quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Um ano em Carris!!!


Carris, 18 de Dezembro de 2002

Certo dia, após tomar uma refeição no final de mais uma subida a Carris e enquanto arrumava o material pessoal, deparei-me com a presença de um jovem belga por aquelas bandas. O facto de encontrar alguém em Carris não seria nada de especial, não fosse o caso de a pobre criatura me vir dizer que 'morava' ali. Bem, confesso que na altura a vontade de rir foi grande...

Aparentemente o jovem pretendia ficar por aquelas paragens por um ano!!! "Mas, o que é que tu vais comer?" perguntei-lhe eu, para nem falar dos Invernos lá em cima. A sua resposta foi quase de levar às lágrimas... então não é que o homem queria que eu lhe enviasse galinhas para criar em Carris (só faltavam vir de capacete e eram galinhas mineiras...). "Não sei como funcionam os serviços postais na Bélgica, mas acho um pouco complicado o carteiro te entregar as galinhas aqui"... só um bocadinho complicado!!!.

O rapaz já ali se encontrava há mais de uma semana e até então havia se alimentado de plantas silvestres (tinha um pequeno livro ilustrado e tudo!!!) e das conservas que os visitantes de Carris lhe iam deixando )já tinha uma bela colecção de latas lá no seu canto... ).

Lembro-me de que nessa noite caiu um temporal digno de Inverno (isto em pleno Agosto de 1998) e no dia seguinte lá lhe tentei chamar à razão e ver que não aguentaria muito tempo ali sem roupa adequada e sem uma tenda!

Bom, obviamente que não passou um ano em Carris e nem mais uma semana pois os Guardas da Natureza do Parque Nacional da Peneda-Gerês foram buscar o rapaz no dia seguinte... consta-me que depois queria ir para África... boa viagem meu caro!

Fotografia © Rui C. Barbosa

...ad eternum.


Carris, 8 de Maio de 1994

A montanha lá se encontra, firme e eterna para nós...

O tempo vai deixando as suas marcas, cicatrizes pelo Homem... ele não é eterno.

Somos sempre efémeros na nossa presença... e ela sempre olha para nós... mas não por nós!

O tempo vai deixando as suas marcas, mas também as ajuda a apagar... mas a montanha lá se encontra, eterna para nós... ad eternum.

Fotografia © Rui C. Barbosa

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

...amigos de armas (lista actualizada a 28 de Janeiro).


Carris, 23 de Fevereiro de 1991

Ao longo destes mais de 17 anos de subidas e caminhadas a Carris, muitos foram os que compartilharam comigo os dias se sol e calor, de chuva, neve e frio, as noites de Verão ao relento, as gélidas noites de Inverno, as belas paisagens do Gerês, os dias de nevoeiro, as caminhadas à noite, as caminhadas de dia, muitas aventuras...

Esta é a minha homenagem e agradecimento por esses bons momentos (se faltar alguém é só avisar que eu actualizo a lista!)... Estão registados 159 nomes!!!

