sexta-feira, 15 de maio de 2015

Pala do Ranhado


No dia 7 de Maio falei aqui sobre o Penedo da Pala (ou Pala do Ranhado) tendo por base o livro "Gerez - Notas Etnográficas, Arqueológicas e Históricas", de Tude M. de Sousa. Aqui, é referida a presença na Serra do Gerês de dois sócios da Sociedade de Geografia de Lisboa (Brito Capelo e Leonardo Torres) que entre 19 e 21 de Setembro de 1882 subiram ao alto do Borrageiro e participaram numa caçada venatória por entre os frondosos carvalhais da Albergaria (20 e 21 de Setembro).

Neste artigo refere-se que "Estavamos condemnados a estacionar e pernoitar no forno de Albergaria, porque a chuva continuava e continuou durante a tarde e durante a noite, quando um dos guias lembrou que era mais limpo o abrigo do Penedo da Palla, no sitio do Ranhado, que nos ficava a uns duzentos passos de distância; podem lá dormir dez homens e cinco debaixo do penedo que fica logo ao pé, e os sate seguiram logo para o dito forno. Foram dez para o forno, perfeitamente abrigados e aquecidos pela consante fogueira que durou toda a noite, sendo alimentada com lenha de carvalhos, que ali se encontram derrocados e não aproveitados. (...)"

O sítio do Ranhado perdeu-se na toponímia actual e nunca se ouve falar deste topónimo aquando da visitas ao Geres. A sua localização será entre a Portela de Leonte e a Albergaria, mas mais perto desta e do seu antigo forno.

Tirando partido de um antigo mapa do perímetro florestal do Gerês, consegue-se diferenciar uma legenda que parece indicar a localização do Ranhado. No entanto, esta surge entre a Corneda e o Ribeiro de Cagademos - Ravina de Cagademos (ambos perfeitamente identificados no terreno).

Na altura lancei o desafio de encontrar a Pala do Ranhado e após alguma observação junto da estrada entre a Portela de Leonte e a Albergaria, deparei-me com uma grande rocha cujo que poderá ser a pala que procuro.

Se pelas fotografias não se apercebe muito bem da configuração da pala, temos de ter em conta que a descrição que é feita em 1882 mostra-nos um local ainda não atravessado pela actual estrada que só foi alargada em 1942/1942 para facilitar o acesso à Mina do Salto do Lobo (actual Mina dos Carris). Assim, na altura estaríamos na presença de um caminho mais estreito e as rochas que agora vemos a bloquear parte da pala poderão ter ter sido o resultado dos trabalhos de alargamento daquela via.

Ficam as fotografias para consideração dos leitores...






Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

1 comentário:

Estevão Portela-Pereira disse...

Mais uma vez o seu blog dá imenso jeito para procurar a toponímia local do Gerês. Desta vez procurava a "Chã do Ranhado" onde Tude de Sousa (1926) refere que se plantaram Pinus sylvestris (de origem nativa e exótica) no início do séc. XX. Ora se a tal "Pala de Ranhado" fica(va) entre a Corneda e Cagademos, então a chã que se refere é a actualmente conhecida por "chã de Cagademos (segundo o Sr. António Rebelo do PNPG) onde hoje se observa uma mata deste pinheiro. Ou seja área + aplanada da confluência do Rib.º de Cagademos com o Rio Maceira.