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quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Serra do Gerês - Ao Altar da Geira e às Lamas de Bruites

 


Caminhada num perfeito dia de início de Outono, com uma manhã fresca e uma tarde temperada, que nos levou até a um local que já andava para visitar há uns bons anos.

Iniciamos o percurso na Portela do Homem seguindo depois em direcção à Chã de Calvos, seguindo o caminho florestal. Línguas de nuvens lambiam os altos serranos cobrindo a Encosta do Sol e dissipando-se à medida que iam mergulhando no Vale do Alto Homem. A caminhada pela estrada fez-se em passo contemplativo e silencioso. Reza a história que este caminho iria fazer a ligação com Lindoso, passando na vertente Nascente da Louriça vindo de Ramisquedo e seguindo pela Costeira do Fial até entroncar na estrada florestal que liga Lindoso ao alto da Serra Amarela. Porém, chegando aos terrenos de Vilarinho da Furna, a população desta aldeia mobilizou-se para, nos tribunais, impedir que tal se viesse (felizmente) a concretizar.

A estrada termina junto de um dos muros de traça a serrania já perto da Chã do Corisco. Aqui, tomamos um carreiro mariolado que nos levaria pela Encosta do Fento e atravessar a Corga do Fento. Atravessando a Corga de Ribas, enveredamos na direcção do Portelo das Lamas de Bruites até chegar à Chã do Portinho de Azereiro.






Todos estes espaços, agora profundamente silenciosos, recordam a memória da presença das gentes de Vilarinho da Furna que os utilizava para se deslocarem entre currais no apascentamento dos animais. Hoje são espaços «abandonados» e quase esquecidos onde nem os mapas lhes fazem juz.

Da Chã do Portinho de Azereiro seguimos para os grandes horizontes sobre o Rio Homem, ou na verdade, sobre a albufeira da Barragem de Vilarinho das Furnas. A caminho do marco triangulado do Altar da Geira surgiu um pequeno muro de pedra solta, aparantemente como muitos outros muros que surgem pelas serranias no Parque Nacional. Porém, um olhar mais curioso levou a notar que o muro envolve por completo um alto não muito afastado do Altar da Geira. Mergulhando em momentos especulativos para tentar explicar tal construção, surgiu a ideia de que aquele local poderá ter sido um castro esquecido, eliminando a hipótese de ter sido um colmeal ou uma eira, tanto devido à sia localização como à estrutura do terreno. Como em muitos lugares, a explicação será difícil sem um estudo mais atento do local.






Deixando este ponto, seguimos então para o marco triangulado do Altar da Geira que se encontra já degradado, mas que proporciona uma paisagem magnífica sobre a albufeira da barragem e das montanhas que se empinam até ao Pé de Cabril com o olhar a navegar desde a Mata de Albergaria e dos píncaros das Albas, Cornogodinho e Pé de Medela, passando pelo alto de Bargiela, Pena Longa, Mesas, Redondelo e Fragas do Srilhão e de Cima, esbatendo-se no Pinhote e Picota. Este teria sido um ponto priveligiado de observação da Geira Romana e dos passos medievais que lhe seguiram, fazendo recordar as construções existentes na Sarrinha das Galhetas um par de quilómetros mais adiante.

Após longos minutos de contemplação, prosseguimos a jornada, seguindo na direcção do Curral da Chã do Carvalho - com o seu abrigo pastoril completamente escondido pela vegetação. Após uma já merecida paragem para o almoço, prosseguimos para o alagado Curral das Lamas de Bruites e daqui, iniciamos o regresso ao ponto de partida subindo à Portela de Lamas de Bruites e fazendo desde aqui o percurso em sentido contrário até à Portela do Homem.

Ficam algumas fotografias do dia...














Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

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