sexta-feira, 21 de agosto de 2026

403... Sombras e Carris

 


Uma visita à Mina Mercedes As Sombras e às Minas dos Carris tirando partido de um dia no qual as temperaturas foram «amenas», sem ter a sensação de um calor tórrido que massacrou a terra nos dias anteriores.

A paisagem típica do estio encontrava-se «queimada» pelo Sol, com as nascentes de água quase todas secas - excepção a uma abundante nascente perto da Cabana da Calballosa e da Casa da Illeira, no caminho florestal que me levaria até ao início da subida final para as velhas minas galegas.

A passagem de fronteira fez-se na Portela da Amoreira, ladeando o marco geodésico dos Carris a Poente. Passando as velhas sanjas mineiras, a paisagem das Minas dos Carris surgiu com os tons típicos do estio.

Após um descanso e repasto junto da represa das Minas dos Carris, iniciei o regresso passando pelo local da velha estação meteorológica e segui em direcção ao Salto do Lobo, tomando o velho caminho mineiro através do Vale do Alto Homem até à Portela do Homem.

Foi mais um dia de montanha a provar que o excesso de turismo ou de visitantes na Serra do Gerês por esta altura do ano, apenas de limita aos locais promovidos pelos interesses turísticos instalados. Ao longo do dia, e antes de chegar à Portela do Homem, apenas vi duas pessoas, o que mais uma vez deita por terra o mito do excesso de visitantes na área de mabiente natural.

Ficam algumas fotografias do dia...





































Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCXXXII) - Borrageiros e a Corga de Valongo

 


De entre o conjunto de paisagens que a Serra do Gerês nos oferece, as paisagens que Porta Roibas proporcionam estão entre as mais arrebatadoras.

Na fotografia, onde surge o Curral de Porta Roibas, Borrageiros ergue-se para lá da Corga de Valongo com as suas paredes graníticas aprumadas. A paisagem esconde Natureza e uma profunda História de vivência dos povos serranos. Era pela Corga de Valongo que o carvão vindo dos lugares de Cabril era transportado para ser vendido na chã do Teixo (Vale do Alto Homem). Atrás de Borrageiros, está a agora silenciosa e secular Mina de Borrageiros onde resistem as ruínas e as cicatrizes daquele dias infâmes onde o volfrâmio era extraído das entranhas da terra por um punhado de escudos. 

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Minas dos Carris, 20 de Agosto de 2026

 


A paisagem vista das Minas dos Carris na tarde do dia 20 de Agosto de 2026, com o Pico da Nevosa e a Garganta das Negras. 

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados) via Carlos Araújo / EMC

A Pedra Bela no princípio do século XX

 


Várias fotografias da Pedra Bela antes dos trabalhos de reflorestação realizados pelos Serviços Florestais.

De referir que o ano de 1912 assinalou o final da abertura do caminho para a Pedra Bela que se iniciava então no velho Curral do Vidoeiro (posteriormente transformado em parque de merendas).

As obras para a abertura do caminho foram iniciadas na segunda quinzena de Agosto de 1907 e o primeiro carro de parelha chegou à Pedra Bela a 12 de Agosto de 1912, sendo este um carro dos Serviços Florestais que, entre outros, transportou Tude Sousa (então Regente Florestal) para avaliar as condições de trânsito do caminho e para fiscalizar os trabalhos então encetados.

Ainda no âmbito destes trabalhos, Tude de Sousa voltaria à Pedra Bela a 22 de Agosto, sendo nesse dia acompanhado pelo silvicultor Melo e Sabo, na altura superintendente nos trabalhos no Gerês. Nesse mesmo dia ficou determinada a localização do novo observatório meteorológico e de uma nova casa de guarda, que ainda não teria sido construída em 1926.


A fotografia em cima mostra a zona da Pedra Bela já depois da construção da Casa Florestal, ou Observatório, semelhante à que existia na Chã da Pereira (actual sede do Grupo Desportivo do Gerês).

A fotografia, certamente datada da primeira metade do século XX, mostra uma paisagem irreconhecível com aquilo que hoje vemos, pois foi obtida antes da reflorestação encetada pelos Serviços Florestais.

Em último plano vemos o «recém» construído Observatório e no centro da imagem o Penedo da Cabeça do Cão.

As duas fotografia a seguir são datadas do dia 12 de Agosto de 1912 onde se vê o primeiro carro de parelha que chegou à Pedra Bela.



As fotografias a seguir mostram diferentes aspectos da recém criada estrada para a Pedra Bela.




A fotografia a seguir mostra o «recém» construído Observatório na Pedra Bela.


Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCXXXI) - Carvalhas Vrinhas no Vale do Alto Homem

 


A encosta e o alto de Carvalhas Vrinhas não passam despercebidos a quem percorre o Vale do Alto Homem, Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCXXX) - Vale do Homem e a Serra Amarela

 


No Vale do Alto Homem vemos bancos de nevoeiro que vencem os contrafortes da Serra do Gerês e da Serra Amarela, vindos do Vale do Rio Lima e se dissipam nas encostas, deixando alguma humidade para um dia que seria de calor intenso.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Cidadelhe, 85 anos depois

 


Em "Minas dos Carris  - Histórias Mineiras na Serra do Gerês" (Rui Barbosa, Dezembro de 2013), faz-se uma referência aos trabalhos mineiros executados junto do "marco geodésico" de Cidadelhe:

"Informou-me o capataz que junto da pirâmide geodésica “Cidadelhe” existe um filão mineralizado pela volframite, muito bom, segundo ele, e onde vários “pilhas” trabalham vendendo-lhe depois o minério.

Justificou essa compra com o pretexto de que esse filão está ainda dentro da concessão, o que é inexacto, pois da concessão Borrageiros até à pirâmide “Cidadelhe” mediram alguns quilómetros.

Como é do conhecimento de V. Ex.ª, este concessionário, de quando em vez, participa a este Serviço que lhe desapareceram as guias n.ºs tal e tal, pedindo a sua apreensão caso alas aqui sejam apresentadas, o que eu reputo menos verdadeiro, supondo que tal tem por fim encobrir mais alguma irregularidade praticada."

O cenário que nos deparamos junto ao alto de Cidadelhe é de plena desolação! Os trabalhos mineiros ilegalmente ali realizados, são a realidade da miséria e das condições de trabalho que ali existiam. Não havendo edificações para acomodar os «pilhas» que ali trabalhavam, este tiravam partido das palas ou construiam rudimentares abrigos de pedra solta que os protegessem nas duras condições que encontravam na inóspita serra geresiana.

A fotografia em cima ilustra bem estes abrigos que adinda podemos ver em Cidadelhe 85 anos depois dos trabalhos mineiros. Uma pala granítica era coberta por pequenas lajes que abrigavam um ou dois homens que encontravam abrigo deitados sobre a rocha. Outros abrigos nas proximidades mostram pequenas construções de pedra solta ou outros onde as palas eram o principal meio de defesa contra o ambiente difícil e cruel do trabalho mineiro que ali se praticava nos anos 40 do século XX.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)