segunda-feira, 2 de maio de 2016

Trilhos seculares - Atrás daquela mariola, uma passagem por Lamelas


Da última vez que passei naquela corga, uma pequena mariola chamou a minha atenção. Não é que tivesse algo de especial, era só uma mariola no meio de milhares de mariolas espalhadas pela Serra do Gerês. Mas aquela ali, não sei porque razão, despertou a minha atenção.

Assim, este dia seria dedicado a saber onde me levaria aquela mariola. Costumo dizer que 'as mariolas são úteis quando sabemos para onde queremos ir!' De facto, esta máxima não se aplicava aqui! É sempre bom percorrer uma parte do Gerês que não conheço. Posso ter andado num vale paralelo àquele ou mesmo saber que o vale está lá e que leva a tal sítio, mas a verdade é que nunca tinha percorrido aquele pequeno recanto da serra e por isso cada passo para lá daquela mariola seria uma novidade para mim. De que estava à espera?



Como em muitas caminhadas anteriores, a jornada começou cedo e a subir a Corga da Abelheira até Entre Caminhos. Esta varanda natural dá-nos uma perspectiva da Serra do Gerês que dificilmente encontramos noutros locais. Os píncaros serranos (desta vez já sem neve) rasgam os céus e assinalam a passagem para pequenos mundos de fantasia. É assim que eu gosto de me imaginar a percorrer aqueles caminhos; na minha realidade daquele momento, tenho sempre a expectativa de - pelo canto do olhar - vislumbrar algum ser mítico escondido de forma fugaz por detrás de um bloco granítico ou disfarçado entre os galhos de uma árvore.

A partir de Entre Caminhos desci para os Currais da Biduiça e daqui segui para o Curral das Rochas da Matança, descendo aqui e ali para capturar o melhor ângulo para uma fotografia única que será só mais uma no meio de tantas outras. Após este curral, a Ribeira de Biduiça desenha um 'S', ladeando o Compadre. Mais adiante, e chegando a uma zona de menor inclinação (e tendo já atravessado para a margem esquerda do curso de água), cheguei então à mariola que há meses atrás chamara a minha atenção. Como seria de esperar, outras se seguiam e nada mais me restava senão segui-las. Por vezes imperceptível, outras nem tanto, o caminho acabaria por me levar ao Curral de Lamelas « por detrás» da Nevosa. pelo caminho vamos encontrando pequenos miradouros que nos dão diferentes perspectivas de paisagens muito conhecidas e que certamente valem a pena os pequenos desvios.

Após alguns minutos no Curral de Lamelas, e com a temperatura do dia a subir a olhos vistos, decidi enveredar pela encosta nascente da Nevosa. Isto serviu também para tentar descobrir o velho carreiro que lá existia. Infelizmente, e devido à intensa vegetação, o carreiro é agora imperceptível a não ser já junto da ruína que se encontra no sopé da Nevosa. O ar limpo do dia permitia que o olhar visse a grandes distâncias. Lá no fundo, no limite do horizonte, uma mancha branca chamou a atenção e com a objectiva da câmara fotográfica constatei o que esperava: a Serra de Sanábria ainda guarda um bom manto branco de neve. Também no Gerês a neve ainda resistia, sem bem que em menor quantidade na encosta nascente do Pico da Cabreirinha.

Ladeando a Nevosa por Sul, acabaria por tomar um carreiro que me levaria directo à Garganta das Negras e depois aos Currais das Negras, local de descanso e almoço na companhia das primeiras vacas das vezeiras que até Setembro / Outubro irão percorrer as pastagens de altitude do Gerês.

Depois do almoço, e para evitar a descida a partir do carreiro que liga os Currais das Negras ao Castanheiro, decidi enveredar para os Currais do Compadre e daqui voltar ao Curral das Rochas de Matança, seguindo depois a margem direita da Ribeira da Biduiça, Currais da Biduiça e chegando a Entre Caminhos, segui na direcção à Portela de Ramos. Neste trajecto, que nos dá um vislumbre sobre a Cascata do Ribeiro Dola, teria de encontrar um carreiro «recentemente» recuperado para me levar de volta à estrada. Apesar de bem assinalado, a viragem à direita carece de uma mariola que chame a atenção para o desvio a tomar (a edição mais recente da Carta Militar n.º 31 mostra o carreiro em questão).

E assim foram cerca de 20 km num fantástico dia de serra onde o Gerês permitiu que o conhecesse um pouquinho mais...

Algumas fotografias do dia...






































































Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

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