sábado, 31 de janeiro de 2026

Acção de restauro ecológico em Pitões das Júnias

 


Segundo a Rádio Montalegre, "A freguesia de Pitões das Júnias, recebe no próximo dia 7 de fevereiro uma Ação de Restauro Ecológico no âmbito do projeto europeu LIFE WILD WOLF, inserida numa estratégia de conservação do habitat do lobo-ibérico."

Esta acção, que decorre a 7 de Fevereiro de 2026, é promovida pelos Amigos da Montanha, em parceria com a Comunidade de Baldios de Pitões das Júnias, o BIOPOLIS/CIBIO (Universidade do Porto), o Município de Montalegre e o ICNF.

"Segundo a organização, a ação visa contribuir para a recuperação de ecossistemas naturais na envolvente do mosteiro de Santa Maria das Júnias, através de intervenções de restauro ecológico. Estão previstas a plantação de espécies arbóreas autóctones e a melhoria das condições ecológicas de uma pequena linha de água, com o objetivo de promover a biodiversidade e favorecer áreas essenciais para a fauna silvestre.

A iniciativa pretende também criar melhores condições para as presas naturais do lobo-ibérico, como o corço e o veado, contribuindo para o equilíbrio do ecossistema local.

O programa inclui almoço e uma visita guiada ao Centro Interpretativo do Lobo Ibérico, em Pitões das Júnias.

A participação está sujeita a inscrição prévia, através do email ambiente@amigosdamontanha.com".

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCXIV) - Cabeço e Curral de Lameirinha

 


O Cabeço e o Curral de Lameirinha, Serra do Gerês, nos domínios da Vezeira de Covide.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa/Carris (31 de Janeiro a 6 de Fevereiro)

 


Termina o mês de Janeiro, mês que foi de intempérie e invernia como deve ser. O mês de Fevereiro perfila-se para ser mais do mesmo...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Fecha na margem da albufeira de Vilarinho das Furnas

 


Se a imagem que se tinha do outra lado da margem era impressionante, estar junto deste monstro só nos faz ter respeito pelas forças da Natureza.

Vídeo © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Vigilantes da Natureza reúnem-se no Parque Nacional da Peneda-Gerês

 


Decorre entre os dias 30 de Janeiro e 2 de Fevereiro de 2026 o XXV Encontro Nacional de Vigilantes da Natureza que tem lugar nas Caldas do Gerês, Terras de Bouro, onde decorrem também as XIX Jornadas Técnicas.

Este será um encontro fundamental para debatar o futuro da profissão em Portugal numa altura em que a preotecçao ambiental e as leis que a sustentam estão em constante ataque, mesmo a partir da própria tutela.

Recorde-se que o número de Vigilantes da Natureza no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) não atinge os 15 profissionais que têm de «vigiar» uma área muito superior à área do PNPG.

Entre os temos em debate, estarão: Na agenda estarão vários temas: os desafios actuais e futuros de gestão de capacidade de carga e sustentabilidade das áreas protegidas; os cenários pós-incêndio e o futuro das áreas protegidas na cooperação transfronteiriça; e a divulgação do trabalho e iniciativas e contributos de várias associações congéneres para a proteção e valorização do meio ambiente.

Para a celebração do Dia Nacional do Vigilante da Natureza  (2 de Fevereiro) está prevista a presença do Secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, acompanhado por vários elementos do Conselho Diretivo do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas.

Previsão meteorológica para Nevosa/Carris (30 de Janeiro a 5 de Fevereiro)

 


O próximo Domingo (dia 1 de Fevereiro) talvez seja o melhor dia para esticar as pernas. O restante será de chuva e neve...

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Condicionamento do trânsito entre Ermida e Fafião

 


O Município de Terras de Bouro através do seu Gabinete de Protecção Civil informou que, devido à ocorrência de um deslizamento de terras, a circulação no troço que liga a Cascata de Fecha de Barjas à aldeia de Fafião encontra-se actualmente condicionada.