Adão Silva
Adrien Mathurin
Águeda Silva
Alberto Antunes Soares
Alberto Dias Pereira (aka Bértinho)
Alberto Silva
Alexandra Moreira
Alexandre Aibeo
Alexandre Doursont
Alexis Rudelle
Alice Ferreira
Alice Johnson-Marshall
Amália Cristina Corrente
Ana Carina Ferreira
Ana Carolina Forte
Ana Filipa Calado
Ana Lúcia Brantes
Ana Luísa Pires
Ana Rita Jorge
Ana Sofia Basílio
Anabela Cardoso
André Lopes
Andreia Forte
António Braga (aka Tone)
António Morais
Bárbara
Bárbara Duarte
Barbara Susaynska
Bartolome Vizoso Estrades
Beatriz Matas Escobar
Bruno Andrade (aka Cheese)
Cândida Pinto
Carla Bacelar
Carla Leal
Carla Micaela Braga
Carla Sequeira
Carlos Costa
Carlos Mendes
Catarina Isabel Corrente
César Costa
Cláudia Castro
CrisTina
Cristina Cardoso
Cristina Cunha
Cristina Fernanda Pinheiro
David Jacobs
Davide Almendra
Débora Moura
Deborah Antoine
Diana Gonçalves
Dina Hodurek
Dino
Diogo Silva (aka Kao)
Diogo Vale
Dorota Szostek
Duarte Pacheco Pereira
Dulcídio Mendes
Édson Sá Cardoso
Ema Martins
Emanuel Costa (aka Zézinho)
Estefânia Lima (aka Fani)
Eva Margarida Duarte (aka Guida)
Fernanda Lima (aka Nanda)
Fernando (aka Galego)
Fernando Miguel Gomes
Filipa Alexandra Pereira
Filomena Costa (aka Mena)
Flávio Dias
Fred
Frederico Matos (aka Kikho)
Gilles Nadler
Hélder
Herlander
Hilde Diels
Hugo André Magalhães (aka Pirri)
Inês Silva
Íris Saraiva
Isabel Marques
Iwona Latwinska
Javier Gozalo Cruces
Jeroen Wills
Jessé Abina
Joana Gabriela Dias
Joana Lopes
João Batista Varela
João Carlos Costa (aka Litos)
João Nuno Soares
João Pedro Carrilho
João Ricardo Leite
João Silva (aka Minhoquinha)
Jorge Cardoso
Jorge Miguel Grilo
Jorge Pereira
Jorge Silva (aka Yorga)
José Afonso Duarte (aka Zé Afonso)
José Almendra
José Arteiro
José Barbosa (aka Zé Grande)
José Fonseca (aka Xô Doutor / 18 e meio!)
José Lourenço (aka Sêcas)
José Manuel Cardoso
José Manuel Lourenço
José Miguel
José Pedro Gonçalves
José Ribeiro
Karolina Niewiadowska
Lúcia Cardoso
Lucie Barrau
Luís Filipe Guerra
Luís Gonçalves
Luís Monteiro
Luís Silva
Mafalda Campos
Mafalda Melro Moreira
Manuel Dias Pereira (aka Nele)
Marco
Marek Zmrzlik
Maria Conceição Gomes
Maria Fernandez González
Maria José Ferreira (aka Zéza)
Maria Julieta Barbosa
Maria Teresa Sobreira
Mariana Caldas
Mariana Loureiro
Mariana Ribeiro
Marta Campos
Max Herrmann
Nádia Patrícia Cabral
Natalia Koszeska
Nuno Duarte
Óscar
Patricia Bolano González
Patrícia Cardoso
Paulinho bué
Pedro Almendra
Pedro Barbosa
Pedro Casais Baptista
Pedro Jorge
Pedro Sé Menezes
Renata Almeida
Ricardo Dias Pereira
Ricardo Gonçalves
Ricardo Manuel Batista
Ricardo Rodrigues
Ricardo Saraiva
Rita Assunção
Róbert Joanovits (aka Obo)
Rui Salsa
Rui Vaz (aka Medalhinhas)
Salvatore Sappupo
Sandra (aka Galega)
Sandra Fernandes
Sandra Oliveira
Sara Silva
Sérgio Braga
Sérgio Gomes
Sónia Ferreira
Stefanie Woelki
Tânia Lúcia Neto
Tiago Alexandre Lima
Vera Alexandra Baptista

Fotografia © Rui C. Barbosa

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Magnífica desolação...


Carris, 21 de Agosto de 1999

Percorrer o Vale do Alto Homem é quase como entrar nas postas do paraíso. A paisagem é única no nosso país e a cada passo podemos parar e olhar à nossa volta para nos maravilharmos com o que os nossos olhos nos mostram.

O entusiasmo inicial da caminhada lentamente vai-se esvaindo no suor que brota da pele. Mesmo no Inverno a vontade de entar nas lagoas surge por entre o arrepio do frio que penetra pela roupa, sem dúvida lembranças do último Verão...

Passar ao lado do Cabeço do Modorno e da Rocha da Água do Cando é para muitos já um exercício de sacrifício, uma expiação dos pecados das semanas e meses anteriores... Aqui já não se atormenta só o corpo, mas a alma também já se arrepende...

O tormento não termina antes de percorrermos a subida final no sopé de Carris e então, lá no topo, quando todas as forças parecem se juntar para o esforço final, somos absortos pela magnífica desolação que reina perante nós...

