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sexta-feira, 6 de março de 2026

397... Minas dos Carris

 


Poderia dizer que foi mais uma caminhada às Minas dos Carris seguindo o habitual caminho pelo Vale do Alto Homem, mas as condições meteorológicas neste dia, tornaram-na algo diferente.

De facto, o dia surgiu frio e com muito vento. As árvores dançavam um «twist» frenético e enchiam o ar com o som do seu deslizar etéreo, enchendo-o de folhas e detritos. O termómetro do carro fazia soar o alarme do gelo na estrada. A passagem pela Estrada da Geira foi feita com redobrada atenção, tanto pelos infinitos buracos como pelo vislumbre de um galho mais atrevido.





Curiosamente, ao caminhar pelo vale, o efeito do vento não se fazia sentir com a mesma intensidade. Porém, nas alturas, as nuvens corriam apressadamente desenfreadas para algum lugar. Os cumes vislumbravam-se cobertos de neve e por isso era fácil adivinhar o cenário que me esperaria uma légua mais adiante.

De facto, o cenário branco instalou-se pouco depois da passagem do Modorno; todo o Vale do Teixo, Outeiro Redondo e Água do Cando cobriam-se de branco - era o regresso do Inverno! Nestes cenários, fico sempre agradado pela passagem dos animais que habitam aquelas paragens, pois as suas pegadas com poucas horas ou mesmo minutos, ficam gravadas de forma efémera na paisagem nevada. Entre os pequenos animais e os grandes carnívoros, sei que a minha presença é observada!





A chegada à Chã das Abrótegas trouxe o vento forte e frio que se instalara naquelas paragens agrestes. A acumulação da nevada trazia a ideia da força do vento que no complexo mineiro me faria segurar das pernas. O frio era intenso e estas condições fizeram-me recordar uma passagem do livro "Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês" e as palavras do saudoso Eng. Vergílio de Brito Murta, dizendo "Lembro-me do frio na Mina dos Carris, embora, pela roupa que usávamos e como pode ver por algumas fotos com neve, pareça que não era assim tanto. Aí pelas sete e meia da manhã, nesta época do ano, quando tomava o pequeno-almoço com o nosso «meteorologista», tenente Silva Pereira, ele sempre me informava que a temperatura estava entre menos 6ºC e menos 8ºC, e que o termómetro de máxima e mínima existente no nosso «observatório» marcava, às vezes, menos 17ºC, durante a noite, claro... Isto quando o vento e a neve lhe permitiam acesso ao local, para verificar. Eu não sei se o tenente informava os Serviços Meteorológicos Oficiais e se haverá ainda dados arquivados.”

Naquele cenário, num dia onde os Pitonenses disseram ser dos mais frios que tinham memória, abriguei-me por entre as ruínas com o tempo suficiente para mudar de roupa e comer algo, antes de visitar a Estação Meteorológica Experimental dos Carris para remover o gelo acumulado. Num cenário «extremo», decidi então encetar o regresso e deixar de novo as ruínas solitárias das Minas dos Carris.

Ficam algumas fotografias do dia...















































Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

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