segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Trilho do Javali e Pequena Rota de Germil com a Associação Péd'Rios


Em colaboração com a Associação Péd'Rios teve lugar um fim-de-semana de montanha na aldeia serrana de Germil, nas encostas da Serra Amarela.

O evento contava com a realização de dois pequenos percursos nas proximidades da aldeia: o Trilho do Javali (no dia 1 de Fevereiro) e o Trilho de Germil 'PR6 PTB' (no dia 2 de Fevereiro). Tendo em conta as previsões meteorológicas para o dia 1, foi decidido cancelar a realização do Trilho do Javali, pois as condições do terreno não permitiam o seu percurso em segurança e a beleza do traçado não estaria no seu esplendor com a chuva, vento forte, nuvens baixas e nevoeiro.

Porém, e após uma noite invernal, o dia 2 amanheceu com o céu a limpar-se de nuvens e mesmo o vento forte que soprava com rajadas pela manhã acabou por se dissipar, permitindo assim aos participantes desfrutar da beleza das paisagens da Serra Amarela e da aldeia de Germil ao percorrer o traçado do Trilho de Germil.

O Trilho de Germil é um percurso de pequena rota com uma extensão de cerca de 8 km que se desenrola nas encostas da Serra Amarela, Ponte da Barca. De forma geral, é um percurso fácil que pode ser dividido em três partes: a aldeia de Germil (visitada no princípio e final do percurso), de forma geral a Costa do Eido, e o bosque sobranceiro a Germil. Sendo um percurso paisagístico e etnográfico, tem como principais aspectos a aldeia de Germil, o Miradouro do Fragão e a Cascata Portavense (que não fazendo parte do percurso são de fácil acesso), o Chão de Relva, a paisagem montanhosa de Germil com os seus socalcos, a Mamoa de Giadela, o fojo do lobo de Germil e o bosque sobranceiro à aldeia.

Sobre a Associação Péd'Rios: a Associação Péd`Rios foi fundada a 9 de Janeiro de 2011, por iniciativa de um grupo de 4 amigos que para fugir à rotina e por amor à natureza se dedicam a praticar actividades ao ar livre como o montanhismo, pedestrianismo, alpinismo e outras. Com sede na Escola Primária da aldeia de Germil, em Ponte da Barca, a associação Péd`Rios tem como objectivo principal de desenvolver actividades na área cultural, recreativa e desportiva com o intuito de poder participar no desenvolvimento regional e social da região na qual esta inserida e na divulgação do montanhismo e pedestrianismo através da preservação de espaços verdes de caminhos e trilhos que sirvam para a prática do desporto e lazer activo.

Ficam algumas fotografias do dia...







































Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa / Carris (3 a 11 de Fevereiro)


Dias de Sol ou pouco nublados nas Minas dos Carris.

domingo, 2 de fevereiro de 2020

Paisagens da Peneda-Gerês (DXVIII) - Cascata Portavense


Não muito longe da aldeia de Germil, Serra Amarela, a Cascata Portavense avoluma-se após dias de chuva que alimentam os cursos de água em todo o Parque Nacional.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Os abrigos perdidos no Vale do Alto Homem


A Serra do Gerês esconde segredos e maravilhas que tornam a sua «descoberta» um dos motivos pelos quais a percorro incessantemente.

A descoberta de um muro de pedra solta, de letras gravadas na rocha ou de abrigos toscos, memórias da milenar presença do Homem por aquelas paragens, é em si um contributo pessoal para a história daquela área e no limite para a história de Portugal.

Desengane-se que a ocupação daquele território se limita ao início da cristandade com a passagem das legiões de Roma em luta contra as ordas que ocupavam as montanhas e as planícies da Ibéria. A atestar isto estão os diversos testemunhos no planalto de Castro Laboreiro, as inscrições rupestres do Penedo do Encanto (Serra Amarela) e as figuras de Absedo (Serra do Gerês), entre muitas outras.

Mais recentemente, e com a pastorícia a ter um papel importante para as populações serranas, foram surgindo os abrigos dos pastores (fornos) junto dos currais e das pastagens de altitude. Já no século passado, a carvoaria e a exploração mineira fizeram surgir um miríade de construções que ficaram na paisagem como testemunha da presença do Homem.


Antes da exploração mineira nos Carris, o Vale do Alto Homem era percorrido por um carreiro (trilho) de montanha que permitia o acesso aos currais naquela zona, nomeadamente ao Curral da Amoreira (utilizado tanto pelos pastores portugueses como pelas gentes galegas), Curral dos Carris, Curral das Abrótegas e Cavada Nova, Currais das Lamas de Homem, entre outros. De facto, este caminho iniciava-se na Portela de Leonte até onde chegava a estrada florestal vinda das Caldas do Gerês fazendo a ligação com a Geira Romana na Albergaria. A Geira atravessava o Rio Homem na Ponte de S. Miguel (não confundir com a ponte que hoje atravessámos na estrada para a fronteira) um pouco abaixo do Curral de S. Miguel.

O caminho entrava no Vale do Alto Homem na margem esquerda do Rio Homem, atravessando para a margem direita na Água da Pala. Daqui continuava até pouco depois do Modorno, voltando de novo para a margem esquerda possivelmente já por alturas do Curral do Teixo, seguindo então para o Curral das Abrótegas.

Com o início da exploração mineira no Salto do Lobo surgiu a necessidade de se criar um acesso mais fácil àquela zona e então a Sociedade Mineira dos Castelos, Lda., solicitou a permissão para criar uma estrada a partir da Portela de Leonte, dando origem à estrada que hoje se percorre até à fronteira Galega. Esta estrada facilitou o transporte de materiais e equipamentos para os edifícios e instalações mineiras que foram construídas no alto da Serra do Gerês. Porém, os primeiros materiais eram transportados a pé desde a Portela de Leonte até à Mina do Salto do Lobo em jornadas pela Serra do Gerês que demoravam um dia inteiro. Por vezes, e devido aos parcos recursos existentes nas populações serranas, muitos dispunham-se em fazer dois extenuantes transportes por dia, havendo a necessidade de pernoita no Vale do Alto Homem.


Não havendo abrigos construídos, o homem serrano tirou partido do que a Natureza lhe concedeu naquelas paragens. Aproveitando duas grandes rochas na margem do Rio Homem, criaram-se dois abrigos que agora estão esquecidos por entre a vegetação que entretanto foi crescendo à sua volta devido à não utilização do carreiro que por ali perto passava. Num daqueles abrigos cabiam dez homens deitados e ali encontravam o abrigo das noites frias que durante todo o ano ocorrem na serra. Estes abrigos encontram-se junto da Corga do Concelho em frente à qual se situam as Curvas do Fevra, sendo perfeitamente visíveis a partir do caminho para as Minas dos Carris.


Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa / Carris (2 a 10 de Fevereiro)


Após uma semana de chuva, a semana que começa vai trazer dias de Sol às Minas dos Carris, mas deverá terminar novamente com chuva.

sábado, 1 de fevereiro de 2020

Adiado Festival de Cinema de Aventura em Fafião


O Festival de Cinema de Aventura, apresentação dos vídeos, na aldeia de Fafião foi adiado pela organização do evento (CM Matosinhos e Nomad) para uma data ainda a definir.

A nova data deste evento será divulgada assim que a organização a definir.

As crianças e as Minas dos Carris


As Minas dos Carris eram um local onde a vida se ia fazendo de pequenas histórias. Sendo um ambiente rude e duro para os homens, também o era para as crianças. Porém, para umas a vida era um pouco diferente.

Exemplo disto é a descrição que Carlos Sousa e Manuel Antunes Machado fazem dos dias nas Minas dos Carris e que podem ser lidas no livro 'Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês':

"O complexo mineiro era uma pequena aldeia encravada nas montanhas geresianas e a vida corria de forma normal. Carlos Sousa, filho de José Ridrigues de Sousa, deu-nos uma visão da sua vida de criança nos Carris, "de 1951 a 1957 foi um conto de fadas como seria para qualquer miúdo citadino daquela idade. Tinha o meu cavalo, botas alentejanas, esporas, uma espingarda e uma pistola de pressão de ar. Ia para a cantina conversar em vernáculo do mais pesado com os mineiros, tinha as encostas para trotar e sonhar com os cowboys, era tratado como um príncipe, em vernáculo que era mais interessante para mim mas como um príncipe, comia como um «lord» e ainda o mais extraordinánio, podia guiar o jeep no campo de futebol depois dos jogos... há mais alguma coisa que um miúdo possa crer? O mau pai deixava-me levar a vida perfeitamente à vontade tirando a mania desagradável e incomoda de me mandar tomar banho antes do jantar. Mas paciência, também não se pode ter tudo! Uma coisa muito curiosa é que não me lembro de um único garoto da minha idade na mina. Será que não havia?"

