ali perto, a Casa da Malhadoura está ao abandono e vandalizada, mas por outro lado surpreendeu-me o facto de não estar tão mal como seria de esperar e como já tenho encontrado outras casas em locais menos ermos. Ao contrário do que alguns dizem, a casa não está em ruínas e nem lá perto anda, podendo ser recuperada com um investimento não muito avultado. Olhando o cenário em redor e mesmo no interior da casa, parece-me que ela é utilizada pelos lenhadores que trabalham na zona e por visitantes ocasionais... Curiosamente, as inscrições a carvão nas paredes não são assim tão recentes. De facto, não fosse o vandalismo e a Casa Florestal da Malhadoura estaria em muito bom estado somente afectada pelo passar dos anos sem a devida manutenção.

O passeio até à Malhadoura é uma caminhada bastante interessante feita por uma zona incrível do parque nacional. A casa está situada a 41º 41'22N - 8º 06'55O e a uma altitude de 780 metros (GPS).
Fotografias: © Sílvia Carvalho

3 comentários:

agostinho costa disse...

Olá Rui.

Isto só demonstra o quão abandonado está o nosso Parque Nacional. Todas estas casas podiam rentabilizar a defesa do ambiente. Ou seja, estas casas recuperadas, devidamente adaptadas, dariam excelentes abrigos de montanha ao serviço do ecoturismo. As receitas podiam reverter para a própria manutenção desses equipamntos e para a recuperação de outras áreas que vão tristemente morrendo aos poucos neste Parque. É incrível, ou irónico, que a liberdade dos cravos tenha acelerado a destruição de um património que o Estado Novo soube ciar e preservar. Isto só demonstra que liberdade não é o mesmo que responsabilidade e respeito pelo outro. E a liberdade neste país tende a ser confundida com libertinagem. Assim vai este país, muito verde no que respeita a maturidade democrática e muito negro no que diz respeito a perspectivas de um futuro próspero e sustentável.
Parabéns por teres trazido a lume esta situação.

Rui, aproveito para sugerir que faças uma visita à casa florestal que se encontra no Trilho dos Miradouros. Verás o estado em que ela se encontra.

Abraço.
Agostinho Costa
Vila Nova de Famalicão

Rui C. Barbosa disse...

Viva Agostinho,

Obrigado pelo teu comentário!

A casa a que te referes é a Casa de Lamas que já foi referida aqui http://carris-geres.blogspot.com/2010/02/o-patrimonio-perdido-da-peneda-geres-i.html#links .

Abraço!

João disse...

Portugal a cair aos bocados, não é de agora começou com a ausência de políticas para o país logo depois do 25 de Abril de 1974, as bancarrotas, eram inevitáveis,e não se vê pessoas na política com tomates para dar a volta a isto, basta ver que uma grande parte senão todos têm medo de pronumciar a palavra serviços florestais, ou floresta.