Em "Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês" (Rui Barbosa, Dezembro de 2013), faz-se uma referência aos trabalhos mineiros executados junto do "marco geodésico" de Cidadelhe:
"Informou-me o capataz que junto da pirâmide geodésica “Cidadelhe” existe um filão mineralizado pela volframite, muito bom, segundo ele, e onde vários “pilhas” trabalham vendendo-lhe depois o minério.
Justificou essa compra com o pretexto de que esse filão está ainda dentro da concessão, o que é inexacto, pois da concessão Borrageiros até à pirâmide “Cidadelhe” mediram alguns quilómetros.
Como é do conhecimento de V. Ex.ª, este concessionário, de quando em vez, participa a este Serviço que lhe desapareceram as guias n.ºs tal e tal, pedindo a sua apreensão caso alas aqui sejam apresentadas, o que eu reputo menos verdadeiro, supondo que tal tem por fim encobrir mais alguma irregularidade praticada."
O cenário que nos deparamos junto ao alto de Cidadelhe é de plena desolação! Os trabalhos mineiros ilegalmente ali realizados, são a realidade da miséria e das condições de trabalho que ali existiam. Não havendo edificações para acomodar os «pilhas» que ali trabalhavam, este tiravam partido das palas ou construiam rudimentares abrigos de pedra solta que os protegessem nas duras condições que encontravam na inóspita serra geresiana.
A fotografia em cima ilustra bem estes abrigos que adinda podemos ver em Cidadelhe 85 anos depois dos trabalhos mineiros. Uma pala granítica era coberta por pequenas lajes que abrigavam um ou dois homens que encontravam abrigo deitados sobre a rocha. Outros abrigos nas proximidades mostram pequenas construções de pedra solta ou outros onde as palas eram o principal meio de defesa contra o ambiente difícil e cruel do trabalho mineiro que ali se praticava nos anos 40 do século XX.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
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