De facto havia outras crianças na mina, mas para elas a vida era diferente. Naqueles dias as férias escolares começavam em finais de Maio ou Junho e prolongavam-se até Outubro. Sobrevivendo de economias parcas, todas as mãos era úteis para os trabalhos e as crianças também o faziam. Na altura com 10 anos de idade, Manuel Antunes Gonçalves recorda, "naqueles dias havia várias crianças que faziam o mesmo trabalho que os adultos ou então, mais tarde e ao serviço dos Florestais, participavam em plantações que se faziam na Água da Pala. Eram duros aqueles dias! Uma camioneta recolhia os trabalhadores de muitas aldeias desde Valdosende e a subida do Vale do Homem na carrinha por aquela estrada, onde tínhamos sempre medo de cair para o rio, era tão cansativa como um dia de trabalho!"


Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Diferenciar entre risco e perigo


Recentemente tive a oportunidade de ver várias fotografias e vídeos de pedestrianistas e até montanhistas... a atravessar uma ponte danificada (a que está na fotografia em cima) desafiando um perigo e estranhamente assumindo um risco que em minha opinião é desnecessário.

A fotografia em cima foi obtida a 12 de Novembro de 2019 durante uma caminhada que iniciada na Ermida da N.ª Sr.a do Xurés nos deveria levar às Minas dos Carris. Não éramos um grupo grande, seríamos 5 ou 6 pessoas mas para as quais eu era o líder do grupo. Na altura, ao ver a ponte assim e ao ler o que estava escrito no aviso, tomei a decisão de abortar ali a caminhada e optar por outro percurso que não nos levaria às Minas dos Carris, mas que acabaria por ser um grande dia de montanha. 


Assim, acho que o artigo a seguir (em língua castelhana) é muito pertinente, interessante e diria mesmo de leitura obrigatória (originalmente publicado aqui)...

"Después de muchos años subiendo montañas, me he dado cuenta de que tuve mucha suerte. Creía que lo sabía casi todo, y resulta que no sabía casi nada".

Por Joaquín Colorado

Aunque solemos emplear las palabras riesgo y peligro de una forma imprecisa, o cuando menos indistinta, en realidad no son sinónimos. En el contexto que nos ocupa, se entiende «riesgo» como probabilidad o proximidad de un daño. Sin embargo, hablaremos de «peligro» cuando la inminencia de ese daño nos deja ya un margen de maniobra muy escaso o nulo, si se trata de evitarlo. Dos conceptos que marcan por consiguiente dos estados distintos de exposición ante una situación que nos producirá daño, y que llamaremos accidente.

Por su propia idiosincrasia, la práctica de cualquier deporte de montaña o bien a desarrollar en un medio natural sometido a una serie de variables de difícil control, implica una serie de riesgos potenciales para quien los practica. A su vez, y en función de su mayor o menor imprevisibilidad, estos riesgos nos llevan a la clásica división entre subjetivos y objetivos:

Subjetivos: previsibles en alto grado, y por tanto muy evitables. Dependen igualmente del factor técnico de la actividad en cuestión, y de nuestra actitud o disposición ante la misma. Estos riesgos son neutralizados o muy controlados gracias a una serie de medidas que están a nuestro alcance tanto antes como durante la actividad (equipo adecuado, planificación horaria, condición física, nivel de conocimientos previo, experiencia, toma de decisiones, capacidad de autocontrol etc.). De esta forma, la probabilidad de daño será remota, y por tanto más difícil, aunque nunca imposible, llegar a una situación de peligro.

Objetivos: menos previsibles, por lo que tenemos muy pocas medidas a nuestro alcance para evitarlos. En la Naturaleza siempre existen fuerzas o circunstancias imponderables, fuera del control humano. Sus manifestaciones en forma de tormenta, inundación, desprendimiento o alud de nieve adquieren en ocasiones tal magnitud que es imposible preverlas, para evitarlas. Pero otras muchas veces sí puede controlarse este riesgo desde la prevención, es decir, decidiendo suspender o aplazar la salida cuando existen indicadores que lo aconsejan.

