sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Curral de Cabana Grande e Curral de Vale do Concelho


A Serra do Gerês é um imenso território que, apesar de inserido no Parque Nacional da Peneda-Gerês há já mais de 45 anos, ainda tem muito para nos dar. São muitos os segredos ali escondidos, verdadeiros tesouros da milenar presença do Homem que foi moldando a montanha. Aqui que hoje vemos do Gerês é o resultado de uma relação simbiótica que foi forjada ao longo de séculos.

Nos nossos dias, e nas lonjuras das profundezas serranas, encontramos espaços que em tempos foram usados para guarda dos rebanhos e para a plantação do centeio. Muitos ainda usados, muitos mais perdidos nas brumas dos tempos. Da mesma forma, e à medida que a memória se desvanecem vai-se perdendo um património que jamais se conseguirá recuperar. Infelizmente, e ao fim de 45 anos, o Parque Nacional da Peneda-Gerês pouco terá feito para conservar esta memória! O Homem, e a sua presença constante, são factores indissociáveis da serra!

Como referi, muitos destes currais serranos encontram-se abandonados. Dois exemplos podemos encontrar perto do Alto de Carris e perto do Curral das Abrótegas. Vejamos o seguinte mapa extraído da Folha 31 da Carta Militar de Portugal.


Na zona da Ponte das Abrótegas são visíveis dois currais. O curral assinalado imediatamente antes da ponte é o Curral das Abrótegas (ou Curral do Armando Espada). No entanto, até à pouco tempo não sabia a designação do curral que se localiza umas dezenas de metros mais adiante.

Recentemente, e graças ao Ulisses Pereira, tive a oportunidade de conversar um pouco com João Baptista, um dos pastores de Cabril e com Márcio Azevedo, Presidente da Junta de Freguesia de Cabril. Ora nesta conversa tive a oportunidade de ficar a conhecer um pouco mais da microtoponímia da Serra de Cabril e foi no decorrer de animada conversação de fiquei a saber que o curral logo após o Curral das Abrótegas é o Curral de Cabana Nova.



Aproveitei o ensejo para tentar desbravar o segredo de um curral desconhecido que se localiza no sopé do Alto de Carris a caminho do Curral da Amoreira. Este curral e o respectivo forno já alagado, encontram-se cobertos quase na sua totalidade pela vegetação que foi vencendo a longa luta na recuperação do seu antigo espaço. Assim, este poderá ser o Curral de Vale do Concelho, topónimo que escutei pela primeira vez em Cabril e sobre o qual nunca obtive qualquer informação anterior.


E é assim que aos poucos e poucos se vai escrevendo e registando a memória da Serra do Gerês!

Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

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