quarta-feira, 15 de julho de 2026

"A Volta a Portugal em Bicicleta Invade o Nosso Único Parque Nacional"



Comunicado da FAPAS sobre a possibilidade da Volta a Portugal em Bicicleta passar pela Mata de Albergaria na sua edição de 2026.

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A FAPAS - Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade, vem manifestar a sua profunda preocupação com as recentes notícias da passagem, no próximo dia 13 de Agosto, da Volta a Portugal em Bicicleta 2026 no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), classificado pela UNESCO como Reserva Mundial da Biosfera.

Nada nos move contra a Volta a Portugal, mas muito nos mobiliza em defesa do nosso único Parque Nacional: a biodiversidade, a paisagem, a cultura local, o turismo rural, entre muito outros valores que o Parque Nacional deve acautelar.

O site oficial da Volta a Portugal indica que a 7.ª etapa partirá de Vieira do Minho, passará pela Caniçada, Rio Caldo e Vila do Gerês, subirá à Portela de Leonte pela EN308-1 e atravessará depois a Mata da Albergaria, pela estrada florestal até à Portela do Homem. 

Não serão só os ciclistas a atravessar a Mata de Albergaria, uma das áreas mais sensíveis do PNPG, mas também uma numerosa e ruidosa comitiva de acompanhamento constituída por automóveis, motos, altifalantes, sirenes, espectadores, etc.

Depois de inúmeras atrocidades feitas e tentadas no PNPG faltava esta atividade, de resto sujeita a parecer do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), entidade que gere o PNPG.

Esta área protegida rege-se pelo Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês (POPNPG) aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 11-A/2011 de 4 de fevereiro.

Ora esse Plano determina, no seu Artigo 8.º (Actos e actividades condicionados) que "[...] na área de intervenção do POPNPG ficam sujeitos a parecer do ICNB, I. P., os seguintes actos e actividades, quando realizados em áreas sujeitas a regimes de protecção [como é o caso da Mata de Albergaria]: "e) A prática de actividades desportivas e recreativas não motorizadas [...] bem como a realização de eventos desportivos ou recreativos, [...] excepto se previstas na Carta de Desporto de Natureza;", o que não acontece.

Não faltam locais montanhosos em Portugal onde esta competição se poderia realizar, mas acetaram logo numa área protegida, o que mostra, por um lado, a profunda iliteracia ambiental e, por outro, o enorme recuo das medidas e ações de conservação da natureza

A FAPAS solicita à Senhora Ministra do Ambiente e ao ICNF que divulguem publicamente o parecer que o ICNF deu (se é que deu!) sobre esta a travessia da Mata de Albergaria pela ruidosa Volta a Portugal em Bicicleta 2026.

É que, se o ICNF não deu parecer, então a situação é mais grave!

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