terça-feira, 23 de outubro de 2012

Trilhos seculares - Memórias de vezeiras, fojos do lobo e alturas serranas (II)

A longa jornada prosseguiu então em direcção ao Borrageiro passando ao lado das suas seculares minas. Se o local das Minas dos Carris parece a muitos algo distante, então é porque nunca visitaram as Minas dos Borrageiro. Temos de imaginar aquele lugar no princípio do século XX onde tudo neste país ficava distante e com acessos impossíveis. Chegar a Cabril ou Xertelo era viajar por zonas inóspitas de Portugal, quanto mais nos enveredarmos pelas serranias geresianas em locais esquecidos pelo Homem e por Deus.

O caminho prosseguiu pelas faldas de Cidadelhe passando antes pela Corga das Mestras e pela Corga de Arrocela. O trilho marca como que o limite da Zona de Protecção Total do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Com suaves e pequenos declives, a progressão fez-se rápida passando no topo do Corgo de Valongo e entrando na crista granítica que nos levaria a Porta Ruivas. Olhando para o imenso vale, ao fundo as Fichinhas e em frente a sempre Rocalva e Roca Negra.

Em Porta Ruivas, e antes de um pequeno descanso, a visita das cabras selvagens lembrou-nos o respeito à fauna e flora que toda aquela serra merece e que muitas vezes os visitantes (e outros) não cumprem ao deixar o lixo, tal como podemos constatar no Curral de Porta Ruivas. Seguiu-se então um pequeno descanso para retemperar forças, mas a hora fazia-se tarde até porque os céus enegreciam-se pelas chuvas que ameaçavam tornar a jornada infernal nas escarpas percorridas pelo Trilho da Vezeira. Saímos então de Porta Ruivas baixando para sua face Sul em direcção ao Sobreiral percorrendo um velho trilho na encosta Este da Corga de Valongo à face das Quinas de Arrocela. O caminho levar-nos-ia ao estradão que nos facilitaria o acesso ao Porto da Lage e daqui ao Trilho da Vezeira, levando-nos ao ponto de partida, a aldeia de Fafião.






























Fotografias: © Rui C. Barbosa

Sem comentários: