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quarta-feira, 31 de março de 2021

Estudo sobre a identidade e imagem de Melgaço

 


Pedia que colaborassem neste estudo realizado pela Sónia Nogueira.

Este estudo visa aferir a identidade e imagem do destino Melgaço por parte dos vários turistas e visitantes da região. O objetivo será a recolha de informação o mais fidedigna possível de forma a poderem ser propostas e implementadas medidas para a melhoria da atratividade da região.

Está a ser desenvolvido pelo Centro de Investigação REMIT, da Universidade Portucalense no âmbito de um projeto de pesquisa em Marketing.

O questionário é de natureza confidencial e o seu preenchimento não lhe tomará mais de 5 minutos.

O questionário pode ser respondido aqui.

Serra do Gerês - Entre milhas até à Ponte de Palheiros

 


Pequena caminhada através da Estrada da Geira entre as milhas XXX e XXXII pela Mata de Albergaria, Serra do Gerês.

Uma tarde com temperatura amena e um vento a fazer dançar as ramadas que se vestem de tons de Primavera. Aproveitando os últimos momentos de sossego perante a invasão que virá dentro de dias.

Comecei o percurso em Berbezes, Bouça da Mó, onde se encontra a informação sobre a Milha XXX. Nesta zona, em 1992, foram exumados os restos de uma mutatio e dois marcos miliários. Um apresentava-se quase totalmente soterrado, erecto, podendo por isso estar in situ. Outro encontrava-se incorporado num dos antigos muros dos campos de Vilarinho da Furna. Entre as milhas XXX e XXXI, a quase totalidade do trajecto da Geira foi coberta pela estrada florestal de terra batida criada pelos Serviços Florestais.

Na tranquilidade da mata continuei a caminhar até passar o Ribeiro do Predredo e assim chegar à Milha XXXI. Localizada no Bico da Geira, apresenta magnificas evidências da forma como os miliários eram extraí­dos dos afloramentos graní­ticos, distinguindo-se num deles as marcas rasgadas para a implantação das cunhas em madeira, tendo o trabalho sido abandonado já depois de terem sido abertas as cunheiras. Ainda hoje se observa um esboço de miliário que nunca chegou a ser completado.

Neste local, para além da pedreira de onde foram retirados os miliários, foi exumado um conjunto de 21 miliários, dos quais sete conservam as inscrições: Adriano (117-138), Décio (249-251), Caro (282-283), e Licí­nio (308-324). De realçar que aqui foi também encontrado um pequeno miliário semi-enterrado, que conserva traços de pintura a ocre. Perante esta evidência é possí­vel que também os outros miliários fossem, regularmente, pintados. Para além dos miliário e da pedreira, observam-se restos de uma calçada com pedras bem fincadas, de forma a facilitar a passagem da Ribeira de Pedredo que desce da montanha. Nesta zona a via já transcorre a Mata de Albergaria, um imponente carvalhal, onde também se notam inúmeros azevinhos. De novo, o traçado do caminho romano desta milha à seguinte foi coberto pela estrada florestal.

Na Milha XXXII, situada na Volta do Covo, conservam-se 23 miliários, dos quais 16 são anepí­grafes. A bibliografia refere 7 miliários com epí­grafes. Um de Adriano (117-138), datável do ano 135; dois de Maximino e Máximo (235-238), datáveis do ano 238; um de Décio (250); um de Caro (282-283); um de Magnêncio (350-353) e outro de Decêncio (351-353).

Não é possí­vel afirmar que os miliários se encontrem in situ, já que teriam sido agrupados, provavelmente, quando se abriu a estrada florestal, tanto mais que parte deles estão junto a uma estrutura muito tardia, já referida por Mattos Ferreira. 

Na Volta do Covo tomei um carreiro que vai descendo em direcção ao Rio Homem e que passa pelos restos de uma ruína não identificada, até chegar à Ponte de Palheiros no limite da Zona de Protecção Total. Sobre a ponte, observa-se o esplendor da Mata de Albergaria com os recém chegados tons primaveris e o perfil altivo de Pena Longa.

Depois de uma curta pausa para um café, o regresso fez-se pelo mesmo trajecto.















Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Paisagens da Peneda-Gerês (DCCCXCVII) - Corga do Fento

 


A Corga do Fento fica localizada nos limites entre a Serra do Gerês e a Serra Amarela.

Na delimitação do perímetro florestal da Serra do Gerês, o marco geodésico das Eiras (no topo não visível à direita na fotografia) marcava um dos limites dos terrenos submetidos à gestão do Estado.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

O abrigo na solidão da corga

 


A Serra do Gerês surpreende-nos por muitas vezes que vemos a mesma coisa e por vezes o que vemos mais que uma vez, surpreende-nos ainda mais.

