segunda-feira, 10 de março de 2014

Trilhos seculares - Quinas de Arrocela


Esta é uma jornada que não fica marcada pela distância, mas sim pela dificuldade do constante «sobre e desce» a que obriga a orografia do terreno. Porém, de qualquer das formas e começando da Portela de Leonte, há que contar com uma jornada de mais de 20 km sendo parte destes no Gerês profundo e pouco percorrido, o que por si só é uma mais valia para um dia de montanha.

No entanto, o facto de caminharmos numa zona quase selvagem, a presença do homem faz-se sempre sentir. Esta presença poderia ser em harmonia com o entorno envolvente, mas quando em pleno sossego da montanha de escutam gritos e berros de um outro grupo à distância, lá se evapora de forma temporária todos os «zens» do momento... Diferentes maneiras de estar...

As Quinas de Arrocela representam uma característica única de toda a Serra do Gerês (que por si só é no seu todo um conjunto dessas mesmas características). O próprio orónimo é um exercício interessante de interpretação do nome. Existem vários pontos de partida para tentar entender este topónimo (ou melhor, orónimo) geresiano. Assim, 'quina' pode ser entendido como um conjunto de cinco itens iguais ou da mesma natureza; da mesma forma, 'quina' é o ângulo de um objecto ou uma variedade de maçã. Por outro lado, a 'quina' é cada um dos cinco escudos que fazem parte das armas de Portugal.

Temos assim, um bom ponto de partida para entender o orónimo 'Quinas de Arrocela'. Penso que a variedade de maçã não nos é muito útil para a nossa explicação, assim, vamos descartar esta hipótese. Da mesma forma, não penso haver relação entre o orónimo em questão e os escudos que fazem parte das armas portuguesas (a não ser no próprio número '5'). Nesta altura não sei indicar se a orografia da zona nos exibe como que uma repetição da geografia que nos leve a considerar a existência de uma característica que se repita por cinco vezes no topo da Corga de Valongo que serve de fundo àquelas imensas paredes. Assim, será que a explicação de 'ângulo' (ou canto) servirá para compreender o orónimo? Ao observar a carta topográfica não deixa de sobressair o facto aquela extremidade pode ser entendida como o «canto» de uma zona a que podemos de forma geral denominar de 'Arrocela', tendo na sua extremidade Norte (o Alto de) Cidadelhe, a Este a Corga de Arrocela, a Sul as Quinas de Arrocela e a Oeste a Corga de Valongo na sua extensão até ao Cabeço da Cova da Porca (Torrinheira).

Penso que esta pode ser uma boa explicação para o orónimo 'Quinas de Arrocela', no entanto deixo aberta a porta para uma explicação relacionada com a existência de uma característica geográfica que se repita por cinco vezes (cinco corgas?) e que leve à origem do topónimo.

Na visita às Quinas da Arrocela aconselho uma passagem pelo Curral da Abilheirinha (situado num dos braços do Rio da Touça), uma passagem pelo Curral dos Bezerros (no sopé do Cabeço da Cova da Porca) e uma passagem pela Mina de Arrocela (uma exploração mineira ilegal a pouca distância da Corga de Arrocela). Todos estes pontos encontram-se para lá dos Prados da Messe / Curral da Pedra na direcção Nascente.

Algumas imagens do dia...
 Fonte de Leonte
 Nova ponte sobre o Rio Maceira


Pé de Medela
 Pé de Cabril e Vidoal
 Ribeiro do Porto das Vacas e mariola a caminho do Curral da Pedra
 Albas
 Curral da Pedra e Prados da Messe
 Albas e Prados da Messe
 Curral da Abelheirinha e Porta Ruivas
 Curral da Abelheirinha
 Curral da Abelheirinha (forno)


Cabeço da Cova da Porca e Curral de Bezerros

 Cabeço da Cova da Porca e Curral de Bezerros
 Corga de Valongo e Porta Ruivas


 Curral de Premoinho e Borrageiro
 Porta Ruivas, Iteiro d'Ovos, Meda de Rocalva e Roca Negra
 Corga de Valongo (parcial), Porta Ruivas, Iteiro d'Ovos, Meda de Rocalva e Roca Negra (parcial)
 Corga de Valongo (parcial), Porta Ruivas, Iteiro d'Ovos, Meda de Rocalva e Roca Negra (parcial)
 Quinas de Arrocela (parcial)
 Corga de Valongo (parcial) e Porta Ruivas
 Corga de Valongo (parcial) e Porta Ruivas
 Porta Ruivas
 Corga de Valongo (parcial) e Porta Ruivas
 Corga de Valongo (parcial)
 Corga de Valongo (parcial)
 Corga de Valongo (parcial), Porta Ruivas, Iteiro d'Ovos, Meda de Rocalva e Roca Negra

 Curral do Conho
 Curral do Conho

Curral do Conho
 O Conho

 O Conho


 Curral do Conho




 Curral da Lomba de Pau
 Curral de Teixeira visto desde a Preza
 Curral de Teixeira e Camalhão vistos desde a Preza
 Curral do Vidoal
 Curral do Vidoal, Pé de Medela, Carris de Maceira e Corga dos Cântaros (parcial)
 Curral de Vilar da Veiga (ou de Leonte de Baixo)

Fotografias © Rui C. Barbosa

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