sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Outros lugares de Carris (LXXI)

Carris, 18 de Dezembro de 2007

...ao chegar a Carris ficamos parados no tempo.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Notas históricas (XLVIII)

Carris, 11 de Abril de 1946

Em 1946 a indústria do volfrâmio vivia já uma longa crise (!) que resultara já na suspensão de muitas explorações. As Minas dos Carris não foram excepção. Apesar do relativo investimento levado a cabo na concessão do Salto do Lobo e no início da exploração da Lamalonga I e da Corga das Negras n.º 1, a Sociedade Mineira dos Castelos Lda. encontrava-se em crise e uma Comissão Administrativa é nomeada pelo Ministério da Economia a 18 de Fevereiro de 1946.

Mesmo em plena crise do volfrâmio, a Sociedade Mineira dos Castelos Lda. solicita a 11 de Abril de 1946, a concessão definitiva da mina de volfrâmio do Salto do Lobo que havia sido concedida em alvará provisório datado de 8 de Abril de 1943.

A concessão definitiva seria atribuída por despacho ministerial de 30 de Janeiro de 1947.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Outros lugares de Carris (LXX)

Carris, 6 de Abril de 2007

Existem segredos escondidos nos lugares escuros da Terra...

Fotografia: © José Afonso Duarte

Notas históricas (XLVII)

Carris, anos 70

Encerradas em finais dos anos 50, as Minas dos Carris foram reactivadas no princípio dos anos 70. Muito trabalho teve de ser levado a cabo, entre os quais a manutenção das instalações, manutenção de toda a maquinaria, reparação da estrada de acesso, etc. A informação disponível sobre esses anos é quase inexistente e exceptuando uma ou outra data, são poucos os pormenores conhecidos acerca dos objectivos que foram traçados então para as Minas dos Carris. Com o advento do Parque Nacional da Peneda-Gerês, a exploração mineira na Serra do Gerês tinha os seus dias contados. Pena foi que no calor da preservação não se tivesse cuidado para a preservação de um património que hoje seria de extrema utilidade. Mais infelizes foram os que depois vieram e que nem com a experteza do superior conhecimento tiveram a singela opção e ideia de preservar um pouco da nossa memória.

Fotografia: © António Ribeiro / Rui C. Barbosa

Carris em exposição (II)

Braga, 13 de Outubro de 2008

Obrigado!

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Volfrâmio na Louriça

Chã da Fonte, 1 de Setembro de 2008

Em Setembro passado o Jorge Louro enviou estas imagens do que pensa serem restos de uma possível exploração de volfrâmio na Chã da Fonte, perto da Louriça (Serra Amarela). Segundo ele "...no local há muita pedra removida que me pareceram escombreiras. Há também vestígios de uma construção com técnicas construtivas muito diferentes dosabrigos de pastotes".

Já ouvi algumas estórias de que há muitos anos os habitantes de Vilarinho da Furna exploravam volfrâmio pelos recantos graníticos da Serra Amarela em explorações mais ou menos ilegais e escondidas das autoridades. Pessoalmente não tenho qualquer conhecimento ou registos destas explorações, mas serão estórias às quais devemos prestar atenção no futuro.

Fotografias: © Jorge Louro

Outros lugares de Carris (LXIX)

Carris, 27 de Janeiro de 2007

Nos tempos do fogo e do gelo...

Fotografia: © Rui C. Barbosa

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Relatório de Reconhecimento (na mina de volfrâmio Lamalonga n.º 1)

Carris, 22 de Novembro de 1951

O seguinte texto é o relatório integral de reconhecimento da mina de volfrâmio da Lamalonga n.º 1 levado a cabo pela Circunscrição Mineira do Norte da Direcção Geral de Minas e Serviços Geológicos do Ministério da Economia... (otexto não foi modificado de forma a corrigir a ortografia)

RELATÓRIO DE RECONHECIMENTO

SITUAÇÃO E ACESSO - Fica esta mina situada em plena serra do Gerês, próximo do marco trigonométrico Carris.

O terreno em que assenta o jazigo é de natureza montanhosa, áspero e rude acesso quási toda esta serra, com pequenas planuras separadas por escarpas abruptas sem vegetação arbórea e com os afloramentos graníticos formando abundantes e caprichosos estrados.

O seu acesso faz-se por estrada privativa da concessionária de acesso á mina "Salto do Lobo" de que dista de um quilómetro e depois por caminho a pé posto rumo à pirâmide Carris. Dista, portanto, esta mina da cidade de Braga cerca de 65 km donde fica em franca ligação quer por estrada quer por caminho de ferro com todo o País.

