quarta-feira, 6 de maio de 2026

399... Minas dos Carris e Sombras

 


Caminhada às Minas dos Carris subindo pelo Vale do Alto Homem, Serra do Gerês, e com regresso pela Portela da Amoreira e parte superior do Vale do Rio de Vilameá, Serra do Xurés, seguindo depois pelo caminho florestal até perto da Portela d'Home.

A caminhada às Minas dos Carris pelo Vale do Alto Homem

O percurso para as Minas dos Carris inicia-se a uma altitude de 720 metros e rapidamente nos apercebemos que não será um caminho fácil para os mais desprevenidos. A sua dificuldade vai aumentando ao longo do percurso não tanto pela inclinação, mas mais pelo estado do próprio caminho. Em quase 9,8 km de extensão, este é na sua maioria composto por pedra solta que dificulta a progressão. São escassas as extensões em que o terreno é suave.

Na quase totalidade do seu comprimento o trilho é acompanhado pelo Rio Homem e o seu rumor por entre as rochas acompanha-nos quase sempre.

Convém salientar que o caminho para as Minas dos Carris está inserido num vale de extrema importância para o Parque Nacional da Peneda-Gerês e que está integrado numa das duas áreas de protecção total existentes naquela área protegida, logo convém solicitar uma autorização ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.





Tenho por hábito dividir o percurso em duas partes que considero de dificuldade distinta. A primeira parte termina no que eu considero ser a metade do caminho na ponte junto do Cabeço do Modorno e após se ter vencido já cerca de 300 metros de altitude por entre pedra solta e alguma vegetação. A fase inicial da segunda parte do percurso é muito semelhante à primeira parte, mas este vai-se tornando mais suave há medida que nos aproximamos da Ponte das Águas Chocas, sendo um caminho mais fácil a partir daí e até ao final do planalto onde se inicia a subida final para o complexo mineiro, passando nas Abrótegas e já na Corga da Carvoeirinha. A passagem pela Ponte das Abrótegas é muito fácil e somos presenteados por uma paisagem única que nos leva desde o alto de Lamas de Homem até às alturas do Altar de Cabrões já na raia.

No início dos anos 90 ainda era possível observar ao longo do Vale do Alto Homem uma linha de postes de madeira sobre os quais assentava o cabo metálico do telefone, que permitia as comunicações com o complexo mineiro. Nos nossos dias são raros os sinais, ao longo do caminho, daquilo que mais tarde iremos encontrar no sopé dos Carris. Tirando os trabalhos mais «recentes» levados a cabo pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês, com o objectivo de melhorar o caminho para a reflorestação de zonas de alta montanha, é possível observar, mesmo no início do percurso, conjuntos alinhados de rochas que marcam o que então foi uma estrada em terra batida que permitia a passagem de camiões para o transporte do minério e não só. Como curiosidade, posso referir que no início da sua construção existia um pequeno caminho que ligaria a Portela de Leonte ao complexo mineiro e pelo qual as largas telhas que iriam cobrir as casas mineiras e outros elementos, eram transportadas em ombros pela quantia de 25$00 nos idos anos 40 do século XX.

Ao longo do caminho vamos observando um ou outro pequeno muro, ou um ou outro alinhamento de pedras que nos podem sugerir a existência de uma rude estrada serrana. O primeiro sinal sólido da existência de algo mais complexo na serra, surge-nos junto da zona que dá pelo nome de ‘Água da Pala’. Aqui, e já coberta pela vegetação, observamos à nossa esquerda uma área delimitada por um pequeno e baixo muro. Em tempos terá servido de curral para abrigo dos rebanhos. Do lado direito podemos observar, também por entre a vegetação, uma pequena construção com tijolos de cimento que nos dá a ideia de ser uma pequena guarita, mas que já foi referenciada como um pequeno abrigo dos cantoneiros que mantinham o estradão em estado de circulação. Esta zona antecede uma ponte de pedra e é extremamente peculiar e bucólico.





Na Água da Pala iniciava-se um carreiro de pé posto que atravessava o Rio Homem e subia ao longo do rio pela sua margem direita no sopé da Encosta do Sol até atingir o topo do Cabeço do Modorno, algumas centenas de metros após atravessar novamente o Homem sensivelmente à cota de 1050 metros de altitude. Não havendo registos cartográficos deste trilho em direcção a Carris, documentos fotográficos atestam a sua continuação para as zonas mais elevadas da serra. Quem observa a Encosta do Sol a partir da Água da Pala, terá a sensação de ainda poder vislumbrar o traçado deste pequeno trilho que, sem dúvida, nos proporcionaria uma visão distinta do vale. Porém, e após várias tentativas de observar no terreno a sua progressão, cheguei à conclusão de que este trilho já desapareceu e será extremamente difícil tentar seguir o seu antigo percurso, senão mesmo impossível.

