quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Mantendo-se o povo sereno, as taxas continuam


A verdade é mesmo esta, vivemos numa sociedade na qual os problemas são deliberadamente ignorados por muitos daqueles aos quais esses problemas podem afectar de forma directa e ao ignorar esses problemas de todos os ângulos, fingimos viver felizes e desfrutamos da nossa vida minorante.

O Estado faz leis para depois não as cumprir ou então só as cumpre quando alguém decide seguir as regras que o próprio Estado impõe. Se alguém decide caminhar vestindo a ignorância ou mesmo envergando o fato da pura estupidez, então corre o grande risco de nada lhe acontecer e conseguirá o grandioso feito de passar entre os pingos da chuva sem se molhar. Se por outro lado, alguém consciente dos seus deveres e das regras se dirigir a uma área protegida e perguntar o que deve fazer para a visitar em segurança, o mais certo é ser confrontado com informações erradas, barreiras burocráticas e a presença de uma «força» fiscalizadora que provavelmente irá intervir. Esta é a realidade, para o ICNF o conhecimento e a vontade de colaborar devem ser punidas, enquanto que a ignorância e a violação de regras elementares são premiadas.

Por outro lado, será o próprio Estado um dos primeiros a não respeitar aquilo que estipulou e assim faz manter o povo sereno, oferecendo-lhes a fumaça com a qual ficam todos inebriados.

Já todos sabemos que a maioria da parasitagem que pulula dentro do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, representa a fina nata daquela imagem que temos do funcionalismo público, isto é, uma máquina pouco oleada, talvez ferrugenta até, que não funciona ou que funciona muito devagar. Assim, não é de esperar que na chamada 'silly season' surja a solução para este problema das taxas. É por isso que não se deve baixar os braços e continuar a fazer pressão para que a tutela resolva esta situação alterando a portaria que regulamenta esta vergonha.

Uma palavra para aqueles que continuam sentados à sombra da bananeira: vocês representam o imobilismo, o pior que uma sociedade pode ter. Representam aquele grupo que espera que as coisas aconteçam para depois bradar aos sete ventos o quanto fizeram para que a situação fosse mudada. Por entre o vosso imobilismo, sobressaem os esforços de muitos que ao longo de meses vêm encetando esforços para que vós tenhais a liberdade de poder visitar as nossas áreas protegidas e desfrutar da Natureza sem serem catalogados pelo dinheiro que têm nos bolsos. A vergonha já não chega para vós...

Fotografia: © Rui C. Barbosa

2 comentários:

Jose Miguel Barbosa Ferreira disse...

Bora la para a luta. Não vamos baixar os braços. Espero que numa próxima acção mais pessoas se juntem a nos a resolver este problema.

Rui C. Barbosa disse...

Sem dúvida que a luta vai continuar contra as vontades do governo e contra o imobilismo dos bastardos!