Fotografia © Rui C. Barbosa

...um bom banho?


Carris, 6 de Agosto de 2006

Numa das muitas caminhadas a Carris fui juntamente com um grupo de jovens escuteiros (aliás, é ao Escutismo que devo o facto de hoje conhecer boa parte da Serra do Gerês).

Aquela subida em particular acabou por ser uma caminhada difícil já com neve no final e muito frio. Muitos dos que foram não estavam tão bem preparados para a jornada, mas todos conseguiram lá chegar. O nosso espanto foi quando alguém perguntou "Ok! Onde estão os chuveiros?..."

Fotografia © Rui C. Barbosa


segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

O pêndulo...


Carris, 6 de Agosto de 2006

Já por várias vezes me perguntaram o porquê de subir tantas vezes a Carris. Bom, utilizando um chavão quase que poderia sizer simplesmente "... porque está lá!" Porém, a verdade é que Carris exerce sobre quem o visita um poder algo misterioso (?)... A vontade de lá voltar torna-se uma necessidade, um vício e caminhar pelas suas ruínas uma droga que nos acalma a alma...

É como se fosse um chamamento, como se a montanha chamasse por nós e nós somos atraídos por aquele lugar... fazemos uma peregrinação quase repetitiva numa orgia de sentimentos e sensações, buscando a adrenalina por entre as rochas do caminho...

...sim, é verdade... a montanha chama por nós... "não ouvem??!!"

Fotografia © Rui C. Barbosa

domingo, 14 de janeiro de 2007

...fora.


Carris, 17 de Setembro de 1994

...e lá voltamos na esperança de encontrar algo novo, um novo ímpeto para as semanas que se seguirão. Mas corremos sempre o risco de encontrar algo que deixamos lá ficar... da última vez...

Fotografia © Rui C. Barbosa

sábado, 13 de janeiro de 2007

...dentro.


Carris, 13 de Abril de 2004

Caminhar até Carris dá-nos a oportunidade de olhar para dentro de nós mesmo... dá-nos tempo para pensar, reflectir... coisa que por vezes não fazemos muito...

Fotografia © Rui C. Barbosa


sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

Vento Norte


Carris, 11 de Janeiro de 2003

Somos chegados ao topo e as horas de cansaço ficam para trás... Cresce dentro de nós uma sensação de que conseguimos algo, algo que não conseguimos definir... "...custou, mas cheguei!!!".

Olhamos à nossa volta e a paisagem parece-nos desoladora... destruição, ruínas... O nosso olhar, ainda turvo pelo cansaço e empapado pelo suor que teima em cair da testa, tenta captar algum sinal que nos alegre o espírito... no grupo cada um de nós está sozinho perante a magnífica desolação que reina perante nós...


Se ao final da caminhada planeamos sempre uma festa, uma comemoração de mais uma subida bem conseguida, a verdade é que o cansaço deixa-nos com pouca vontade de o fazer... Para muitos o espectro da descida é martirizante... "Vá lá, a descer custa menos do que subir..." é o que sempre se diz para animar a malta!!

...estamos em Carris e no grupo cada um de nós está sozinho... e o vento norte é tão frio!!!!

Fotografias © Rui C. Barbosa

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

...memórias do tempo.


Carris, ...anos 60?

Por muito que se procure é complicado descobrir algo sobre as Minas de Carris. Mesmo a literatura especializada, da qual confesso não ser leitor assíduo, é escassa nas referências ás minas.

Resta pois procurar por mim e de longe a longe lá surge algo... Carris anos 60?

Fotografia © Rui C. Barbosa

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

A entrada para as Minas de Moria (ou a segunda entrada para as Minas de Carris)


Carris, 11 de Fevereiro de 2002

...pronto, foi só para fantasiar!!! Porque não posso ter o título assim? Adiante!!!...

Certo dia falaram-me de uma segunda entrada para as Minas de Carris e óbviamente que não descansei enquanto não a encontrei. A descrição da sua localização dava boas pistas para a encontrar, mas no terreno a situação foi mais complicada. Finalmente, consegui descobrir a segunda entrada para as Minas de Carris num frio dia invernal em Fevereiro de 2002.