Os restos do abrigo que se vê na imagem em cima encontram-se numa pequena corga perdida por entre a vicissitude das reentrâncias geológicas da Serra do Gerês - da Portela de Amoreira ao Outeiro da Meda. De facto, naquela zona não existe nenhum motivo aparente para a construção de um forno pastoril ou mesmo de um abrigo de contrabandistas, e olhando para o entorno só poderemos imaginar as razões que terão, certo dia, levado alguém a construir aquele abrigo naquele lugar esquecido do mundo.

Como este, existem muitos exemplos de construções «perdidas» pela serrania Geresiana e que são peças de um puzzle que jamais se conseguirá completar. São marcas da história da presença milenar do Homem nestes territórios e que alguns ignorantes e mal-informados, por vezes opinam que devem ser destruídas para «preservar» o entorno natural.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

terça-feira, 30 de março de 2021

Serra do Gerês - Redondelo e Bostelo

 


O Redondelo é um alto não muito afastado do Campo do Gerês e pelo qual passei muitas vezes, mas sem tentar o «assalto» ao seu alto. Coisas do "da próxima vez..." Bom, foi desta...

Um dia nublado, mas com uma temperatura agradável e por vezes um vento para refrescar a memória para nos lembrar que o Inverno não se foi embora há muito.

Deixando a aldeia e seguindo pela Cerdeira, iniciei a subida pela encosta que me levaria a passar perto da Fraga do Sarilhão e da Fraga de Cima. Na verdade, e segundo a Carta Topográfica 30, a subida é já feita pela encosta de Redondelo que termina num píncaro granítico de acesso relativamente fácil. Daquele alto a paisagem é magnífica com todo o esplendor da vertente Sul da Serra Amarela a descer para a albufeira da Barragem de Vilarinho das Furnas e o término da Geresina serra vinda do Nascente. Ainda à nossa direita, quando estamos voltados para a Serra Amarela, afunda-se o Covelo e eleva-se o fraguedo que vai encimar primeiro nas Mesas e depois nos espigões do Pé de Cabril.

Deixando o Redondelo para trás, segui em direcção aos Prados e depois de passar a Fenteira do Prado, entrei na Manga da Tojeira e Vale do Meio, descendo depois para a Casa Florestal de Junceda, local de paragem para um pequeno descanso e reforço.

Iria regressar ao Campo do Gerês seguindo o traçado da GR50 Grande Rota da Peneda-Gerês, mas logo depois de entrar na Chã de Junceda, decidi seguir na direcção do Curral de Bostelo passando pela Boca do Rio e perto da Fraga Que Fala. Em Bostelo, segui pelo carreiro que me levou até ao traçado da GR50 e desci pelo Coval até junto do marco miliário na Estrada Nacional N307, chegando logo a seguir ao Campo do Gerês.

Ficam algumas fotografias do dia...
























Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Grande Rota da Peneda-Gerês - Onde dormir, onde comer e táxis

 


Nos últimos dias publiquei três textos com informações muito úteis para aqueles que aceitarem o desafio de percorrer a GR50 Grande Rota da Peneda-Gerês.

As informações disponibilizadas nesses textos estão relacionadas com locais de dormida / pernoita, locais de alimentação / abastecimento, e serviços de táxis para transfer (se necessário).

A informação institucional sobre a GR50 pode ser encontrada aqui.

Os locais que eu recomendo para dormida / pernoita podem ser encontrados em "Onde dormir".

Os locais que eu recomendo para alimentação / abastecimento podem ser encontrados em "Onde comer".

Os serviços de táxi / transfer podem ser encontrados em "Serviços de táxi/«transfer»".

Estas listas irão sendo actualizadas consoante a informação se torne disponível.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Verdadeiros pedaços de História

 


Quando voltas para casa de uma caminhada com o coração cheio, as pernas cansadas e um peso extra na mochila.

Verdadeiros pedaços de história escondidos na Serra do Gerês e que agora serão entregues para estudo por quem sabe.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Paisagens da Peneda-Gerês (DCCCXCVI) - Porta do Sol (Castelo de Castro Laboreiro)

 

A principal entrada do Castelo de Castro Laboreiro, a Porta do Sol, Serra da Peneda.

A praticamente 1000 metros de altitude, e localizado em pleno sistema montanhoso da Peneda-Gerês, numa linha interior da fronteira entre o Alto Minho e a zona de influência de Ourense, o castelo de Castro Laboreiro é um dos mais emblemáticos monumentos militares nacionais, mais pela localização geográfica aberta aos planaltos galegos, que pela sua pretensa importância no quadro da história militar portuguesa.

