Os dias continuam de chuva nas Minas dos Carris.
Os tons da personalidade selvagem da Serra do Gerês estão muito bem representados na paisagem que acompanha a rudeza granítica de Borrageiros, descendo para a Cigarra e para o Corgo das Mestras onde se esconde de atalaia o Curral das Mestras.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
Tendo somente como companhia o colosso granítico a Nascente, o Curral de Borrageiro com o seu forno pastoril é a perfeita definição dos longos dias de solidão na Serra do Gerês.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
Descansando por entre os carvalhos da Mata de Albergaria existe uma pequena e despercebida ruína que guarda uma peculiar história.
Confundida com um abrigo pastoril, é de facto a ruína da velha Ermida de S. Miguel, relatada por Tude de Sousa em "Serra do Gerez - Estudos, Aspectos, Paizagens", de 1909, o primeiro regente florestal do Gerês diz-nos:
"Para lá de Albergaria e Ponte Feia e antes da Portella, em uma pequena chã, ha restos ainda de paredes de modesta construcção, que parece ter sido em tempos uma capella dedicada a S. Migue.
A chã se chama o Curral de S. Miguel; curral, por ser aproveitada na reunião de gados em pastoreação; de S. Miguel pela visinhança da ermida.
Diz-se que «havendo interdicção no reino, os moradores d'aqui construiram uma capella dedicada a S. Miguel em território gallego, para ouvirem missa e que, findo o interdicto, a mudaram para aqui. Depois, como este sítio era ermo e remoto, demoliram a capela, levando o Santo para a Nossa Senhora das Mercês, de Villarinho.
»Parece que este interdicto foi o que teve lugar no anno de 1267, reinando D. Affonso 3.º»"
Assim, quando voltarem a visitar a Portela do Homem, estacionem o carro no espaço da fronteira e façam um pequeno passeio, descendo a estrada em direcção ao Rio Homem. A uns 400 metros à vossa direita irão ver o Curral de S. Miguel guardado pelas silenciosas ruínas da ermida que em tempos remotos ali existiu.
Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
As diferentes paisagens do Vale do Alto Homem durante o ano de 2020.
Vídeo © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
A semana irá continuar com chuva nas Minas dos Carris, apenas com uma pequena trégua a 27 de Janeiro.
A Associação Para o Desenvolvimento de Pitões das Júnias criou uma página na rede social Facebook que pode ser visitada aqui.
Passe por lá e deixe o seu 'gosto'.
A APDP – Associação Para o Desenvolvimento de Pitões – foi criada em Fevereiro de 2015 e surgiu da necessidade de promover actividades e desenvolver projectos que visem a preservação do património imaterial local. A APDP tem como objectivo promover a cultura do povo de Pitões das Júnias, motivando e envolvendo os habitantes. Em paralelo pretende criar infraestruturas adequadas às características da população e dos eventos a concretizar.
A população de Pitões possui características únicas e muito particulares. Estas devem-se ao facto de a aldeia, Pitões das Júnias, estar situada a cerca de 1.200 metros de altitude, no extremo norte de Portugal, dentro do Parque Nacional Peneda-Gerês, no concelho de Montalegre, região de Barroso, Trás-os-Montes. Além disso, o seu clima inóspito do inverno e a consequente imigração contribuíram para que a aldeia conservasse a sua pequena população.
A sua origem remonta aos séculos IX e XI, muito análoga à origem do Mosteiro de Santa Maria das Júnias.
A página oficial da associação é aqui.
A Geira Romana após a sua passagem pela Corga do Gavião, Serra do Gerês.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
Um artigo do jornal PÚBLICO para ver aqui. Conteúdo exclusivo dos assinantes do jornal.
O rio Homem esbarrou no betão e, sem ter por onde seguir, engoliu Vilarinho. A barragem que a fez desaparecer e o interesse de etnólogos na vida dos furnenses deram fama à localidade. Foi há 50 anos que os últimos habitantes de Vilarinho da Furna (no singular, sim) saíram da aldeia comunitária que viveu sempre a democracia (até durante o Estado Novo).
Fotografia © PÚBLICO (Todos os direitos reservados)
Ao contrário do que tem sido propagado por grupos na rede social Facebook, a intervenção na Mata Nacional do Gerês não é ilegal e está inserida num plano cujo objectivo é diminuir a ameaça dos incêndios rurais e as espécies invasoras.
É um trabalho que demora longos períodos quando se tem por objectivo a reconversão de povoamentos de resinosas em carvalhal. Um carvalhal não se desenvolve em meses, por isso não se espere ver uma mata autóctone regenerada nos próximos tempos.
Fica o esclarecimento do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas sobre os trabalhos em curso:
A Mata Nacional do Gerês, criada em 1888, insere-se no Parque Nacional da Peneda-Gerês e ocupa uma área de 5013 ha, no Concelho de Terras de Bouro, abrangendo a parte superior do vale do rio Homem, até à albufeira de Vilarinho das Furnas e a parte superior do vale do rio Gerês.
O ICNF, entidade responsável pela sua gestão, tem desenvolvido um conjunto de intervenções enquadradas no âmbito do Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês, com o objetivo de diminuir, fundamentalmente, dois fatores de ameaça aos habitats naturais: os incêndios rurais e a presença de espécies exóticas e invasoras.
Neste seguimento, e tendo em vista a execução de faixas de gestão de combustível e eliminação de árvores em mau estado fitossanitário, bem como a reconversão de povoamentos de resinosas em carvalhal, foi recentemente alienado um lote de material lenhoso (Lote nº 01/2019 Mata Nacional Gerês), estando em curso a sua extração. As intervenções desenvolvem-se ao longo da rede viária e têm como principal objetivo a redução do risco de incêndio, através da execução de faixas de gestão de combustível, estando prevista a remoção de espécies resinosas (pinheiros-bravos e pinheiros-negros), com cerca de 70 anos de idade, em mau estado fitossanitário, devido a um forte ataque de escolitídeos, observando-se uma mortalidade significativa.
Considerando que existe, neste local, uma forte regeneração de carvalhos, pilriteiros e padreiros (espécies autóctones) esta intervenção permitirá ainda a reconversão de manchas de resinosas em povoamentos de folhosas.
Em suma, a intervenção em curso permitirá o aproveitamento da regeneração natural e contribuirá para a redução do risco de incêndio, junto à estrada Gerês-Portela do Homem e habitações de Cecelo, e para a valorização e recuperação da flora autóctone. Os trabalhos de abate e retirada do arvoredo em causa são acompanhados diariamente por colaboradores do ICNF.
Fotografia © ICNF (Todos os direitos reservados)
Um artigo do jornal PÚBLICO para ver aqui.
São cada vez menos as aldeias onde se pratica a vezeira no Parque Nacional Peneda-Gerês. Paulo Carvalho, pastor da aldeia comunitária de Ermida, teme que, um dia, se extinga uma tradição ancestral. "Se não aparecer alguém para dar continuidade à profissão, ela vai acabar.”
Fotografia © Carlos M. Almeida via PÚBLICO (Todos os direitos reservados)
O Trilho da Águia do Sarilhão é um percurso de pequena rota que se desenvolve nas proximidades da aldeia de Campo do Gerês. É um percurso circular que se inicia junto do Museu Etnográfico de Vilarinho da Furna, e "estende-se por terrenos aplanados de um vale alargado, por onde passa o Ribeiro de Rodas, entre o Núcleo Museológico e a margem esquerda da albufeira de Vilarinho da Furna. Percorre os aglomerados rurais deste antigo povoado e descortina, por entre os arruados estreitos, os espigueiros e habitações com as suas cruzes cimeiras e varandas com madeiramentos abertas ao logradouro" na aldeia do Campo do Gerês.
O percurso percorre parte da "estrada romana Via Nova XVIII (Geira), com passagem pelas milhas XXVII, XXVIII e XXIX. Nas proximidades da milha XXIX avultam vestígios indeléveis da trincheira do Campo do Gerês e Casa das Peças que serviu de defesa da raia portuguesa nas invasões hostis.
Inserido numa importante área do Parque Nacional da Peneda Gerês, este trilho aproxima-se de outros locais de interesse, como a fraga do Sarilhão, a Mata da Albergaria (Reserva da Biosfera) e a extinta aldeia comunitária submersa de Vilarinho da Furna."
Mais informações sobre o percurso podem ser obtidas aqui e o ficheiro GPX do mesmo aqui.
Em termos pessoais destaco a paisagem sobre a albufeira que esconde Vilarinho da Furna e todo o panorama adjacente da Serra Amarela e da Serra do Gerês, a passagem pelo troço da Geira na Corga do Gavião, o vislumbre da Fraga do Sarilhão e o núcleo rural (Assento) da aldeia do Campo do Gerês.
Algumas fotografias do dia...
Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
O Ramisquedo, Serra Amarela, encimando o Vale do Rio Cabril.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)