Embora a passagem não esteja totalmente interrompida, as condições de segurança na via estão alteradas, pelo que solicita-se a todos os condutores e transeuntes o máximo cuidado e atenção redobrada ao circular nesta zona.

Recomenda-se o estrito cumprimento da sinalização no local até que a situação esteja devidamente normalizada pelas autoridades competentes.

Fotografia © Município de Terras de Bouro (Todos os direitos reservados)

"Bloco questiona Governos sobre pavimentação da estrada da Mata de Albergaria"

 


Notícia do jornal Terras do Homem pelo jornalista Pedro Antunes Pereira para ler aqui.

Para o Bloco de Esquerda, a pavimentação da estrada da Mata de Albergaria, “trata-se de mais um projeto que não garante a proteção da Mata de Albergaria, nem o Parque Nacional da Peneda-Gerês, nem assegura a preservação dos seus valores naturais, da paisagem ou dos habitats existentes”.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Minas dos Carris, 29 de Janeiro de 2026

 


Aos poucos a neve vai desaparecendo das Minas dos Carris.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados) via EMC

Sete organizações ambientalistas exigem ao Governo clarificação sobre o ICNF

 


Notícia do PÚBLICO para ler aqui.

O Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas deve voltar a ter tutela única do Ministério do Ambiente, defendem organizações não-governamentais.


Paisagens da Peneda-Gerês (MDCXIII) - Uma paisagem portuguesa

 


A Veiga de S. João, no Campo do Gerês, e a Serra de Sta. Isabel, formam esta paisagem bem portuguesa de Terras de Bouro que nos leva às memórias de velhos invernos onde as serras se cobriam de neve por largos dias e o tempo parecia parar num silêncio apenas rompido pelo crepitar do borralho.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa/Carris (29 de Janeiro a 4 de Fevereiro)

 


Já começa a chatear a chuva? Então, há que preparar porque para a semana deverá ser outra dose...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Minas dos Carris, 28 de Janeiro de 2026

 


A Estação Meteorológica Experimental dos Carris dá-nos uma imagem da Garganta das Negras a 28 de Janeiro de 2026.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados) via EMC

Previsão meteorológica para Nevosa/Carris (28 de Janeiro a 3 de Fevereiro)

 


Continuam os dias de chuva e neve nas Minas dos Carris.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Minas dos Carris, 1970

 


Em inactividade desde os anos 50, o complexo mineiro dos Carris encontra-se quase abandonado. Nele permanece um guarda e o local serve também de abrigo aos trabalhadores (ou seriam colaboradores?...) dos Serviços Florestais.

No entanto, no final da década de 60 surgem sinais positivos na retoma dos trabalhos mineiros com o aparecimento de novos investidores e o surgimento da figura de Alexander Schneider-Scherbina que terá um papel crucial e fundamental nas operações mineiras entre 1970 e 1974.

Os principais problemas que afectaram a produtividade das Minas dos Carris, encontravam-se na falta de mão-de-obra qualificada e falhas no fornecimento de energia eléctrica. O complexo mineiro nunca foi dotado de um sistema de fornecimento de energia eléctrica que estivesse ligado à rede nacional, dependendo do funcionamento de geradores para a produção da mesma.

Nesta altura, a mina estava confinada a uma única linha de trabalhos com um comprimento de 500 metros e uma profundidade de 155 metros. A linha zero era referenciada no velho poço exposto à superfície, mas que não era utilizado. Existiam sete níveis com um espaçamento de 25 metros, estando inacessíveis os três níveis superiores. Os trabalhos decorreram nos quatro pisos inferiores e mais intensamente no 6º piso que tinha um comprimento de 500 metros. O acesso e a elevação de todos os pisos, com excepção do 7º piso, eram feitos através de um poço interno de três compartimentos. Este poço descia até ao 6º piso ou a uma profundidade de cerca de 100 metros. No segundo piso, o poço abria para uma via-férrea que emergia da colina, sendo depois coberto por uma estrutura pré-fabricada até à lavaria (nova) a uma distância de 200 metros a sudeste na abertura. A elevação era feita através de caixas balançadas que eram controladas por um cabo contínuo operado por um motor de 28 hp. O minério era elevado em vagonetes com 500 kg de capacidade.

