Hoje foi um dia onde tive a sorte de, com tranquilidade, observar vários exemplares da Capra pyrenaica.
Após a extinção da C. p. lusitanica no séc. XIX, a subespécie C. p. victoriae Cabrera, 1911 é, desde 1999, a subespécie que ocorre em Portugal.
A espécie tem vindo a registar um aumento da sua área de distribuição e do seu número de efetivos, sem registo de flutuações extremas (Fonseca et al. 2017, Negrões et al. 2022). Contudo, ainda apresenta uma extensão de ocorrência (479 km2) e uma área de ocupação (180 km2) restritas, o que indicia que uma eventual ameaça pode produzir efeitos numa grande parte dos indivíduos que compõem a população.
Em Espanha, segundo o Atlas e Livro Vermelho dos Mamíferos Terrestres de Espanha, a espécie é considerada Quase Ameaçada (NT, Cassinello & Acevedo 2007), contudo, a mais recente avaliação da União Internacional para a Conservação da Natureza atribui à espécie o estatuto de Pouco Preocupante (LC, Herrero et al. 2021).
É uma espécie endémica da Península Ibérica. Outrora representada por quatro subespécies, apenas duas subsistem atualmente, a C. p. hispanica, com distribuição generalizada pelo levante Peninsular, e a C. p. victoriae, com representação no centro-norte da Península Ibérica (Pérez et al. 2002).
A única população nacional encontra-se circunscrita ao Parque Nacional da Peneda-Gerês e resultou da libertação e da fuga acidental de exemplares mantidos em cercados do lado espanhol (Moço et al. 2006). Extensão de Ocorrência estimada em 479 km2 e Área de Ocupação de 180 km2.
Apresenta um comportamento gregário, formando, em regra, grupos unissexuais durante a maior parte do ano. Na época de reprodução, machos e fêmeas juntam-se em grupos mistos cuja dimensão é variável. A idade da maturidade sexual de machos e fêmeas varia espacialmente. Dependendo da sua condição física, podem começar a reproduzir-se entre 1,5 e os 3 anos de idade. A época de reprodução desenrola-se entre os finais de outono e os inícios do inverno. Geralmente, só nasce 1 cria por parto. Os partos gemelares podem ser mais ou menos comuns dependendo da disponibilidade de recursos (Fandos 1991). As relações de hierarquia estabelecidas entre machos, a disponibilidade de recursos e a presença ou ausência de predadores conduzem a uma variabilidade espacial no sistema social da espécie, sendo possível observar grupos mistos no período primaveril e/ou estival. A população não tem enfrentado flutuações extremas nem apresenta uma fragmentação severa. Estima-se que o efetivo populacional da espécie em território nacional não supere os 1000 indivíduos maturos (Fonseca et al. 2017, Negrões et al. 2022).
Texto adaptado daqui!
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)


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