quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Trilho do Fojo da Portela da Fairra... versão Inverno

No dia 29 de Julho de 2010 percorri este trilho pela primeira vez. Na altura, e com uma temperatura média de 37ºC, desejei voltar a fazer este percurso no Inverno... porém por um lado dispensava o nevoeiro, sem bem que o nevoeiro atribui um toque especial, de mistério, à paisagem extrema da Serra do Gerês.

Assim, aproveitando uma curta trégua da meteorologia, fizemos este trilho novamente, iniciando o percurso em Parada de Outeiro. Em Julho de 2010 dizia o seguinte sobre este percurso: "É um trilho interessante mas a necessitar de alguma manutenção pois algumas indicações estão danificadas e penso que deveria ser melhorado o percurso no interior de Parada do Outeiro. Essencial a placa de início e fim de percurso e talvez placards explicativo dos locais de interesse (fojo, carvalhal e silha)." Entre Julho de 2010 e Janeiro de 2013 infelizmente nada foi feito. Apesar de ser um trilho de percurso fácil, existirá um ou outro ponto onde os visitantes podem tomar opções erradas. Não é que isto possa ser muito perigoso, mas pode-se poupar algum tempo e esforço. Passados mais de dois anos, a verdade é que o trilho vai-se degradando e não havendo material de apoio facilmente adquirível, torna-se um pouco desmotivante chegar ao final sem aprender muito sobre aqueles locais.

De qualquer das formas, este percurso permite-nos o contacto com o dia-a-dia das comunidades serranas. O fumo que sai das chaminés enche o ambiente com o cheiro da lenha acabada de queimar nas lareiras onde em alguns casos ainda se preparam as refeições. O ambiente típico da aldeia serrana é substituído pelos lamacentos caminhos ladeados de carvalhos ou de campos de cultivo que nos levam para um cenário agrícola de quase subsistência. Passando pelo velho fojo e entrando em velhos carvalhais com os seus ramos retorcidos e cobertos de líquenes e velhos musgos, ladeamos parte da albufeira de Paradela antes de nos dirigirmos de novo a Parada de Outeiro com as suas estreitas ruas percorridas pelo gado que se dirige para as pastagens de Inverno.

Localizado no lugar de Parada do Outeiro, freguesia de Outeiro, concelho de Montalegre, o Trilho do Fojo da Portela da Fairra, promovido pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês, é uma pequena rota circular com uma extensão de 6 km e grau de dificuldade baixo.

Não existindo placa de início de percurso, este inicia-se em Parada do Outeiro no largo junto ao canastro que nos permite uma vista parcial sobre a albufeira da Barragem da Paradela. Ao percorrer a povoação podemos apreciar a arquitectura típica das construções destes lugares de montanha, sendo também de interesse o interessante conjunto de fontanários e a Capela da Sra. do Amparo.

Ao abandonar a aldeia, o percurso vai passar por uma ponte e junto ao Casarelhe. Segue por um pequeno caminho de terra batida e passa ao lado do Alto das Picotas, do Alto da Mulher Calça e do Alto do Padreiro, até atingir a base da Portela da Fairra onde está localizado um fojo de cabrita que era utilizado para a captura de lobos. A última captura oficial neste fojo teve lugar em 1917, sendo então capturados dois animais de forma simultânea.

Após o Fojo da Portela da Fairra, o percurso baixa para junto da albufeira da Paradela e segue em direcção a Canda passando pelo Carvalhal de Beredo e de Campesinho, e por uma silha de ursos. Nestes carvalhais predominam o Carvalho Negral (Quercus pyrenaica) e o Carvalho Alvarinho (Quercus robur). Um interessante desvio pode ser feito até à Ponte de Beredo (este desvio prossegue depois para Gafaria e Verdugo) que permite uma paisagem do Vale do Ribeiro de Beredo até Pitões das Júnias. A parte final do trilho dá-nos uma panorâmica interessante sobre a albufeira da Paradela.