Todo o terreno da área do registo é baldio e inculto, destinando-se à pastorícia sobretudo nas lamas.

PONTO DE PARTIDA - Encontra-se definido pelas suas coordenadas planas rectangulares no sistema com origem do castelo de S. Jorge.

GEOLOGIA - Granitos de vários tipos, são as rochas da região. Vimo-los de grão grosso, médio e fino, de duas micas ou só uma delas. Predominam, no entanto, os granitos biotíticos de grão médio e grosso, estes frequentemente porfiróides. Regra geral são granitos róseos, cujo tom varia com a percentagem de feldspatos dessa cor. Alguns autores vêm nesta coloração dos granitos um índice favorável, quási certo, da existência de minerais uraníferos. Infelizmente, na Serra do Gerês ainda não foram identificados e, quanto a nós, supomos que tal regra não seja confirmada nesta região, a não ser por possíveis ocorrencias raras. Aliás não encontramos explicação de qualquer dependência genética entre aqueles minerais (feldspatos róseos e minerais urâniferos).

São nítidos os planos de disjunção sobre duas direcções principais normais entre si: cerca de N-S e E-W.

É de crer, a avaliar pela grande extensão dos afloramentos graníticos e pela sua rudeza da estrutura da serra, a erosão tenha aqui penetrado profundamente. A abundãncia de enormes blocos soltos e arredondados espalhados por quási toda a serra é disso um testemunho. A intensa arenisação representada por grossos grãos de quartzo e feldspatos, filiam-se nos mesmos fenómenos.

Ainda a notória escassez de formações filoneanas, denotando, evidentemente uma fraquíssima acção tectónica no sentido da profundidade, parece sugerir que houve grandes deslassos dos níveis superiores primitivos, rebaixados até ao presente nível topográfico, inicialmente muito afastado do campo daquelas acções.

Um interessantíssimo sistema de filetes, sensivelmente paralelos, mineralizados por wolframite, cassiterite e molibdenite parecem representar os únicos vestígios de jasigos dêste tipo, tem comuna bordadura dêste maciço granítico.

PARTE ALUVIANAR - Resultantes dêste tipo de jazigos são muito vulgares os depósitos aluvianares de apreciável valor. Compreende-se que do desgaste de muitos filetes, bem mineralizados, mesmo sem interesse individual por dispersão (caso mais vulgar) do sistema, resulte um depósito rico.

Explorações da última guerra mundial provaram tal facto, pois houve explorações com rendimento superior a 20 kg/ton nos sítios ricos e rendimento superior a 2 kg/ton no restante da maioria dessas áreas.

Apesar da extensão destas explorações quer pelo primitivismo dos métodos utilizados, quer por carencia de meios e principalmente devido à manifesta desorganização de serviços, cremos que ainda restam apreviáveis áreas cobrindo interessantes depósitos aluvianares.

TRABALHOS - Foram feitos trabalhos de pesquisa suficientes para localizar a área aluvianar e mostrar que esta mina pode ser objecto de concessão provisória.

PLANO DE LAVRA - adapta-se às características do jazigo e está bem elaborado pelo que, o julgamos em condições de merecer Superior aprovação.

Reputamos necessário o capital de 25.000$00 para os trabalhos iniciais da lavra.

O ENGENHEIRO CHEFE DA CIRCUNSCRIÇÃO

assinatura elegível

Fotografia: © Rui C. Barbosa

Postais do Gerês (VI) "Vila do Gerês - Portela de Leonte"

"Vila do Gerês - Portela de Leonte, situada a meio do percurso entre as Termas do Gerês e a fronteira da Portela do Homem".

Este é um postal mais recente que data dos anos 90 e mostra o que era um dos locais mais bucólicos do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Apesar de se localizar junto da estrada que efectivamente liga as Caldas do Gerês à Portela do Homem passando pela Mata da Albergaria, este local com os seus recantos fazía-nos sentir num parque nacional.

Aparentemente é um cenário que já não existe tendo sido apagado pelo parque nacional.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Notas históricas (XLVI)

Carris, 1950

A data que atribuo a este fotografia é puramente especulativa mas não deverá errar por muito. O volfrâmio é descoberto no Salto do Lobo pela primeira vez em Junho de 1941. Muito provavelmente já anteriormente haveria sido recolhido à superfície neste local em resultado dos sucessivos aluviões. Nos meses e anos seguintes decorre uma verdadeira batalha jurídica pela posse da concessão e a exploração do volfrãmio não avança muito até à entrada em cena da Sociedade Mineira dos Castelos em Fevereiro de 1943.