Na extremidade Norte do 6º piso existia uma extensão de 250 metros que fazia a drenagem desse nível para Este. Esta extensão podia ser utilizada para a remoção do minério. A deslocação da lavaria para esse local ou a construção de uma estrada não foi, no princípio dos anos 70, considerada economicamente viável. O 7º piso tinha somente uma extensão de 250 metros e estava ligado ao 6º piso por um poço interno localizado na base do velho poço de extracção. Um guincho operado electricamente elevava o minério do 7º piso para o 6º piso, sendo depois extraído para o exterior a partir deste.

Texto adaptado de "Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês" (Rui C. Barbosa, Dezembro de 2013)

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Livro "Peneda-Gerês - Parque Nacional de Portugal"

 


Em breve estará disponível um novo livro sobre a temática do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Da autoria de Miguel Brandão Pimenta e publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, "Peneda-Gerês - Parque Nacional de Portugal" é, segundo o autor, "Uma viagem pela história, ecologia e cultura do único parque nacional português. Mais do que um simples retrato, é um apelo à preservação de um património que corre o risco de perder a sua identidade, num tempo em que a própria noção de “protegido” parece vacilar."

Fotografia © Miguel Brandão Pimenta (Todos os direitos reservados)

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCXII) - Dias escuros

 


Encaixada no fundo do vale, os dias de Inverno em Vilarinho da Furna, Serra Amarela, deveriam ser escuros.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa/Carris (27 de Janeiro a 2 de Fevereiro)

 


Mantém-se a possibilidade de queda de neve para os próximos dias nas Minas dos Carris.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Previsão meteorológica para Nevosa/Carris (26 de Janeiro a 1 de Fevereiro)

 


Esta será uma semana de muita chuva nas Minas dos Carris e em todo o Parque Nacional da Peneda-Gerês. Possibilidades de queda de neve no dia 27 de Janeiro.

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCXI) - Fraga do Sarilhão

 


A Fraga do Sarilhão, Serra do Gerês, após uma noite de neve.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

domingo, 25 de janeiro de 2026

Bombeiros da Ponte da Barca apoiam manutenção da rede SIRESP na Serra Amarela

 


A Corporação de Bombeiros de Ponte da Barca prestou apoio aos técnicos que estão a fazer a manutenção da rede SIRESP no Alto da Louriça, Serra Amarela.

Como as imagens testemunham, tanto os trabalhos de manutenção como o apoio dos Bombeiros de Ponte da Barca é feito em condições muito difíceis devido à queda e quantidade de neve acumulada.


Fotografias © Bombeiros da Ponte da Barca (Todos os direitos reservados) via Facebook

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCXI) - Pena Longa e a Vala do Covedo

 


Pela Encosta de Palheiros, Serra do Gerês, a paisagem da Pena Longa e parte da Vala do Covedo com o Rio Homem a percorrer o fundo do vale.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Minas dos Carris, 25 de Janeiro de 2026

 


A paisagem nevada das Minas dos Carris na manhã do dia 25 de Janeiro de 2026.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados) via EMC.

Previsão meteorológica para Nevosa/Carris (25 a 31 de Janeiro)

 


A semana começa com muita chuva fazendo desaparecer a paisagem branca a baixas altitudes. O manto branco mantém-se, porém, nos pontos mais elevados do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Os próximos dias serão de chuva e frio, com alguns episódios esporádicos de neve a altitudes mais elevadas.

Chama-se "Inverno" e é perfeitamente normal.

sábado, 24 de janeiro de 2026

Serra do Gerês - Albergaria e Palheiros

 


A aldeia acordou mergulhada no silêncio da neve que a cobriu durante a noite. A claridade através das vidraças embaciadas, denunciava o cenário que nos esperava lá fora com os telhados brancos e as goteiras que, já pela manhã, marcavam o compasso da neve que lentamente derretia.