Algumas imagens...





































Fotografias © Rui C. Barbosa

Mapa e traçado do percurso © PNPG

BE pede esclarecimentos sobre futuro do Parque Nacional da Peneda-Gerês

Notícia do Jornal Público "BE pede esclarecimentos sobre o Parque Nacional da Peneda-Gerês".

De facto, há muita coisa a esclarecer não só no PNPG...

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Postais do PNPG (CLXXII) - Curva da Morte (Preguiça)

Denominada 'Curva da Morte' devido à sua localização sobre uma aprumada ravina, esta curva é bem conhecida dos visitantes do Gerês. O local foi tema de várias edições de postais ilustrados, tendo já surgido nesta série neste blogue. Este postal tem a particularidade de ser composto por uma fotografia na qual se pode constatar a ainda não existência de protecções ao longo da estrada florestal que então fazia a ligação entre as Caldas do Gerês e a Portela de Leonte, entrada para o Gerês mais selvagem.

O postal em questão é uma edição da primeira metade do século XX da Foto Gonzales - Loja Espanhola, Gerês.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Revista Passear n.º 21

Já está disponível o n.º 21 da revista Passear na qual podem encontrar um artigo meu.

Secelo (Vilar da Veiga)


Secelo é um lugar de Vilar da Veiga localizado acima das Caldas do Gerês já a caminho da Portela do Homem. Este lugar é conhecido por uma queda de água no Rio Gerês muito procurada durante o Verão e dá o seu nome ao que provavelmente é o mais desconhecido dos trilhos assinalados no Parque Nacional da Peneda-Gerês.

No entanto, não é algum destes temas que me faz hoje escrever sobre Secelo. Em conversa com Luís Miguel Alves, famoso meteorologista amador de Bragança, surgiu a expressão 'sincelo' e desde logo «saltou à vista» a semelhança com o topónimo geresiano.

Na Folha n.º 30 da Carta Militar de Portugal do Instituto Geográfico do Exército com trabalhos de campo de 1949, o nome deste lugar surge escrito como 'Cesselo', enquanto que na mesma folha mas com trabalhos de campo de 1993 surge o topónimo 'Secelo', que é o que encontramos nos nossos dias. Curiosamente, no livro "Serra do Gerez - Estudos, Aspectos, Paisagens" de Tude de Sousa editado em 1909 refere o lugar de 'Sicêllo', topónimo muito semelhante ao termo 'sincelo' que significa o fenómeno meteorológico que ocorre em situações de nevoeiro aliado a temperaturas entre os -2ºC e os -8ºC, resultando no congelamento de gotas de água em suspensão quando estas entram em contacto com a superfície.

Não sei se o topónimo 'Secelo' deriva do termo 'sincelo', mas parece-me uma boa explicação.

Fotografia © Rui C. Barbosa
Fotografia © Instituto Geográfico do Exército

domingo, 6 de janeiro de 2013

Outros lugares de Carris (CXXXV)

Carris, 20 de Julho de 2010

Chamada para um passado já distante...

Fotografia © Rui C. Barbosa

sábado, 5 de janeiro de 2013

Outros lugares de Carris (CXXXIV)

Carris, 2 de Maio de 2012

Nas entranhas da Terra, a luz é a essência da escuridão...

Fotografia © Rui C. Barbosa

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Outros lugares de Carris (CXXXIII)

Carris, 13 de Março de 2012

A entrada para uma mina é a passagem para um mundo escuro...

Fotografia © Rui C. Barbosa

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Panorâmica do Vale do Rio Laço

Panorâmica sobre o Vale do Rio Laço onde se vê a Roca Negra, Meda de Rocalva, Iteiro de Ovos, Porta Ruivas e Borrageiro, na Serra do Gerês.

