quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Pela Preguiça, Albergaria e Palheiros

Uma ida à Serra do Gerês com dois objectivos: para descobrir o Curral do Arenado e para fotografar a Mata de Albergaria com as cores do Outono.

Tinha algumas indicações de como tentar chegar ao Curral do Arenado, mas mais uma vez não o consegui encontrar. Entretanto, aproveitei para percorrer parte do bem interessante Trilho da Preguiça passando pela Ribeira da Laja e depois descendo à estrada nacional sem ir ao Curral de Mijaceira, até porque queria aproveitar a luz da manhã para tentar fotografar as cores do Outono na Mata de Albergaria. Pelo caminho uma curtíssima paragem na Portela de Leonte. Tal como já havia notado anteriormente, dá-me a sensação que este ano a folhagem nas árvores é mais escassa. Recordo-me que em tempos o Hélio Cristovão me referiu que aparentemente a Mata de Albergaria estava a perder folhagem. Na altura não tinha como comparar, mas o comentário ficou-me na memória e de facto pensando no que vi em 2011 comparado com este ano, dá-me a sensação que a folhagem é menor. Pode ser impressão minha, mas algo se passa por ali.

Chegado então à Portela do Homem, mergulhei na Mata de Albergaria passando pelas antigas casas abandonadas da Guarda Fiscal e depois ao largo do Curral de S. Miguel para seguir pela incompleta ponte de madeira que substitui a romana Ponte de S. Miguel. De facto, aquela obra continua ali por terminar, sendo uma verdadeira demonstração de como as obras só são feitas até onde o dinheiro comunitário chega. Acabando, não se completa a obra! Será que não há algum mecenas que ofereça uma madeira ou uns sacos de cimento à Câmara Municipal de Terras de Bouro ou ao Parque Nacional da Peneda-Gerês para terminar aquela coisa?

Prosseguindo o meu caminho, passei pelo antigo abrigo de montanha do Clube Académico do Porto. Agora uma triste ruína abandonada, aquele edifício irá terminar os seus dias ao nível do chão aos pedaços, sendo mais um monumento à inaptidão do Parque Nacional. Sendo o primeiro abrigo de montanha de Portugal. merecia uma melhor consideração e melhor uso. Porém, o PNPG habituou-nos a deixar degradar os edifícios no seu território: são as Minas dos Carris, as Casas dos Guardas Florestais e da Guarda Fiscal, e todos estes edifícios que em tempos foram usados para promover o uso da montanha e do ambiente.

Junto da vedação do Centro de Recuperação de Animais Selvagens a Mata de Albergaria brindou-me com o que eu procurava e as cores do Outono ali estavam em todo o seu esplendor à luz do Sol da manhã. Ao mesmo tempo, os poucos cogumelos que ainda vão aguentando as agora muito frias noites de Outono, estavam já quase cobertos pela folhagem que ia caindo das árvores sacudidas pelo vento que se fazia sentir. Alguém terá de inventar um nome para 'queda de folhas'...

Já agora... quando PNPG foi inaugurado em 1971 as áreas vedadas que tinham lobos e javalis nas curvas do Vidoeiro tiveram de ser retiradas bem como terminou-se com a criação de trutas na Albergaria. Assim, porque razão se mantém aquelas vedações na Mata de Albergaria? Se é para afastar os curiosos do Centro de Recuperação, entende-se. Se é para vedar um espaço vazio, já não se entende... Será que os senhores da PanParks não se importam?

Curiosamente, as cores de Outono não são tão intensas na Mata de Palheiros. provavelmente será pelo facto de a mata estar mais voltada ao Sol enquanto que partes da Mata de Albergaria só voltarão a ver a luz solar directa por alturas da Primavera. De qualquer das formas é sempre interessante ver a mata por estes dias em que dizem que pode chover mais e que de certeza faz mais frio.

A Geira Romana está toda ela engalanada para a época, mas as cores têm outro brilho na Balsada e na confluência do Maceira com o Homem. Aliás, por entre tamanho sossego, o rugido do rio lá em baixo torna-se ensurdecedor, como que de raiva à espera de dias de neve onde o Inverno governa e o homem se resguarda.

Caminhando num tapete castanho e rubro, fui percorrendo os poucos quilómetros de volta ao ponto de partida, mas ainda com vontade de subir a Varziela e apreciar o glamoroso Vale de Leonte e os píncaros serranos a rasgar o céu outonal... ficará para outra jornada!




















































Fotografias: © Rui C. Barbosa

2 comentários:

Jose Miguel Barbosa Ferreira disse...

Mais um belo conjunto de fotos... Muito bom.

Zoelae disse...

Grandes fotos, Rui!

A melhor época para desfrutar do Gerês!!

Um abraço