quarta-feira, 24 de junho de 2009

Notas Históricas (XCVII) - O primeiro manifesto mineiro

Carris, 24 de Junho de 1941

Certamente que a zona de Carris e Salto do Lobo já seria percorrida desde os tempos mais antigos pelos habitantes da Serra do Gerês, assim o atestam os inúmeros abrigos existentes naquela área. Porém naquele Verão de 1941 os acontecimentos mundiais traziam mais miséria e angústia ao Portugal neutral.

A procura pelo volfrâmio e pela possibilidade de um enriquecimento 'da noite para o dia' trouxe muitas pessoas na busca por sinais daquele ouro negro. Terá sido com este objectivo que Domingos da Silva, um jornaleiro da aldeia do Outeiro, terá calcorreado a serra e descoberto por simples inspecção de superfície, o volfrâmio no Salto do Lobo.

A 24 de Junho de 1941, Domingos da Silva entregava na Câmara Municipal de Montalegre um manifesto para assegurar os seus direitos de concessão, iniciando assim uma história de um complexo mineiro do qual hoje somente vemos as suas ruínas.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

terça-feira, 23 de junho de 2009

Notas Históricas (XCVI)

Carris, 22 de Junho de 1943

Nesta data é comunicada à Sociedade Mineira dos Castelos Lda. a autorização para a utilização da estrada entre a Portela de Leonte e a Mata da Albergaria para a reparação e abertura do acesso à zona das sua concessões mineiras situadas na área dos Carris. Esta autorização seria revogada em Agosto seguinte sem qualquer explicação por parte do governo.

Fotografia: © José Rodrigues de Sousa / Rui C. Barbosa

Trilho da Cumeada (VII)

Serra do Gerês - Encosta do Sol, 21 de Junho de 2009

Segunda série de imagens obtidas durante o percurso do Trilho da Cumeada.

Nestas imagens é patente a sensação dos grandes espaços presentes da Serra do Gerês...

Fotografias: © Rui C. Barbosa

Marcos de fronteira (II)

Estes são alguns dos marcos de fronteira que não fotografei e que se encontram antes do início dos marcos da 'Série G' - 'G' de Gerês? (ou 'Série J' - 'J' de Jurés?).

Fotografias: © Instituto Geográfico do Exército

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Marcos de fronteira (I)

Apesar de já existir noutros locais, achei interessante fazer um registo fotográfico dos marcos de fronteira entre a Portela do Homem e a Amoreira a quando da minha recente caminhada pelo Trilho da Cumeada. A localização dos mesmo pode ser encontrada num ficheiro para o Google Earth disponível na página da Internet do Instituto Geográfico do Exército.

A minha colecção não ficou completa, porém aqui ficam os primeiros dez marcos de fronteira (exceptuando o n.º 7 e o n.º 9) em direcção à Amoreira...

Fotografias: © Rui C. Barbosa

domingo, 21 de junho de 2009

Trilho da Cumeada (VI)

Se na maior parte das vezes é-me relativamente fácil descrever os trilhos que percorro pela Serra do Gerês, é difícil encontrar palavras para descrever as paisagens e emoções do Trilho da Cumeada. Os grandes espaços tornam-se evidentes ao percorrer este trilho e a imensidão do Gerês, esta 'pequena' serra no Norte da Lusitânia, cai sobre nós como uma grande onda na zona de rebentação. É uma paisagem simplesmente avassaladora e fantasticamente única de píncaros graníticos, caprichosas formas rochosas, e promontórios e portelas que nos abrem passagem para mundos de sensações possíveis só a quem lá está e só a quem vive momentos de contemplação.

A imensidão do Vale do Alto Homem torna-se evidente vista do alto da Encosta do Sol. As figuras milimétricas que percorrem o estradão para os Carris dão-nos a escala do que se expõe perante o nosso olhar; um vale imenso ladeado de altas muralhas de granito como que a defender um santuário muitas vezes pouco respeitado por quem o percorre. Ali, é o domínio dos grandes espaços, da imensidão da Serra do Gerês.

Iniciamos a caminhada com uma subida em direcção aos primeiros marcos de fronteira logo após a Portela do Homem. Inicialmente coberto por muita vegetação, o trilho vai-se abrir para o que esperávamos fosse uma caminhada difícil tendo em conta os dias quentes e secos que o final da Primavera nos havia brindado. Felizmente, as primeiras horas de Verão nas serranias do Gerês foram bem condescendentes para o trio que, com a devida autorização, se dispunha a calcorrear os limites da nação lusitana com a nação galega.

Acompanhando os marcos fronteiriços, o nosso caminho brindava-nos com as primeiras paisagens vendo-se o místico Vale da Albergaria, local de fadas e duendes... sejam eles quais forem, e os altos da Abilheirinha, que vão recuperando da inconguência dos homens. Com um olhar alternado entre terras galegas e lusitanas, o caminho foi sempre empinando e serpenteando por entre pequenas estátuas de granito esculpidas pelo frio do Inverno e pelo calor tórrido do Verão que assim ao longo das eras vai-lhe alternando a forma. Fazendo lembrar criaturas fantásticas de uma Terra Média há muito desaparecida, estão ali, como guardiões dos tempos passados fazendo-nos lembrar do teor sagrado e profano do lugar por onde caminhamos.

Ao longe o nosso olhar fazia-nos constantemente lembrar das dificuldades que por vezes tínhamos de passar; se por vezes o caminho era suave e plano, por outras surgia um pequeno vale que depois da descida nos brindava com um ligeiro esforço de pernas para o vencer. No entanto, o prémio era sempre mais deslumbrante com uma nova paisagem, uma nova sensação.

Abeirando-nos do bordo do vale vimos a Água da Pala como nunca vista, o Cagarouço lá no fundo como um pequeno transbordar de água, as sucessivas lagoas paradisíacas do Rio Homem (às quais nenhum infeliz se lembrou de chamar por algo semelhante às 'cascatas do Tahiti', coisa ridícula... ai, o fundamentalista!), o 'Z' desenhado na encosta do vale a marcar as Curvas das Febras, o fantástico Modorno... todo um vale que se estendia perante o olhar e o rodar da cabeça.

A parte final do trilho marca a chegada às terras mais altas. Por entre o picos da serrania lá estavam o Pico da Nevosa, o Altar dos Cabrões (é nosso pá!), o alto dos Carris, o Alto da Amoreira, o Outeiro da Meda sobranceiro ao Teixo e aos Curras das Albas como que um posto de vigia sobre a Corga dos Salgueiros da Amoreira, rebuscado cenário de montanha para quem chega às Águas Chocas pelo Vale do Rio Homem.

A parte final do percurso foi iniciada junto do marco n.º 91 entrando difinitivamente na Galiza e descendo para as Minas das Sombras, local do repasto merecido. Descemos pelo Sendero das Sombras e fomos então brindados com um calor torturante perante as quase inacessíveis lagoas do Rio da Amoreira.

Fica sem dúvida a vontade de lá voltar... até porque ficaram vários marcos de fronteira por fotografar...

Eis a primeira série de fotografias...

Fotografias: © Rui C. Barbosa