Vídeo: © Rui C. Barbosa

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Trilhos seculares - Curral da Amarela nos domínios de Fafião

A primeira incursão na Serra do Gerês em 2013 foi dedicada aos trilhos seculares das gentes de Fafião com uma passagem pelo Curral dos Bicos Altos e Curral da Amarela. Apesar de começar frio, o dia esteve de feição com algum vento até à chegada ao Curral da Amarela.

A jornada começou no belo Curral da Tribela seguindo depois por Ponte de Cervas até ao Pinhô. Aqui, seguimos pela opção que se nos deparava mais fácil e com menor declive, percorrendo o estradão até que ao chegar junto da pequena represa paramos para apreciar as mariolas que iam trepando a corga e que certamente nos levariam já perto do Curral de Pousada. De facto, já há tempos me haviam referenciado as ditas mariolas mas da última vez que havia percorrido aquele estradão, estas passaram-me despercebidas. Nesta altura a passagem pode ser feita com algum cuidado e o carreiro, ou o que resta dele, está aberto devido a um incêndio que ali terá ocorrido há já alguns anos. Assim, em poucas centenas de metros vencemos o declive que nos levou directos ao Curral de Pousada. O percurso prosseguiu em direcção ao escondido Curral dos Bicos Altos depois de atravessar o Trilho da Vezeira de Fafião.

Logo no início do nosso percurso, a visão da Roca Negra e da Rocalva parecem como que duas gigantescas colunas que marcam a entrada num reino maravilhoso e de fantasia. No fundo, aquela zona da Serra do Gerês é isso mesmo, um reino maravilhoso e de fantasia no qual estamos sempre à espera de sermos surpreendidos por um duende que nos salta ao caminho por detrás de um velho carvalho ou então como que enfeitiçados pelo doce cantar de um grupos de elfos. As montanhas adquirem aquele aspecto de 'fotografia da natureza' ao qual nos habituaram dizendo que só em terras distantes existem daquelas paisagens. Nada poderia ser, neste contexto, mais errado. A Serra do Gerês não nos pára de surpreender por aquelas paragens a cada passo que damos, a cada pestanejar, pois a paisagens apesar de única, vai-se alterando à medida que a nossa alma se vai abrindo a cada nova sensação.


Saindo do Curral dos Bicos altos, os caminhos bem assinalados pela companhia das mariolas levam-nos a entrar no vale do Rio de Fafião. Aquelas varandas permitem-nos já ter uma vista para o fantástico Trilho da Vezeira de Fafião bem delineado na paisagem e que nos conduz até ao Porto da Lage e ao Curral da Touça. Na «nossa» encosta, o carreiro para o Cortiço e Curral de Lagarinho fazem-nos já pensar numa próxima ida para aquelas paragens. A nossa jornada vai-nos aproximando do Curral da Amarela já à vista de Porta Ruivas e do Borrageiro e do imenso Iteiro de Ovos. Muitas vezes me questionai sobre o significado do termo 'iteiro'. Uma pesquisa levou-me à seguinte definição: "Forma actual: Outeiro ou, em desuso, Oiteiro; sig. "pequena elevação de terreno". Normalmente um cerro / morro que se destaca como acidente de terreno. Em várias regiões serviam como limites, términos, marcos da confluência de diferentes territórios, em particular nas civilizações pré-romanas." Esta descrição toponímica (ou oronímoca?) serve que nem uma luva àquilo que vemos do Iteiro de Ovos (ou somente 'Ovos' como está definido na Folha n.º 31 da Carta Topográfica de Portugal do IGE) em termos de característica geográfica. No entanto, seria interessante tentar compreender a origem do termo naquele lugar no que diz respeito a possíveis limites ou términos territoriais. Acredito que esta divisão, caso seja esta a razão da origem do nome, esteja mais relacionada com as relações entre os povos serranos do que a divisão administrativa do território, pois a «fronteira» entre Terras de Bouro e Montalegre (ou entre Braga e Vila Real, ou ainda entre o Minho e Trás-os-Montes) está localizada a poucas centenas de metros mais abaixo através do Porto da Lage, ao longo do Rio da Pigarreira e ao longo da Corga Mão do Cavalo, seguindo pelo Corgo das Mestras até aos Carris após passar pelo Outeiro do Pássaro).

