sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Trilhos seculares - A magia de Porta Ruivas


A incursão pelas serranias Geresianas que me levou numa jornada pelos mundos fantásticos até Porta Ruivas, mergulha nos cenários de fantasia composto de paisagens agrestes onde imagino um alto encimado por uma pequena torre na qual se ergue uma pira pronta a ser acendida num chamamento de auxílio. Certamente, influências de muita leitura fantástica e dos mundos de J. R. R. Tolkien, mas não deixa de manter o fogo da imaginação acesso a cada jornada por esta serrana que mais amo a cada passo, a cada visita, a cada contemplação!

Vejo a Serra do Gerês, toda ela, como um lugar único composto de paisagens ímpares em Portugal. Para lá das imagens de promoção desta montanha, verdadeiros tabloides visuais, encontram-se lugares que, por si só, são eles também únicos no mosaico que compõe toda esta singularidade. Ninguém que visite o Gerês e não se disponha a percorrer os seus trilhos a pé, diga que o conhece... eu, que o percorro, não o conheço e isso faz-se sentir cada vez com mais vontade de me «perder» nos seus recantos misteriosos, percorrer os seus carreiros enigmáticos, calcorrear as suas corgas e olhar para lá dos seus alcantilados graníticos que o transformam num conto a ser vivido a cada visita. A Estrela pode ter a fama do Algarve, mas falta-lhe a magnificência do Gerês. E o Gerês é isto mesmo, magnificente!



É quase infindável a lista de locais nos quais nos podemos maravilhar com esta conjugação de lugares e estados que criam o Gerês. Desta lista haverá alguns que são especiais pelas suas particularidades e um desses lugares é Porta Ruivas (ou Porta Roibas). Foi Porta Ruivas que escolhi para a minha primeira incursão na imensidão do Gerês em 2020.

Desconhecido de muitos e confundido por outros tantos, Porta Ruivas apresenta-se quase como um marco montanhoso em toda a Serra do Gerês. Digno das melhores paisagens do 'Senhor dos Anéis', da fantástica imensidão de 'Silmarillion' ou de um enredo da 'Guerra dos Tronos', Porta Ruivas leva-nos a percorrer uma das zonas mais selvagens da serra, seguindo por um percurso que iniciado nos Prados da Messe e dirigindo-se para Este nos poderá levar a Borrageiros e à mina que se abriga à sua sombra. Porém, nesta altura não fomos tão longe...



Em Porta Ruivas encontramos um pequeno, mas peculiar curral, exemplo do aproveitamento dos espaços por parte do homem serrano que viu ali como que uma fortaleza para guardar os seus animais durante os longos dias de vezeira. Se uma parte está defendida pelo promontório granítico que o caracteriza à distância, o curral abre-se para o abismo da Corga de Valongo encimado pelas Quinas da Arrocela. Mesmo ali adiante, o alto de Borrageiros é um outro ponto distinto na paisagem, um colosso titânico adormecido e para o qual olhamos com reverência e respeito.

O percurso para chegar a Porta Ruivas iniciou-se na Portela de Leonte passando pela Chã do Carvalho após ultrapassar o inclinado caminho que ora nos surpreende pelo ziguezaguear encosta acima, ora nos surpreende para dimensão de uma «calçada», fruto de árduo trabalho do homem da vezeira. Atrás de nós, o gigante farol da serra vai ganhando corpulência e o Pé de Cabril ergue-se majestoso contra os céus que o veneram como um Deus adormecido. Para lá da chã, e num declive mais suave, chegamos ao Vidoal contemplando a imponência do Pé de Medela e Carris de Maceira na continuação de um quadro rochoso que nos assombra ao passar pelas profundezas dos Cântaros e pela verticalidade de Lavadouros. Deixando o Vidoal para trás, e ladeando o Outeiro Moço por Norte, chegamos à Preza. Daqui, sobe-se à Chã da Fonte (Alto das Ruivas) depois de contemplar o comprido vale entre o Cambalhão e Teixeira, e continua-se para o Curral do Conho através de Lamas de Borrageiro, Chã de Gralheira e Lomba de Pau.



Antes da descida para o Conho, facilmente se observa o nosso destino logo a seguir à imensa garganta que se abre em Fechinhas (ou Fichinhas, dependendo da pronuncia). Passando o Curral do Conho e seguindo o percurso da vezeira, passa-se o Ribeiro do Porto das Vacas e segue-se para o Curral da Pedra. Antes de chegar aos Prados da Messe devemos flectir à direita e descobrir as mariolas que nos levarão a entrar no Gerês quase selvagem. É sempre aconselhado estarmos equipados com a carta militar (sinceramente, não gosto de seguir percursos utilizado registos de GPS pois isso tira-nos a sensação da descoberta!).

