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terça-feira, 15 de setembro de 2026

Apontamentos sobre o volfrâmio em Maceira (Serra do Gerês)

 


«Recentemente», e após uma fotografia do Luís Borges, juntamente com o Ricardo Guimarães, enveredei na busca de uma velha ruína algures entre as Tábuas e Carris de Maceira, na Serra do Gerês.

Solitária e enigmática, como muitas velhas construções serranas, a ruína está localizada num local priveligiado na subida para Carris de Maceira, um pouco antes da chegada à chã que abriga o curral com o mesmo nome.

O local onde se encontra está coberto de vegetação rasteira com a típica superfície granítica descomposta de muitas zonas da Serra do Gerês. Na altura, a sua localização levou-me a deduzir que poderia ter sido um abrigo de caçadores, pois a sua configuração quandrangular afasta-se da forma típica dos seculares abrigos pastoris.

No entanto, e em recente conversa com o Sr. António Rebelo, foi-me dito que se trataria de um velho edifício mineiro. Nesta altura, as peças soltas de um puzzle começam a juntar-se!

Lembrei-me que há já alguns anos, o Sr. Álvaro Pontes Oliveira me havia mostrado uma peça metálica semelhante a uma que já havia visto nas Minas dos Carris. Porém, o local da sua «descoberta» era estranho; Pontes Oliveira havia descoberto tal peça ao descer para o Curral de Maceira vindo de Tábuas. Na altura, a coisa não fazia sentido.



Porém, ao consultar a tabela das concessões mineiras solicitadas à Câmara Municipal de Terras de Bouro pela Sociedade Mineira dos Castelos, Lda. no livro "Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês" (Rui C. Barbosa, Dezembro de 2013) - pág. 88 a 91, surgem as seguintes concessões:

- registo n.º 99 (23 de Março de 1943) / 38 (2 de Abril de 1945): Carris de Maceira

- registo n.º 106 (23 de Março de 1943) / 45 (2 de Abril de 1945): Maceira

- registo n.º 169 (23 de Março de 1943) / 99 (2 de Abril de 1945): Maceira 1

Estas, e outras (tal como a evidência que existe na Lomba de Pau), constituíram pequenas concessões mineiras que poderão ter sido exploradas em períodos mais ou menos curtos dependendo dos tamanhos dos vilões volframíticos presentes nos locais.

Tal deve ter acontecido nas encostas sobranceiras em Vale de Maceira, podendo a ruína ter sido parte da "Minas de Carris de Maceira", o que também ajudaria a explicar os muros e o abrigo de pedra solta existentes perto do Curral de Carris de Maceira.

(um agradecimento ao Sr. António Rebelo pela partilha da informação)

Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

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