domingo, 29 de julho de 2012

Trilhos seculares no coração do Gerês

Caminhar na Serra do Gerês é para mim um exercício de descoberta. Estar atento aos pequenos detalhes, às velhas mariolas e tentar compreender a intrincada rede de carreiros utilizados pelo homem nos seus exercícios de transumância ou no seu dia-à-dia em busca da salvação divina. Esta rede de carreiros permitiu em tempos idos a deslocação entre os diferentes lugares.

Estes são caminhos com milhares de anos e que certamente antecedem a ocupação pré-critã, remontando certamente aos tempos em que os gelos abandonaram os píncaros serranos e permitiram a ocupação das zonas de pastagem pelo homem primitivo. Utilizados como locais de pastagem, de guara dos animais e de cultivo, os currais em altitude são hoje locais exóticos e de passagem quase obrigatória por aqueles que deambulam pelas alturas do Gerês.

Esta caminhada levou-nos a uma das zonas mais bucólicas do Parque Nacional. A Lagoa do Marinho é um ecossistema importantíssimo dentro da Peneda-Gerês, bem como todo o vale do Couce que converge para os Cocões do Concelinho, um magnífico anfiteatro glaciar. Outro ponto de interesse são as Minas do Borrageiro exploradas na primeira metade do Século XX. Já dentro da zona de protecção total facilmente se acede a Cidadelhe e ao curral que a antecede passando pela Corga das Mestras e depois pelo topo da Arrocela. A panorâmica do lado Poente da Serra do Gerês proporcionada deste ponto é algo de único e complementada com o profundo silêncio do local, transporta-nos para um mundo diferente do reboliço dos dias citadinos.

Em resumo, foi um dia esplêndido com uma caminhada de cerca de 23 km dos quais ficam aqui algumas fotografias...







































Fotografias: © Rui C. Barbosa

1 comentário:

Jose Miguel Barbosa Ferreira disse...

Imagens magnificas, deslumbrantes...
Da vontade de pegar na mochila e sair a correr porta fora, a descoberta...