Após passar a Água da Pala, o percurso entra numa zona mais plana. Até aqui, e olhando para a nossa direita, temos a oportunidade de observar os picos escarpados que delimitam os Prados Caveiros. Esta fase mais plana do trilho segue pela Ponte do Cagarouço sobre a Ribeira do Cagarouço, um pequeno afluente do Rio Homem que parece surgir das escarpas da Ravina do Cabeço da Porca. É nesta fase que o caminho se volta a inclinar ligeiramente e ouvimos o rugido do jovem rio a poucos metros de distância. Por entre a vegetação é por vezes fácil ter um olhar sobre lagoas que no Verão são sempre uma forma de retemperar forças.

O trilho ultrapassa a cota dos 1000 metros de altitude, a poucos metros de entrarmos numa fase do caminho onde vamos superar vários metros de altitude em pouca distância, ultrapassando assim um bom declive. Em Carvalhas Vrinhas, o percurso flecte para a direita no que são conhecidas como as ‘Curvas do Febra’ e em pouca distância subimos 30 metros em altitude antes de flectir para a nossa esquerda. Nesta parte do caminho podemos ter uma imagem do Vale do Homem só superada pela paisagem que nos aguarda poucos metros após a passagem da Ribeira do Modorno. Poucos metros mais à frente entramos numa parte do caminho que é ladeado, à direita, por uma parede sólida de granito e, à esquerda, por uma queda de 50 metros que termina no Rio Homem. O declive aqui é acentuado e notório, mas o esforço para chegar à meia distância merece a pena.





Somos chegados a meio do caminho e o descanso na Ponte do Modorno é merecido. A água da ribeira é sempre fresca e corrente, mesmo no Verão. Ao entrar neste pequeno vale temos a visão de uma pequena queda de água por debaixo da ponte e são poucos os que resistem a uma fotografia. Situados na ponte em direcção ao final do vale, por onde vemos o Rio Homem, temos à nossa direita o imponente Cabeço do Modorno, uma escarpa granítica que atinge os 1317 metros de altitude. Conheci todas as pontes até ao Modorno já em cimento, mas o meu fascínio por estes espaços começou a ser despertado pelas velhas pontes de madeira que antigamente permitiam a passagem célere e um tanto ou quanto aventureira.

Logo após abandonar a Ponte do Modorno e seguindo o velho caminho mineiro, vamos encontrar uma das mais fantásticas paisagens que a Serra do Gerês e o Parque Nacional têm para nos oferecer. É com deslumbre que observamos o Vale do Alto Homem e a forma como este se projecta no céu. O seu delimitar pelos picos das serras leva-nos a imaginar, sonhar um mundo antigo. É aqui que nos começam a faltar as palavras... Ao longe vemos a Serra Amarela e com bom tempo facilmente se vislumbram as antenas do Muro localizadas em Louriça, bem como o Alto das Eiras e a Cruz do Touro, já nos extremos Geresianos, ou a magnificência da Quelha do Palão e da Água dos Vidos. Saindo do pequeno vale da Ribeira do Modorno entramos novamente no vale do Alto Homem e logo ali à nossa frente observamos uma estreita queda de água com uma altura superior a 110 metros, a Água da Laje do Sino. Toda este zona nos dá paisagens deslumbrantes em, ou após, dias de chuva com as paredes rasgadas pelos cursos de água que se precipitam no vale, ou então nos frios dias de Inverno com a imagem das quedas de água geladas que se amarram às paredes graníticas.

Prosseguindo ao longo do vale vamos ganhando altitude, atingindo os 1200 metros de forma suave. Nesta fase o trilho chega a complicar-se devido ao estado do «pavimento». O Rio Homem é, nesta fase, constituído por uma série de pequenos ribeiros que têm origem nos inúmeros vales que golpeiam o topo da serra. Aos 1200 metros de altitude, na zona do Teixo, o trilho flecte ligeiramente para a direita seguindo um dos pequenos riachos que, juntamente com o riacho do Corgo dos Salgueiros da Amoreira, irá mais tarde formar o Rio Homem. O caminho segue a base da Rocha da Água do Cando, passando pela Ponte das Águas Chocas (1285 metros) e entrando nas Abrótegas até atingir a Ponte das Abrótegas (1325 metros). As Abrótegas definem, juntamente com o Outeiro Redondo, um pequeno planalto que é atravessado pelo trilho até atingir e seguir ao longo da base do contraforte de Carris. Foi neste planalto onde esteve montado nos dias 17 a 19 de Setembro de 1908 o acampamento da primeira expedição venatória levada a cabo na Serra do Gerês. Neste planalto têm origem vários trilhos de pé posto, sendo o mais interessante aquele que segue para as Minas das Sombras (Galiza, Espanha) e para os Cocões do Coucelinho (através das Lamas de Homem) e, mais tarde, Mina de Borrageiros e Lago Marinho.