A caminhada levou-nos pela Estrada da Geira através do Vale do Rio Homem até à Albergaria, percorrendo a secular mata, ela também engalçanada de Inverno. Na Guarda, o vislumbre de parte da Serra Amarela e a memória dos dias de neve de Vilarinho da Furna. O Vale do Ribeiro da Furna surgia coberto com um manto branco e um lento véu deslocava-se serra acima num movimento quase imperceptível.

Começamos a caminhar de manhã cedo. Gosto de percorrer os caminhos por estas horas quando o reboliço que sabíamos chegar (e como chegaria!) ainda estava a dormir. Assim, os passos sucediam e em breve estávamos perante o incrível cenário da Fraga do Sarilhão pulvilhada de neve. Aqui, a estrada vence a Ribeira de Sarilhão através de uma ponte que a leva para a Costa do Sarilhão antes de enveredar pela Bouça da Mó. Nesta altura, esparava que o cenário fosse mais invernal, mas até parecia que não havia nevado ali.., mais adiante seria diferente.





Chegavamos então à Milha XXX da Geira Romana, em Berbezes. Quando as águas da albufeira da barragem descem, é possível aqui ver-se os restos de uma mutatio. Estamos a chegar à Bouça da Mó onde em tempos existiu uma Casa Florestal e onde ainda pode ser vista uma velha cavalariça do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG). A estrada aqui já percorre uma paisagem de arvoredo: estamos a entrar na Mata de Albergaria.

A Mata de Albergaria é uma extensa área florestal e localiza-se na zona central do PNPG), ocupando uma área superior a 1.500 hectares, ao longo do vale do rio Homem. Tendo resistido a séculos de desflorestação por incêndios frequentes e pastorícia, a Mata de Albergaria é hoje um testemunho único dos bosques que outrora cobriam o noroeste da Península Ibérica: o carvalhal galaico-português. Representa o único carvalhal maduro de carvalho-alvarinho (Quercus robur) existente em Portugal. Os restantes bosques de carvalho existentes em Portugal são de menor dimensão e, sobretudo, muito mais jovens. O carvalhal é a floresta clímax da região, isto é, a última de um longo processo de sucessão natural em que a vegetação vai evoluindo. É aquela que melhor se adapta ao clima e às características do solo e, como tal, aquela que sem intervenção humana se desenvolve espontaneamente.

A estrada em terra batida e que em breve irá sofrer obas de reabilitação (Terras de Bouro investe cerca de 800 mil euros na reabilitação da Estrada da Mata de Albergaria) cobre no resto do seu trajecto, parte da via romana e lança-se sobre pequenos riachos que se despenham encosta abaixo. A caminhada faz-se ligeira, ataé porque a chuva começa a marcar a sua presença e chegamos a Rabaças. Do outro lado do vale, já imperceptível nas encostas da Serra Amarela e inundada pelas águas da albufeira, encontra-se a Ínsua da Fábrica, local onde se encontrava a Real Fábrica dos Vidros de Vilarinho da Furna.





A história desta fábrica inicia-se em princípios do século XIX, mais precisamente a 20 de Março de 1805, quando príncipe regente D. João concedia a Feliz Jozé Pereira Lima a autorização para a criação de uma fábrica para a produção de "...diversas qualidades de vidros, na planície de Linhares." Aparentemente, Feliz Jozé Pereira Lima não conseguiu concretizar os seus objectivos de imediato, mas a 9 de Outubro de 1805 era criada a Real Industria de Vidro de Vilarinho da Furna, que era propriedade de Feliz, Gomes, Mattos, Araújo e Companhia.

A fábrica poderia utilizar "...sem reserva, embarcação ou ónus algum as lenhas, giestas e mais lenha, que lhe forem preciso de todos os bosques e matas, maninhos, seja qual for a distância." Localizada nas proximidades da mancha florestal da Albergaria e tirando partido do abundante quartzo e feldspato existentes na serra, a fábrica teria o fornecimento de combustível assegurado para a sua laboração.