Nos anos seguintes as minas existentes perto do marco geodésico dos Carris (Salto do Lobo, Lamalonga I e Corga das Negras I) sofrem um desenvolvimento considerável com a construção de edifícios de apoio e com a melhoria dos acessos às mesmas. A exploração mineira sofrerá uma interrupção entre 1948 e 1951. Em 1950 a Sociedade das Minas do Gerês adquire as três concessões mineiras (juntamente com a concessão do Castanheiro) e as minas sofrem uma nova evolução com uma nova melhoria dos acessos e com a construção de novos edifícios.

A imagem que ilustra esta entrada no blogue deverá datar de 1950. Das três pessoas que vemos na fotografia talvez seja possível identificar duas delas sendo José Rodrigues de Sousa (ao centro?) e José Inácio, dois dos sócios fundadores da Sociedade das Minas dos Gerês.

O edifício em madeira ao centro da imagem já não existe. Pela sua localização no seu local existe actualmente uma zona de abatimento. O edifício à sua esquerda é ainda hoje facilmente identificável, isto é as ruínas que dele restam. No horizonte próximo à dirita vemos a parede do que eram os balneários e dos quais hoje restam também as suas ruínas.

Um aspecto curioso nesta imagem é a não existência de uma abertura de mina que hoje está localizada mesmo ao lado da rampa / caminho de acesso à zona industrial da mina e que é facilmenta visitada por quem lá passa.

Fotografia: © José Rodrigues de Sousa / Rui C. Barbosa

domingo, 5 de outubro de 2008

Carris em exposição

Braga, 5 de Outubro de 2008

Entre os dias 4 e 6 de Outubro está patente no Café Jovem, S. Vicente - Braga (Rua de S. Vicente, n.º 222), a 'Expo Minerais, Coleccionismo e Curiosidades' na qual existe uma pequena amostra de 11 fotografias de época relacionadas com os primeiros anos de exploração das Minas dos Carris. Na exposição podem também ser vistas várias colecções de minerais, com especial realce para a colecção de Jorge Cardoso, e outras colecções temáticas (pintuta, modelos, numismática, etc).

A exposição serve também para inaugurar o sítio da internet 'Paragenese' (http://www.paragenese.com/) dedicado à actividade de Jorge Cardoso.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Delimitação da concessão da Corga das Negras-I

Carris, 7 de Julho de 1943

O desenho mostra a delimitação da concessão mineira da Corga das Negras-I que mais tarde iria fazer parte das Minas dos Carris.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Mariola

Uma chamada de atenção para o blogue "Mariola" da autoria de Filipe Mota Pires e alojado em http://filipemotapires.blogspot.com/. Nele está escrito um interessante texto relacionado com a limpeza que foi feita nas Minas dos Carris no dia 20 de Setembro de 2008.

Um blogue a ter em atenção.

Sépia

Carris, 20 de Setembro de 2008

O Vale do Alto Homem em tons sépia...

Fotografia: © Rui C. Barbosa

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Notas históricas (XLV)

Carris, 26 de Abril de 2008

Partindo do princípio que é uma tradição se assinalar num determinado edifício a data do final da sua construção, então podemos deduzir que o complexo de casas para casais foi finalizado a 23 de Junho de 1956. A construção deste edifício, e de outros nas Minas dos Carris (então Mina do Salto do Lobo) foi proposta pela primeira vez pela Sociedade Mineira dos Castelos Lda mas somente concretizada pela Sociedade Mineira do Gerês Lda.

Em 1956, provavelmente na mesma altura em que se levava a cabo a construção dos edifícios nas Minas dos Carris, era finalizada a construção da represa dos Carris.
Nas actuais ruínas não são fáceis de encontrar datas nas quais nos possamos basear para traçar uma cronologia das mesma. Sobraceira à Garganta das Negras estava localizada o que eu penso ter sido uma antena para comunicações e cuja construção terá sido finalizada a 28 de Agosto de 1954.
Assim, em relação às datas de laboração das Minas dos Carris, a construção de muitos dos seus edifícios foi finalizada um ano antes da entrada do primeiro pedido de suspensão de lavra que surgiu a 23 de Julho de 1957 para esse ano.

Fotografias: © Rui C. Barbosa