Na Ponte das Abrótegas somos interrogados por umas peculiares construções semelhantes a pequenos pilares de rocha e cimento que tinham essa mesma função. Estas construções serviriam de ponto de apoio, certamente de uma conduta metálica para transportar água desde uma pequena represa ali existente até à lavaria nova situada no topo da Corga de Lamalonga. A paisagem aqui permite-nos observar o marco geodésico de Carris (1508 metros), o Altar de Cabrões ou Altar dos Cabros. Neste planalto podemos também observar vários currais destinados às pastagens de altitude (Curral das Abrótegas e Curral de Cabanas Novas) e à transumância ainda levada a cabo na Serra do Gerês.

A Chã das Abrótegas permite o descanso antes da subida final, verdadeiro calvário para quem já está cansado da subida. Ao percorrer o início da subida, um pormenor passa despercebido à quase totalidade das pessoas. Logo no início do declive a antiga estrada dividia-se em duas, com uma a seguir a direcção do Salto do Lobo, local onde decorreram as primeiras extracções de volfrâmio tirando partido do aluvião vindo da Corga da Carvoeirinha. No terreno é difícil vislumbrar sinais desta parte da estrada e só andando alguns metros no caminho principal que segue em direcção à mina, e depois olhando para trás, é que se vê a antiga estrada já coberta de vegetação. Nesta área não existem construções ou edifícios, exceptuando uma ou outra pequena construção de pastores (os formos) ou outros abrigos. Esta zona provavelmente teria o apoio de edifícios de madeira dos quais não existem quaisquer sinais. Por esta zona deveria passar uma conduta de água que teria a sua origem numa pequena represa próximo da Ponte das Abrótegas e que, apoiada em pilares feitos com aglomerados de pedra, atravessava o pequeno planalto para lá das Abrótegas. Mais pilares são visíveis no extremo deste planalto, que serve de pastagem de altitude ao gado que nos meses da vezeira passeia pela serra, já próximo do caminho antes deste flectir para a esquerda para iniciar a subida final. Seguindo o prolongamento deste caminho secundário e depois entrando em trilhos de pé posto, chega-se às Minas dos Carris pela sua zona inferior junto da lavaria nova, no extremo topo do vale da Corga de Lamalonga.





A parte final da estrada vence um declive de 70 metros ao longo da Corga da Carvoeirinha e sem dúvida que é para muitos a parte mais complicada de todo o trajecto. No entanto, o final do árduo caminho é sempre uma motivação forte para vencer estes últimos metros.

No troço final o declive torna-se menos intenso, com a estrada a tornar-se quase plana mesmo a chegar ao muro que delimitava a entrada no complexo mineiro dos Carris.

Após uma curta visita à Estação Meteorológica dos Carris e um pequeno passeio pelas ruínas, dirigi-me para a (longa) segunda parte da caminhada que me levaria a passar ao lado do complexo mineiro Mercedes As Sombras, já em território galego.

Chegado à Portela da Amoreira, num contínuo de zonas de elevada protecção ambiental entre a zona de protecção total do Parque Nacional da Peneda-Gerês e a zona de protecção especial do Parque Natural de Baixa Limia - Serra do Xurés, decido baixar por um carreiro bem definido que segue pela margem esquerda do Rio de Vilameá. As duas áreas protegidas compõe a Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés, sendo esta a primeira Reserva da Biosfera Transfronteiriça. Esta "situa-se no Norte de Portugal, na transição entre o Minho e Trás-os-Montes e no Sudoeste da província Ourense na Galiza, Espanha. As Reservas da Biosfera são nomeadas pela UNESCO. Visam promover a conservação da natureza em harmonia com o bem-estar das pessoas. A Reserva da Biosfera Gerês/Xurés compreende o Parque Transfronteiriço Gerês-Xurés, criado em 1997, composto pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês e o Parque Natural da Baixa Limia-Serra do Xurés. Apresenta uma riqueza natural e cultural de grande singularidade."