Segundo Pereira Caldas na obra "O Vidro em Portugal" (Vasco Valente, 1950), citado por Rosa F. Moreira da Silva em "O Gerês de Bouro a Barroso - Singularidades patrimoniais e dinâmicas territoriais" (Outubro de 2011), a Real Fábrica dos Vidros de Vilarinho da Furna produziu "variados artefactos de nítida vidraria com auspiciosos prelúdios de longo alcance industrial, sendo só mal vista sempre de refalsados portugueses, para quem nada era a indústria pátria, ao passo de ser tudo para elles a indústria inglesa".

No entanto, e devido à sua ligação com a influência francesa, o destino deste investimento estava traçado. São apontadas duas datas para a sua destruição pelo fogo: 29 de Junho de 1808 e 11 de Julho de 1808. A 20 de Novembro de 1807 forças francesas e espanholas invadem Portugal, chegando a Abrantes a 24 de Novembro. Localizada não muito longe da fronteira da Portela do Homem, e numa zona de difícil acesso na época, "...a situação política criada pelas invasões napoleónicas foi aproveitada para o desenrolar de graves tensões sociais locais..." No seu livro "Serra do Gerez. Estudos, Aspectos, Paisagens" (1909), Tude de Sousa refere que "(...) a ignorância e a má vontade dos povos próximos que não viam com bons olhos a sombra de tão poderosa vizinhança, cuja importância e benefícios não sabiam medir, e a intriga que intensamente se forjou dispuseram mal pelo futuro da fábrica; e assim foi que, com o pretexto da entrada dos franceses pela Portela, e capitaneados pelo abade de Carvalheira, seduzido por influências inglesas, que odiavam os progressos industriais do país, os povos assaltaram e saquearam a fábrica lançando-lhe fogo a 11 de Julho de 1808. Destruída, não mais pensaram os seus possuidores em a relevantar, caindo-lhe os últimos restos da parede, que ainda podiam ver-se em 1855/56".

A existência da Real Fábrica dos Vidros de Vilarinho da Furna é um aspecto importante na história do concelho de Terras de Bouro que por vezes nos passa despercebida e que deveria merecer um pouco mais de atenção.





Após uma pequena paragem para nada descortinar na outra margem e apreciar os jogos de sombras produzidos pela neve a encosta oposta, somos chegados ao Bico da Geira onde se situa a Milha XXXI. Aqui, apresentan-se "magnificas evidências da forma como os miliários eram extraí­dos dos afloramentos graní­ticos, distinguindo-se num deles as marcas rasgadas para a implantação das cunhas em madeira, tendo o trabalho sido abandonado já depois de terem sido abertas as cunheiras. Ainda hoje se observa um esboço de miliário que nunca chegou a ser completado. Neste local, para além da pedreira de onde foram retirados os miliários, foi exumado um conjunto de 21 miliários, dos quais sete conservam as inscrições: Adriano (117-138), Décio (249-251), Caro (282-283), e Licí­nio (308-324). De realçar que aqui foi também encontrado um pequeno miliário semi-enterrado, que conserva traços de pintura a ocre. Perante esta evidência é possí­vel que também os outros miliários fossem, regularmente, pintados. Para além dos miliário e da pedreira, observam-se restos de uma calçada com pedras bem fincadas, de forma a facilitar a passagem de uma ribeira que desce da montanha. Nesta zona a via já transcorre a Mata de Albergaria, um imponente carvalhal, onde também se notam inúmeros azevinhos."

