sábado, 6 de outubro de 2012

O volfrâmio na Torrinheira

Para muitas pessoas os Carris foram a zona por excelência da extracção de volfrâmio no século XX. Porém, a História e os seus registos contam-nos que noutros locais na Serra do Gerês, a mineração do volfrâmio foi realizada tanto de forma legal como fugindo às autoridades de então.

São conhecidos outros locais de mineração, tal como as Minas do Borrageiro, que antecederam os trabalhos de exploração nas diversas concessões nos Carris. De facto, a Serra do Gerês foi no princípio dos anos 40 do século XX palmilhada por equipas de especialistas que ao serviço da Sociedade Mineira dos Castelos, Lda. (empresa nacional que servia de fachada à actuação da Alemanha Nazi em vários locais de Portugal) se encarregaram de registar dezenas e dezenas de zonas de prospecção só nas alturas geresianas.

Nos nossos dias são visíveis locais de prospecção no Castanheiro, na Lomba de Pau, em Lamas de Homem, Lage do Sino, em Cidadelhe, na Torrinheira, etc. Em muitos destes locais a quantidade de minério presente não justificou uma exploração mais intensiva, razão pela qual só observamos pequenas sanjas e escombreiras.

Este é o caso da exploração que foi feita na Torrinheira. Os vestígios lá existentes apontam para um afloramento do volfrâmio à superfície que levou a que fosse feita uma pequena sanja da qual resultou uma pequena escombreira. Provavelmente a exploração foi realizada na mesma altura em que se desenrolou a exploração mineira em Cidadelhe, de muito maior dimensão e que levou à construção de abrigos rudimentares. Os mineiros que aqui trabalharam provinham das Minas do Borrageiro (ou Borrageiras) e os trabalhos foram ali desencadeados de forma ilegal. Na verdade, toda a história das Minas do Borrageiro é feita de episódios de ilegalidade e a exploração do local nunca foi muito rentável, sendo até sazonal nos primeiros anos de exploração devido às duras condições da zona.

As fotografias mostram o que hoje se pode observar na Torrinheira. Foram identificados dois locais distintos e afastados umas dezenas de metros, mas onde facilmente de notam as marcas da mineração com pequenas escombreiras.





Fotografias: © Rui C. Barbosa

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