De facto, a componente histórica é de elevado valor, transcorrendo uma linha do tempo que nos transporta desde os anos pré-históricos até à História contemporânea. No entanto, parte desta História é ignorada, apesar da sua importância em termos das dinâmicas territoriais que em períodos mais bélicos marcaram estes espaços. É tudo uma questão de políticas extremistas que ainda marcam a forma como se dirige as áreas protegidas. Adiante...

Localizada dentro da Zona de Especial Protecção dos Valores Naturais do Parque Natural de Baixa Limia-Serra do Xurés, O complexo mineiro das Sombras encontra-se "... na vertente oeste do Maciço Sobreiro – Altar dos Cabrões, a uma altitude de 1.250 m, nas fontes do rio de Vilameá. 

A mina compõe-se de várias extracções superficiais e de uma boca mina que se penetra da terra, com várias galerias a nível que avançam seguindo o filão. Primeiramente, as perfurações fizeram-se de forma individual e livre, com martelo e picareta. Mas a partir do ano 40 a situação regulariza-se, com a concessão da exploração a uma família de peso na época, os Tejada. Criaram uma companhia que modernizou as Sombras pouco a pouco, chegando a levar luz eléctrica. Construíram barracões para dormirem os trabalhadores e substituíram o martelo e a broca de grandes dimensões dos picadores, por um compressor para perfurar, dotando-os também de lanternas de iluminação.

O volume de tout-venant extraído era depositado numa vagoneta que o transportava à sala de lavagem e selecção. Ali dispunha-se numa mesa que o batia de forma constante ao mesmo tempo que tinha água corrente que arrastava a areia, e o mineral, mais pesado, ficava, passando a ser armazenado em sacos.

O trabalho realizava-se em dois turnos de 8 horas de Segunda a Sexta-feira, apesar de haver muitas denúncias de sobre-exploração. Nos anos posteriores à Grande Guerra a mina deixou de ser rentável e foi abandonada.

Na actualidade, o complexo está em ruínas, com a casa das máquinas desfeita e a boca da mina fechada com um tabique de bloqueio, restos de ferros, vidros, vigas, e três grandes entulheiras. Deve-se pensar nas Sombras como uma exploração menor se comparada com a sua vizinha dos Carris.”





Da instalação elétrica resta um edifício de transformadores, construído em tijolo revestido com argamassa de cimento. Imagens de 6 de Agosto de 2006.

O acesso ao interior das galerias está vedado com um gradeamento actualmente com o cadeado vandalizado. Caso se entre na galeria, deve-se ter especial cuidado na deslocação. Da mesma, deve-se ter cuidado na preservação das colónias de morcegos que habitam o seu interior, sendo uma zona protegida.

A zona do complexo mineiro foi sujeita a trabalho de limpeza e de ordenamento do espaço, preservando as ruínas e transformando-as no ponto de interesse no Parque Natural. Sofrendo de degradação e vandalismo ao longo dos anos desde o seu encerramento em 1976, é complexo é visto agora como ponto de histórico da região.

O complexo mineiro de As Sombras

Tal como acontece com muitos velhos complexos mineiros por toda a Espanha, também as Minas das Sombras foram transformadas num ponto de visita e de formação ambiental numa área protegida.

Além do seu interesse como local mineiro, onde se pode observar o tipo de jazida e vestígios de obras e instalações, é também um ponto de interesse geológico, para poder compreender a configuração da paisagem e observar a sua geomorfologia.




A boca mina fotografada a 6 de Agosto de 2006

A jazida foi descoberta em 1936, quando os afloramentos de veios começaram a ser explorados de forma rudimentar. A exploração subterrânea foi realizada entre 1952 e 1971. Em 1976 foram novamente realizados trabalhos de relavagem dos rejeitos para recuperação da scheelite que continham, uma vez que durante a exploração da mina maioritariamente se fez a exploração de volframite.

O Instituto Geológico e Mineiro de Espanha - IGME - (1978) indica que as operações mineiras nesta área começaram com as conceções “Mercedes 2ª” e “Extensão a Mercedes”, seguidas de outras realizadas em 1941 e início de 1942. Fruto da reunião de diversas concessões, localizadas na encosta da Serra do Xurés formou-se o grupo mineiro "As Sombras".


Boca mina fotografada a 12 de Abril de 2004


Segundo a informação acessível no Cadastro Mineiro da Galiza, em 2013, constata-se que todos os direitos mineiros que cobrem a área explorada da jazida e a sua envolvente, já caducaram.

A zona mineralizada d'As Sombras localiza-se no granito pórfiro do Gerês, sendo composto por megacristais de feldspato de potássio numa matriz de grãos médios a grossos. Estruturalmente, a fraturação NNW-SSE delimita os grandes corredores graníticos.

O IGME (1985) descreve o sítio mineiro como formado por um denso pacote de veios de quartzo e feldspato que se enquadram no granito do “batólito de Lovios-Gerês”. Estes veios formam uma faixa com o granito alterado que os contém, faixa com contactos nítidos e bem definidos. Esta estrutura mineralizada apresenta orientação quase norte-sul, com profundidade entre 2 e 3 m e comprimento superficialmente reconhecido de aproximadamente 1.100 m.

A mineralização é composta principalmente por volframite e scheelite, mas também há importantes teores de molibdenite e alguma cassiterite e bismutina. Localiza-se espalhado nos veios e nos contactos, e também no granito alterado que se encontra entre os veios, diminuindo sensivelmente em profundidade.


Acesso e boca mina fotografados a 17 de Maio de 2009


Na mina d'As Sombras existem diferentes corpos mineralizados, que podem fazer parte do mesmo processo genético. Por um lado, os veios e veios quartzo-feldspatos parecem derivar da solidificação do magma residual, com exsudação de uma fase aquosa silicatada nas fissuras iniciais. Devido às fracturas do granito encaixado, após a formação dos veios quartzo-feldspáticos, inicia-se um fenómeno de greisenização que prossegue com a abertura dos veios de quartzo até a deposição dos sulfetos.

Segundo os resultados das investigações realizadas pelas empresas Peñarroya-España e Minas de Almagrera, no início da década de 1980, foram avaliados recursos de 280.000 t de mineral com teores entre 0,5 e 0,89% de W03, dos quais mais de 75.000 t seria recuperável.

Na pequena estação de tratamento, existente na mina nos últimos tempos da sua actividade, foram extraídos um concentrado rico com 70% de W03, outro concentrado com 57% de W03, e alguns mistos com 20% de W03, 2,8%. S2Mo, 7,4% Sn02 e 2,7% Bi.

História da mineração

Os primeiros trabalhos de mineração na área consistiram em trabalhos superficiais em veios mineralizados e, a partir de 1952, foi realizada a exploração subterrânea. As obras mais antigas do tipo vala localizam-se na parte Norte da área trabalhada, e na parte sul está a dolina transversal que corta os pacotes de veios.


A planta de concentração gravimétrica fotografada a 24 de Agosto de 1995


Na parte Norte da área de trabalho podem ser identificadas algumas trincheiras mais ou menos contínuas, com menos de 2 m de largura, que acompanham o pacote de veios mineralizados numa extensão próxima de 200 m e seguem uma orientação submeridiana. A vegetação arbustiva esconde na maioria essas tarefas, tornando perigosa a sua abordagem. Demarcando as valas e imediatamente junto aos vestígios das antigas e novas instalações da central de concentração, encontram-se as principais lixeiras de resíduos grossos e finos resultantes da actividade mineira.
Na cota de 1.340 m, localiza-se a dolina transversal, com secção de 2 m de largura e até 4 m de altura, que dá acesso à obra. Foi explorado em vários níveis num troço de mais de 200 m e uma altura de cerca de 35 m. A exploração foi efectuada através de galerias de direcção e câmaras elevadas, para as zonas acima do nível de entrada, e através de contrafuros, galerias de direcção e câmaras de reentrância abaixo desse nível. As câmaras tinham 2 m de altura e largura igual à potência do pacote mineralizado. Entre as câmaras e a galeria foram deixados maciços no sentido que eram interligados a cada certa distância por drenos.



A exploração foi intermitente, devido, entre outros motivos, à dureza do clima. Por volta de 1976, foram feitas tentativas de acesso ao local mediante acessos feitos em cotas inferiores, para facilitar a entrada no inverno.

O conjunto foi transportado em carroças de ferro até uma pequena planta de concentração gravimétrica, localizada bem próxima à entrada da mina. Ainda se podem ver os restos da via-férrea por onde, em vagões, os resíduos eram levados da moderna central de concentração para a lixeira.

Algumas fotografias do dia...​









































Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Texto sobre o complexo mineiro das Sombras foi adaptado do artigo "Mina de As Sombras" (https://patrimonio.camaraminera.org/gl/lugar/mina-de-sombras).

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