Com o cenário a compor-se, a estrada percorre transpõe o Ribeiro do Pedredo e segue pela encosta da Pedra Furada, continuando para o Concelo não muito longe do desaparecido Caminho do Meio, inundado pela albufeira. O olhar mais atento, vai vislumbrar Pena Longa por entre o arvoredo despido antes de passar a Fonte do Vale dos Porcos e chegar, mais adiante, à Volta do Covo onde encontramos mais um magnífico conjunto de miliários que assinalam a Milha XXXII. Aqui, "conservam-se 23 miliários, dos quais 16 são anepí­grafes. A bibliografia refere 7 miliários com epí­grafes. Um de Adriano (117-138), datável do ano 135; dois de Maximino e Máximo (235-238), datáveis do ano 238; um de Décio (250); um de Caro (282-283); um de Magnêncio (350-353) e outro de Decêncio (351-353). Não é possí­vel afirmar que os miliários se encontrem in situ, já que teriam sido agrupados, provavelmente, quando se abriu a estrada florestal, tanto mais que parte deles estão junto a uma estrutura muito tardia, já referida por Mattos Ferreira. No trajecto entre as milhas XXXII e XXXIII conservam-se vestí­gios de duas pontes romanas, que permitiam transpor as ribeiras da Maceira e do Forno. Da Volta do Covo à zona de confluência das duas ribeiras mantém-se a estrada florestal. No local onde se juntam as ribeiras observa-se cerâmica romana de construção o que nos leva admitir que neste local terá funcionado uma mutatio, tal como na Bouça da Mó."





Logo a seguir à Volta do Covo, surge-nos a paisagem de Albergaria e das montanhas que lhe servem de pano de fundo. O cenário é único com a paisagem invernal do carvalhal com as suas ramadas retorcidas tingidas de neve. A Costa de Sabrosa surge coberta com um céu branco, mas facilmente se imagina o cenário serra acima. 

O Rio Homem faz-se escutar com toda a sua força e as fontes debitam água como nunca. Finalmente somos chegados aos antigos Viveiros das Trutas logo após passar o Rio Maceira e seguimos para a pequena pinte que nos permite passar o Rio do Forno. Estamos num ambiente que apela a todos os sentidos: o cheiro a terra humida e da vegetação molhada, os diversos sons originados pelas torrentes da montanha e pelo pingos da chuva neve que enche o cenário, o ar frio que nos faz acomodar a roupa que já se sente humida e um paladar que nos surge de um ambiente que se regenera.

Chegamos a Ponte Feia e assistimos ao precipitar das fechas criadas no Poço de Ponte Feia pelas águas tumultuosas do Rio Homem antes de enveredar na direcção de Palheiros. O ar enche-se de flocos de neve que se precipitam, uns mais apressados, outros serenos em direcção ao chão da floresta.

Caminhamos na Mata de Palheiros, a continuação natural da Mata de Albergaria, através de um decrépito caminho que em tempos conduziu há já desaparecida Casa Florestal de Palheiros, um lugar com uma história ainda por contar. O caminho ladeia o Cabeço de Palheiros e leva-nos a passar junto do antigo Viveiro Florestal de Palheiros. Nos tempos dos Serviços Florestais, a Mata de Palheiros era «guardada» por uma casa florestal da qual apenas restam pedras amontoadas após um incêndio que a destruiu em principios dos anos 70 e posterior demolição possivelmente já nos anos 80. Local ermo, isolado e perdido nas profundezas de um bosque, foi cenário de histórias bizarras e possivelmente local de reunião da contra-revolução que no quente Verão de 75 tentava fazer voltar Portugal para uma idade das trevas das quais ficaram sombras que hoje nos assombram.

O caminho prossegue então para a Ponte de Palheiro e daqui para a Estrada da Geira, que percorremos no sentido contrário para regressar ao Campo do Gerês.

Antes de terminar, não posso deixar de comentar algo que vimos acontecer nesta via neste final de manhã. Por nós passram dezenas de veículo todo-terreno a alta velocidade naquela via toda esburacada e muitos deles sem diminuir a velocidade à vista de quem por ali caminhava tentando desfrutar de um cenário único do nosso país. Parece-me que a cada dia que passa há mais gente com direitos do que com deveres e principalmente sem terem o mínimo de empatia pelo outro.

Espanta-me também, ao longo das horas que por ali caminhamos, não termos visto qualquer veículo do ICNF, da GNR ou de alguma autoridade que pudesse impor algum respeito naquilo que se passava.

São estes casos que tornarão perigosa a reabilitação daquela via se não se colocarem sistemas de controlo de velocidade tal como o ICNF impõe.

Ficam algumas imagens do dia...























Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)