O Curral da Amarela é local de passagem e pernoita, tendo um forno. Daqui facilmente se acede ao Curral de Lagarinho ou ao Estreito e consequentemente de novo ao Trilho da Vezeira de Fafião. Logo após a saída do curral é também possível baixar por um tortuoso carreiro para o Vale do Rio Laço e chegar ao Curral da Touça e Porto da Lage. As gentes serranas tiraram o melhor partido das características do terreno, aproveitando pequenas passagens criadas pelas falhas geológicas e veios para facilitar o acesso entre currais, estabelecidos em velhas lamas ricas de depósitos ao longo dos anos proporcionando as pastagens e abrigos para os gados durante a noite.

O nosso trajecto fez então uma inversão de sentido, voltando costas à Meda de Rocalva e Roca Negra, prosseguindo para Pradolã (Prado-lã), local de descanso na nossa jornada de novo à vista dos Bicos Altos. Depois, prosseguiu-se até ao Curral de Pousada com o seu caos de blocos graníticos, e descemos para o Vale do Rio Conho, passando ao lado do Curral de Pinhô e prosseguindo para a Ponte de Cervas que nos deu acesso ao final do dia de novo na Tribela.

Algumas fotos do dia...

























Fotografia: © Rui C. Barbosa

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

2013


O ano de 2012 ficou marcado pela luta contra as taxas que após muitas manifestações de desagrado, várias idas ao plenário e reuniões com os partidos e governo, acabam por ficar... na mesma, mesmo após a governação ter garantido que a situação seria resolvida após o Verão. Bom, sejamos verdadeiros neste assunto... é certo que não nos foi definido qual o ano a que esse Verão se referia, mas todos esperávamos que o assunto tivesse arrumado por esta altura.

Na verdade não está! Em minha opinião pessoal a situação não está resolvida porque existe uma grande desunião entre os praticantes de actividades de montanha; porque as federações não se interessaram pelo tema e quando actuaram, fizeram-no às escondidas dos restantes movimentos cívicos; ou porque muitos têm uma agenda ou interesses escondidos; ou porque muitos acreditaram que o problema seria resolvido pela boa fé do governo.

Por outro lado, e isto parece viral, muitos continuam a actuar de forma irresponsável nas áreas protegidas. Desde o princípio que o propósito era o de cumprir as regras e negar as taxas. Infelizmente, muitos actuaram (e actuam) de forma a não cumprir as regras (e por consequência não pagar taxas, como é óbvio). Por princípio, sempre fui (e sou) contra o pagamento das taxas, mas sou a favor do cumprimento das regras e quando mais que muitas áreas protegidas tentam adaptar as regras às circunstâncias particulares de cada actividade. Infelizmente, ainda há muitos grupos que realizam actividades em áreas protegidas combinando locais de encontro secretos, realizando trilhos com nomes misteriosos, e levando multidões para áreas sensíveis. Esta forma de actuar colocar em xeque todos aqueles que tentam cumprir as regras e que sempre lutaram para que o relacionamento entre as áreas protegidas e quem as visita, seja o mais cordial possível. Por outro lado, esta forma de actuar de muitos grupos coloca também em risco todos aqueles que participam nessas actividades não autorizadas nas quais um possível seguro irá rapidamente encontrar argumentos para não cobrir possíveis danos ou despesas.

Esperemos que 2013 possa finalmente trazer uma resolução para o problema das taxas que venha a agradar a todas as partes, mesmo sabendo que haverá sempre quem não concorde com a possível solução que venha a ser encontrada.

Fotografia: © Rui C. Barbosa