Um texto da autoria de Pedro Bingre do Amaral (Presidente da Liga para a Protecção da Natureza) para ler aqui.
"A passagem d’A Volta a Portugal pela Mata da Albergaria reabriu o indispensável debate a respeito dos limites da utilização de áreas naturais de excecional valor ecológico. Embora a LPN mantenha e reitere o propósito de reservar este bosque para a estrita conservação da biodiversidade e, por consequência, prefira vedá-lo a usos multitudinários, reconhece que esta prova desportiva decorreu sob rigorosos condicionamentos ambientais monitorizados no terreno por um robusto quadro técnico do ICNF. No entanto, será preferível que, apesar da robusta fiscalização in situ evidenciada neste caso, se evite, a todo o custo, tomá-lo como precedente para a aprovação extemporânea e arbitrária de atividades contrárias aos propósitos conservacionistas deste espaço natural."
Neste momento o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas actua de duas formas:
- é implacável com quem pretende desfrutar do Parque Nacional seguindo as regras;
- verga-se a vontades políticas e a interesses económicos.
Não é admissível que o nosso único Parque Nacional esteja anos consecutivos com um corpo de Vigilantes da Natureza reduzido (actualmente são 12 efectivos para cerca de 70.000 ha) e que depois num evento deste tipo surjam de forma miracolosa os meios necessários e "robustos" para a sua fiscalização e vigilância.
A protecção do Parque Nacional não pode, nem deve, andar ao sabor do calendário, onde no Verão tudo se permite e nos restantes dias do ano, nada se faça.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

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