As suas origens são-nos completamente desconhecidas, mas a maioria dos autores que se lhe referiram coincide no facto de a fortaleza ter desempenhado importantes funções desde a primitiva (re)conquista do território. É desta forma que podemos compreender a ligação da família condal de D. Hermenegildo à fortaleza, na primeira metade do século X e em consequência do chamado repovoamento de Afonso III. As escavações aqui efectuadas, na década de 70 do século XX, revelaram materiais da Alta Idade Média, esperando-se, para breve, conclusões mais objectivas acerca desse espólio (LIMA, 1996, p.89, nota 21).

No século XII, no âmbito da afirmação de Portugal como reino independente, a vila de Castro Laboreiro foi alvo de constante atenção por parte de D. Afonso Henriques, cujo castelo conquistou em 1141. Desconhecemos quais as obras então patrocinadas e a organização estrutural adoptada. Deveria compor-se de um pátio interior com torre de menagem isolada, à maneira dos castelos românicos, mas as múltiplas transformações porque passou levaram à total reformulação dessa primitiva estrutura.

Cento e cinquenta anos depois, no reinado de D. Dinis, teve lugar a reforma que conferiu o aspecto geral que a fortaleza ainda mantém e que, por essa altura, estaria parcialmente arruinada (ALVES, 1987, p.67). Se a acção deste monarca no Alto Minho é mais conhecida pela criação de póvoas ribeirinhas ao longo do curso final deste rio, a campanha do castelo de Castro Laboreiro testemunha, por outro lado, a atenção que a raia seca mereceu à coroa, fruto de um reinado que concedeu especial importância à defesa activa do território.

O projecto então concebido compôs-se de dois recintos muralhados, de dimensão e funcionalidade diversa. No topo, muito provavelmente correspondendo ao primitivo reduto do século XII (ou anterior), edificou-se o núcleo principal, com torre de menagem e cisterna, que corresponde ao verdadeiro centro militar do conjunto. Para Sul, um segundo recinto, de maior amplitude e acessível apenas por uma porta, servia para "recolher gados e bens em épocas de invasão" (ALMEIDA, 1987, p.182). Esta característica parece ser única no nosso país e prova como a actividade ganadeira foi primordial na vivência das comunidades serranas medievais de Castro Laboreiro.

A descrição que Duarte d'Armas fez da fortaleza, nos inícios do século XVI, mostra um castelo altaneiro perfeitamente isolado do povoado, este situado a uma cota consideravelmente inferior. O núcleo militar era reforçado por cinco torres quadrangulares (incluindo a de menagem), e possuía duas portas, a do Sol, que levava ao interior do recinto maior, e uma outra que colocava em comunicação os dois redutos.

Parcialmente reformulado ao longo da Idade Moderna, o castelo de Castro Laboreiro não mais voltou a ser alvo de um programa reformador do mesmo nível do projecto dionisino. Nas guerras de armas de fogo, Laboreiro foi importante apenas pela sua localização estratégica, numa zona interior de difícil acesso. Os próprios caminhos do restauro do Portugal novecentista relegaram a fortaleza para segundo plano. Quando, por todo o país estado-novista, os castelos eram objecto de intervenções que visavam a recuperação de uma suposta originalidade medieval, actuando, por essa via, como elemento de propaganda do próprio regime, Laboreiro permaneceu à margem desse vasto processo, decorrendo os indispensáveis trabalhos de restauro numa data já tardia (1979-1980) e tendo-se limitado a actuações de consolidação e de reforço estrutural, sem adulterações assinaláveis.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

segunda-feira, 29 de março de 2021

'Indagatio' apoia plantação de medronheiros na Serra do Gerês

 


A INDAGATIO é uma marca portuguesa de artigos concebidos para a montanha, criada para quem vive a natureza e não para quem apenas a visita.

Mas desde o seu início que havia a intenção de ser mais que uma marca de vestuário.

A natureza e o seu equilíbrio são a sua inspiração e o apoio, e promoção duma relação harmoniosa entre a sociedade e natureza uma das suas prioridades, daí terem feito o donativo do dinheiro angariado na última ação Black Friday à promoção da plantação de mil medronheiros no único Parque Nacional português, o Parque Nacional da Peneda-Gerês, em parceria com o ultramaratonista Carlos Sá.

Estes medronheiros vão ajudar a recuperar a paisagem e combater as espécies invasoras que abundam no Vale da Vila do Gerês.

Na realização do evento participaram afincadamente os representantes da marca assim como o próprio Carlos Sá.

Esta iniciativa do dia 26 de Março de 2021, decorreu em área do Baldio de Vilar da Veiga, tendo as árvores sido cedidas pelo ICNF e ajudado à realização do evento a equipa de sapadores 05-112 pertence à Associação Florestal do Vale do Homem e representantes do Agrupamento de Baldios da Serra do Gerês. 

Todos juntos podemos fazer a diferença e esta foi a primeira de muitas iniciativas a realizar.


Fotografias © Pedro Caldas (Todos os direitos reservados)