quinta-feira, 16 de julho de 2026

Uma prenda de um amigo

 


Quando fazia parte das filieras do Agrupamento XIX - S. Vicente, Braga, do Corpo Nacional de Escutas, um dos locais com que mais frequência visitávamos era a Serra do Gerês.

Nos idos dos 90, olhar para a carta militar n.º 31 era como viajar com a imaginação através de montes e vales. Os nomes que iam surgindo ao longo das nossas viagens imaginárias, levavam-nos para aventuras sem fim e transportavam-nos para «grandes conquistas» por entre as serranias desconhcidas.

Uma viagem ao Gerês e a emoção da chegada à vila termal ou à aldeia do Campo do Gerês, era o início de uma aventura que nos levava a zonas «quasi» selvagens. Explorar o Vale do Homem, caminhar nas planuras da Messe, mergulhar nas águas do Arado, calcorrear as ruelas escuras dos povoados ou aventurar-nos pelo desconhecido da Serra Amarela, criavam memórias que ainda perduram e perdurarão.

O Parque Nacional e o contacto com as suas gentes era uma ocasião para tudo aproveitar, conhecer e absorver. Por isso, coleccionávamos tudo o que podíamos encontrar, desde o pequeno osso ou um pequeno ramo no qual inscrevíamos a data da aventura, até um parafuso enferrujado das minas perdidas na vastidão da serra, passando pela documentação impressa sobre o Parque Nacional.

Ontem recebi uma prenda de um amigo dessas aventuras calcorreadas com botas de biqueira de aço ou com as «botas da tropa» do irmão mais velho, calçando as meias de lá religiosamente compradas na vila do Gerês e carregando as pesadas mochilas e tendas de lona ao longo de longos quilómetros.

As fotografias, que vão existindo, parecem começar a desbotar e a perder a cor, mas a memória destes momentos encontra-se sempre viva e clara... "às bezes!"

Um abraço!

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