Não a esperem descobrir perto da entrada principal da mina. Aceder a esta segunda entrada implica ter de andar mais um pouco e mesmo depois de lá chegar tem de se procurar. A entrada está protegida por uma grade o que não deixa de ser curioso, pois ali só irá quem na realidade está à sua procura... ao contrário da entrada principal que por si só representa um grande perigo para quem lá deambula...

Fotografia © Rui C. Barbosa

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

Tenho saudade...


Carris, 14 de Agosto de 1994

Tenho saudade de estar em Carris.
Tenho saudade de andar na montanha.
Tenho saudade do seu cheiro.
Tenho saudade do frio da montanha no Inverno.
Tenho saudade do seu calor no Verão.
Tenho saudade de ter sede na montanha.
Tenho saudade de '...apanhar um escaldão!'
Tenho saudade de ouvir o vento na urze.
Tenho saudade de ouvir a música de Carris (descubram lá esta!!!).
Tenho saudade das paisagens do Gerês.
Tenho saudade do peso da mochila.
Tenho saudade de suar.
Tenho saudade de sentir os pés doridos de tanto caminhar.
Tenho saudade de cair nas rochas e de rodopiar no chão...
Tenho saudade de subir ao Pico da Nevosa e de ver ao longe o Borrageiro.
Tenho saudade de beber a água do rio.
Tenho saudade de sentir os dentes quase a partir ao beber a água gelada no Inverno.
Tenho saudade das dores de cabeça por causa do vento frio e de não sentir os dedos gelados.
Tenho saudade de sentir a roupa humida do suor.
Tenho saudade de mergulhar nas lagoas a caminho de Carris.
Tenho saudade de ser ofuscado pelo Sol da manhã na montanha.
Tenho saudade de sentir o calor da fogueira à noite.
Tenho saudade de sentir o frio a entrar pelas costuras do saco cama.
Tenho saudade de dormir ao relento no granito quente.
Tenho saudade de ver as estrelas à noite em Carris.
Tenho saudade de mandar calar alguém porque está sempre a perguntar se ainda falta muito.
Tenho saudade de desmoralizar alguém ao dizer-lhe: '...vês?! Ali é o meio do caminho!!!!'
Tenho saudade de deambolar por entre as ruínas.
Tenho saudade de ver para que raio servia aquilo e aquilo???
Tenho saudade de tentar descobrir o que está diferente.
Tenho saudade de pensar que já só falta a última subida... e que no fim apetece andar mais...
Tenho saudade de chegar a Carris e ver alguém contente... porque chegou ao fim...
Tenho saudade de mergulhar na lagoa de Carris e ter pressa de lá sair!!!
Tenho saudade de me sentir no meu lugar pela imensidão da serra
Tenho saudade de compartilhar mais uma caminhada com os amigos...

...não sei se vou esperar tantas semanas pela número 100!!!

Fotografia © Rui C. Barbosa

sábado, 6 de janeiro de 2007

A vigía.

Carris, 27 de Fevereiro de 2005

Silhueta traçada no céu, ao longe o Pico da Nevosa vigia, silenciosamente, Carris...

Fotografia © Rui C. Barbosa

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

...à medida que a montanha envelhece...

Carris, 20 de Dezembro de 2005

Cada ida a carris é como a primeira vez... há sempre algo de novo para descobrir, um novo pormenor que nos escapou da última vez. Por outro lado é sempre tudo diferente, mesmo aquelas silenciosas ruínas nos parecem distintas... infelizmente cada vez mais ruínas... Não tanto pela voracidade do tempo e da Natureza, pois à medida que a montanha envelhece ela vai reclamando aos poucos o que em tempo idos foi seu...

Na conquista da montanha o Homem tem de deixar a sua marca... quer seja a sua assinatura, a sua marca particular ou a sua vontade de tudo destruir. Mas destruir para quê? Mas destruir... porquê?

...à medida que a montanha envelhece ela vai reclamando aos poucos o que em tempo idos foi seu...

Fotografia © Rui C. Barbosa

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

...e tocar o céu.


Carris, 11 de Janeiro de 2003

...os últimos 500 metros são os mais difíceis quando o cansaço já aperta, mas dentro de nós cresce a sensação de poder esticar o braço e tocar o céu.

Fotografia © Rui C. Barbosa