Depois de entrarmos no pequeno vale que se segue aos Prados da Messe e de superar o primeiro colo caracterizado por uma série de mariolas, teremos duas opções para chegar a Porta Ruivas. Seguindo e mesmo percurso que está devidamente assinalado por grandes mariolas e recuperado, vamos chegar perto do Curral dos Bezerros. De facto, é mesmo na corga anterior que devemos seguir à direita também por um carreiro marcado com mariolas e recuperado, e que nos levará a Porta Ruivas! Ou então, mesmo antes de chegar a uma pequena corga, podemos baixar ao Curral de Abelheira e a partir daqui, olhando com atenção para a vertente que segue em direcção ao nosso objectivo, descortinar as velhas e pequenas mariolas que vão resistindo à passagem do tempo e que nos idos passados marcavam a ligação até às planuras que antecedem Porta Ruivas e que nos levam a contemplar o imenso vale glaciar que se abre da Mourisca até Fechinas.



O regresso poderá ser feito pelo trajecto inverso ou seguindo outros percursos até à Portela de Leonte (via Lomba de Burro / Costa de Sabrosa ou Albas / Carris de Maceira) tendo em conta as condicionantes impostas pelo Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês.






























Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Paisagens da Peneda-Gerês (CDXCVI) - Pé de Cabril nas nuvens


No centro da fotografia, os espigões do Pé de Cabril, Serra do Gerês, espreitam por entre um mar de nuvens na manhã do dia 2 de Janeiro de 2020. 

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa / Carris (3 a 11 de Janeiro)


Depois de um dia de céu muito nublado e chuva, os próximos dias serão de céu limpo e Sol nas Minas dos Carris, mas com temperaturas baixas. A previsão de neve para o dia 9 de Janeiro deixa de existir.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Paisagens da Peneda-Gerês (CDXCV) - Carvalho em Porta Ruivas


O contra-luz e um arco solar no carvalho do Curral de Porta Ruivas, Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Caminhada de autor (Rocalva) com o Parque de Campismo de Cerdeira


A quarta e última das "Caminhadas de Autor" que o levam a descobrir a Serra do Gerês terá lugar a 4 de Janeiro, organizada pelo Parque de Campismo de Cerdeira e guiada por Rui Barbosa.

Nestas caminhadas o principal objectivo é mostrar o património de montanha existente na Serra do Gerês e compreender-se-à melhor porque descrevia Tude Sousa o forno, ou cabana, que os pastores ainda hoje usam para se recolher e abrigar.

Mais informações e reservas aqui.

São construções toscas, ligeiras, de pedras secas, mal dispostas geralmente, umas revestidas e outras não de torrões, tapando os intervalos. Cobertas umas de telhas redondas, à portuguesa; cobertas outras de torrão, guarnecendo pedras largas e delgadas. As suas dimensões e capacidade não são grandes: 2 a 2,50 metros de alto, por 2,50 e 3 metros de comprido, com as portas baixas, por onde o homem passe curvado e por elas não entre o gado. Três a seis, ou oito pessoas, é o máximo que nelas caberão.

Em 4 caminhadas distintas, o Parque Cerdeira leva-o pela Serra do Gerês, dentro do Parque Nacional, em busca do património construído na montanha e que serve ancestralmente as comunidades locais. 

Esta última caminhada leva-nos da Cascata do Arado à Rocalva.

A caminhada será iniciada junto da Ponte do Arado subindo para o miradouro do Arado e continuando em direcção ao Curral de Giesteira. Daqui tomamos um carreiro de pé-posto que nos leva ao final de um estradão florestal e de novo um carreiro de pé-posto até ao Curral de Coriscada. Deixando Coriscada para trás seguimos em direcção a Arrocela e depois para o Curral do Cando através de um carreiro de pé-posto na vertente da montanha e ao longo de um vale que se vai estreitando mas com vista inicial para a Roca Negra e Roca de Pias. Seguindo em carreiro de pé-posto, vamos chegar ao Curral de Rocalva, seguindo-se o Curral de Vidoirinho, Pradolã e Pousada. Passagem pelo extremo do Curral de Pousada e descida para o Curral de Pinhô já a caminhar em estradão florestal. Deixando o estradão, descemos para a Ponte de Cervas no Vale do Rio Conho. De novo em estradão florestal passamos pela Tribela, Curral dos Portos e Curral de Malhadoura antes de finalizar na Ponte do Arado.

Mais informações e reservas aqui.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa / Carris (2 a 10 de Janeiro)


Os dias frios irão continuar nas Minas dos Carris havendo a possibilidade de esporádicos episódios de precipitação. A previsão a 7 dias mostra a possibilidade de ocorrência de queda de neve a 9 de Janeiro.