En otras palabras, tenemos que aceptar la probabilidad de sufrir un daño. De nuestro propio grado de control sobre esa probabilidad, dependerá que la proximidad del daño sea mayor o menor, es decir, que una situación normalmente aceptada como de un cierto riesgo pueda degenerar en otra de claro peligro, que a su vez llevará al accidente como circunstancia ya irreversible. Se trata de una responsabilidad que no sólo hay que asumir a nivel personal, sino también compartir por parte de todos los miembros que integran el grupo que esté practicando la actividad. Esto último cobra especial importancia, en unos tiempos donde la jurisprudencia, casi inexistente desde mediados de los años noventa hacia atrás, no considera en ocasiones esa parcela de responsabilidad que cada miembro del grupo debe asumir. Aunque exista un experto que de alguna manera 'arrastre' a otros más bisoños a situaciones de riesgo no controlado, es decir, peligro de accidente, si éstos últimos son mayores de edad, y no se ha establecido relación comercial con aquél, deben de tener presente esa asunción de la responsabilidad que les corresponde. También sus familiares han de ser conscientes de ello, a la hora de presentar reclamaciones 'después de'.

Obviamente, otro plano bien distinto es el de la contratación de un profesional para la ocasión, que va a conducir o enseñar a un grupo presumiblemente inexperto a instancias de éste y previo acuerdo sobre una cantidad a percibir en concepto de honorarios.

Podemos resumir todo lo anterior si reflexionamos sobre una palabra que hace referencia al mayor de los riesgos, tanto que es casi peligro: la ignorancia. No basta con hacer lo que uno sabe, sino saber lo que uno hace. Todos debemos reconocernos como alumnos: nunca se termina de aprender. Hay que estar siempre en disposición para tener una mente abierta y capaz de recibir nuevos conocimientos o correcciones que en algún sentido pudieran echar por tierra otros ya adquiridos tiempo atrás.

En cierta ocasión, durante el desarrollo de un curso de alpinismo, me sorprendió ver que uno de mis alumnos era una persona que yo conocía de verla en la montaña desde siempre.

Cercano a los cincuenta años, no era su edad lo que me extrañaba, sino que, después de llevar toda una vida haciendo montaña, estaba como alumno en un curso de nivel iniciación. Al finalizar éste, me confesó lo siguiente: "Después de muchos años subiendo montañas, me he dado cuenta de que tuve mucha suerte. Creía que lo sabía casi todo, y resulta que no sabía casi nada".

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Histórias de Inverno nas Minas dos Carris


Que fazer em (mais um) dia de chuva quando se está aborrecido em casa? Ir buscar velhas histórias e publicações já feitas aqui no blogue!!

Esta publicação foi feita a 21 de Janeiro de 2015 e conta-nos uma pequena história dos dias de frio passados nas Minas dos Carris.

No livro 'Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês', são relatados alguns episódios interessantes que ocorreram em Fevereiro e Março de 1944, e em finais de Fevereiro de 1955. No entanto, este pequeno relato dá-nos uma ideia do rigor dos Invernos de outrora. 

As condições nas Minas dos Carris são sublinhadas pelas palavras do Eng. Virgílio de Brito Murta, quando refere, "(...) lembro-me do frio na Mina dos Carris, embora pela roupa que usávamos (...) pareça que não era assim tanto. Aí pelas sete e meia da manhã, nesta época do ano (Fevereiro), enquanto tomava o pequeno-almoço com o nosso meteorologista, tenente Silva Pereira, ele sempre me informava que a temperatura estava entre menos 6ºC e menos 8ºC, e que o termómetro de máxima e mínima existente no nosso observatório marcava, às vezes menos 17ºC, durante a noite, claro... Isto quando o vento e a neve lhe permitiam acesso ao local para verificar. Eu não sei se o tenente informava os Serviços Meteorológicos Oficiais e se haverá ainda dados arquivados."

A imagem em cima mostra o complexo mineiro no Inverno de 1944.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

"Caminhada aos Carris" dia 8 de Fevereiro


O Parque de Campismo de Cerdeira está a organizar uma actividade na qual será possível visitar as antigas ruínas das Minas dos Carris e o Vale do Alto Homem.

Designada por "Caminhada aos Carris", esta actividade tem como objectivo realizar uma visita guiada às minas com explicação dos aspectos mais importantes da actividade mineira na altura da II Guerra Mundial. A caminhada é feita ao longo do Vale do Homem e será acompanhada pelo autor do livro "Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês".


Inscrições limitadas!!!

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Paisagens da Peneda-Gerês (DXVII) - Curral de Cabana Nova


Na terra de lobos e a caminho das Minas dos Carris, o Curral de Cabana Nova (ou Conde de S. Lourenço), é um belo exemplo do aproveitamento das chãs serranas para o abrigo dos gados.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa / Carris (1 a 9 de Fevereiro)


O dia 2 de Fevereiro ainda verá alguma precipitação que deverá estar ausente entre 3 e 6 de Fevereiro. O segundo fim-de-semana do mês voltará a ter chuva ou neve.