quarta-feira, 20 de abril de 2022

Trilhos seculares - Do Arado à Rocalva

 


Dos «pequenos» espaços que a Serra do Gerês nos tem para oferecer, a paisagem do Vale do Cando é uma de nos tirar as mais exaltadas exclamações. O cenário que se nos depara tendo como fundo a Roca Negra à qual fazem companhia a Rocalva, Quina do Meio e Roca de Pias, leva-nos para os cenários de grandeza que somente a Serra do Gerês nos oferece.

Foi por este quadro magnífico por onde caminhei a 20 de Abril saindo do estacionamento do Arado num dia terrivelmente ventoso, mas soalheiro. O grupo perfilou-se a jeito e aos poucos foram sendo vencidas as barreiras da comunicação através das costumeiras perguntas: "Vamos subir muito?" "Quantos quilómetros são afinal?" "Quem trouxe o presunto e a cerveja?"



Percorrendo o caminho florestal, ladeamos os Cabeços de Junceda e seguimos pelo Sobreiral, passando depois no término da Corga do Urso para atingir o Curral de Coriscada (Portelos). O vento, cada vez mais forte nesta manhã, fazia-nos por vezes balançar a cada passada e os chapéus animavam-se em voos disparatados. Cruzando desprotegidos na direcção das encostas da Arrocela, o passo animava-se na busca de algum alto que nos fosse proteger da ventosga! A conquista dos pontos mais altos no carreiro era celebrada com um passo ligeiro na descida da ladeira seguinte.

No bordo do Vale do Cando, à vista do Estreito, a paisagem engrandece-se com a visão do profundo vale, da magnífica vertente granítica e das paredes verticais que nos assombram a alma! Caminhando pelos estreitos carreiros do pastoreio, vamos ganhando distância nos aparelhos e aproximámo-nos do nosso objectivo. Vencida a Encosta do Cando através de um percurso pouco exigente, entramos no Vale do Cando e passamos o pequeno riacho à vista da imensa Roca Negra e do pequeno abrido que ali se resguarda.



A maior parte do desnível positivo é vencida nesta distância entre o Arado e o Cando, mas faltava um pouco mais para chegarmos a Rocalva. A subida foi feita de forma decidida e os rostos alegraram-se à vista próxima do colosso adormecido. O Curral da Rocalva com o seu prado verdejante, é uma visão magnífica. Verdadeiro oásis na imensidão rochosa da Serra do Gerês, é um descanso na paisagem de urze, carqueja e tojo que nos vai esfoliando a pele numa passagem mais atrevida.

Depois do merecido descanso para os corpos já cansados, inicia-se o regresso que nos leva a passar no Curral do Vidoeirinho e depois nas imediações das Portelas do Estreito e pelo Estreito. Mais paisagens imensas! Mais exclamações de grandiosidade! A profundidade do Vale da Touça com o seu pequeno curral lá no fundo, nas vertentes de Porta Ruivas, e a grandeza da paisagem coroada pelo titânico Borrageiros, alimenta o vocabulário expressivo daqueles que, já cansados, não se cansam de tamanha plenitude!

Em pouco tempo chegamos ao Curral de Pradolã e iniciamos a descida para Pousada à vista dos Bicos Altos, seguindo depois para Pinhô e descendo para a Ponte das Servas. Após passar Tribela, seguiu-se o Curral dos Portos e o Curral de Malhadoura, prosseguindo depois pela estrada florestal até ao ponto de partida!





















Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

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