sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Vem conhecer a Serra do Gerês numa Caminhada de Autor - Pé de Cabril


Esta é a primeira de quatro caminhadas promovidas pelo Parque de Cerdeira pela Serra do Gerês, dentro do Parque Nacional, em busca do património construído na montanha e que serve ancestralmente as comunidades locais.

Nesta caminhada que terá lugar a 29 de Dezembro, guiada por Rui Barbosa - autor do livro "Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês" e do blogue Carris - sairemos do Campo do Gerês em direcção ao Curral de Bustelo, seguindo depois pela Casa Florestal de Junceda e passaremos pelo Prado e base do Pé de Cabril, descendo para a Portela de Confurco e subindo para o Curral do Mourinho. Passagem para o Prado Marelo, regressando à Portela de Confurco e visita ao Curral de Tirolirão (cabana) e Gamil (forno). Iremos descer pelas Bitoreiras para o Campo do Gerês.

Mais informações e reservas aqui.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa / Carris (6 a 14 de Dezembro)


Segundo a previsão neve poderá voltar às Minas dos Carris a 12 de Dezembro com uma acumulação de 28 cm.

Do qual jamais


Na minha solidão a minha tábua de salvação
É a loucura que me faz flutuar à tona desta fantasiosa realidade.

Tenho tanto medo que não estejas quando eu voltar, que eu quero estar aí quando tu partires para algum sítio onde não te possa ir buscar.

E depois a existência morre
Deixa de ser por entre cristais de gelo
Flocos de neve e uma brisa de um negro tão profundo e inacessível...
...do qual jamais.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Os últimos parágrafos d'"O Penúltimo Capítulo"


As ruínas das Minas dos Carris permanecem na Serra do Gerês repletas de um silêncio e de uma quase inexplicável nostalgia compartilhada por quem as visita. O local e a sua aura quase mística transformaram-no numa zona de visita quase obrigatória para aqueles que procuram nas montanhas o sossego que lhes escapa no rebuliço da vida cosmopolita. A principal razão pela qual me levou a aventurar neste trabalho, foi a total ausência de informação existente sobre o complexo mineiro dos Carris.

Cravado em pleno Parque Nacional da Peneda-Gerês, as Minas dos Carris foram uma fonte de desequilíbrio ambiental devido à natureza dos trabalhos industriais ali levados a cabo. Porém, décadas passadas sobre o seu encerramento, o complexo mineiro poderia ser uma mais valia educacional para o nosso único Parque Nacional. Infelizmente, anos e anos de uma visão míope levaram ao seu abandono; anos e anos de opiniões formatadas por um proteccionismo ambiental extremista, levaram a uma má conotação nos corredores daquela instituição e o resultado está à vista de todos em plena Serra do Gerês.

Assim, tentando nesta obra remover o véu de parte da sua História, quero acreditar que haverá ainda muito mais para contar sobre as Minas dos Carris. Mesmo que a memória dos homens se torne cada vez mais turva com o passar dos dias, não deveremos deixar esquecer as Minas dos Carris na Serra do Gerês, onde se sente o silêncio e a calmaria do lento passar das eras.

Do livro "Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês" (Rui C. Barbosa, Dezembro de 2013)

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa / Carris (5 a 13 de Dezembro)


Os dias de chuva deverão voltar a 8 de Dezembro às Minas dos Carris.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Previsão meteorológica para Nevosa / Carris (3 a 11 de Dezembro)


Continuação de céu pouco nublado ou limpo nas Minas dos Carris. A chuva poderá voltar a entre 8 e 10 de Dezembro. As temperaturas vão-se manter baixas.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Paisagens da Peneda-Gerês (CDLXXX) - Pelourinho de Soajo


O Pelourinho de Soajo, Soajo. 

Segundo a Direcção Geral do Património Cultural, o antigo couto de Eiró, que esteve anexo ao Mosteiro de Ermelo, recebeu muitos privilégios ao longo dos séculos, e teve foral dado por D. Manuel em 1514. O concelho foi extinto no século XIX, e integrado em Arcos de Valdevez. Conserva um pelourinho, levantado diante do antigo edifício dos Paços do Concelho.

O pelourinho assenta directamente em plataforma de três degraus quadrangulares de aresta, de factura muito tosca, e bastante desgastados. A coluna é cilíndrica, mas igualmente muito tosco, tendo secção ligeiramente menor na base. Não existe capitel; o topo da coluna, de talhe arredondado, é simplesmente ornado com uma carranca esquemática, aparentemente representando um rosto sorridente. O remate é constituído por uma laje triangular, ao modo de ábaco ou tabuleiro, bastante saliente.

O monumento é muito curioso, e também difícil de caracterizar, mesmo em termos cronológicos. Várias explicações têm sido adiantadas para a representação do topo do fuste, mas nenhuma é consistente. Tratar-se-à de um pelourinho relativamente tardio, que alguns autores têm considerado do século XVII. A cara, redonda, poderá ter um simbolismo solar, ou lunar.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa / Carris (2 a 10 de Dezembro)


Céu geralmente pouco nublado ou limpo nas Minas dos Carris. As temperaturas vão permanecer baixas.

domingo, 1 de dezembro de 2019

Parque de Campismo de Cerdeira promove Caminhadas de Autor


O Parque de Campismo de Cerdeira vai organizar uma série de quatro caminhadas genericamente denominadas como "Caminhadas de Autor" que o levam a descobrir a Serra do Gerês.

Guiadas por Rui Barbosa, compreender-se-á melhor porque descrevia Tude Sousa o forno, ou cabana, que os pastores ainda hoje usam para se recolher e abrigar.

São construções toscas, ligeiras, de pedras secas, mal dispostas geralmente, umas revestidas e outras não de torrões, tapando os intervalos. Cobertas umas de telhas redondas, à portuguesa; cobertas outras de torrão, guarnecendo pedras largas e delgadas. As suas dimensões e capacidade não são grandes: 2 a 2,50 metros de alto, por 2,50 e 3 metros de comprido, com as portas baixas, por onde o homem passe curvado e por elas não entre o gado. Três a seis, ou oito pessoas, é o máximo que nelas caberão.

Em 4 caminhadas distintas, o Parque Cerdeira leva-o pela Serra do Gerês, dentro do Parque Nacional, em busca do património construído na montanha e que serve ancestralmente as comunidades locais. 

Visitaremos 32 Currais, com as típicas cabanas do pastor e também locais emblemáticos do Gerês, como o Pé de Cabril, Prados da Messe, Borrageiro, Cascata do Arado, Poço Azul e Mata da Albergaria, para além da Via Romana.

Datas de realização

29 de Dezembro, Pé de Cabril

30 de Dezembro, Leonte – Prados da Messe

3 de Janeiro, Albergaria – Prados da Messe

4 de Janeiro, Cascata do Arado – Rocalva

Mais informações e reservas aqui.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

"Caminhada aos Carris" com o Parque de Campismo de Cerdeira


O Parque de Campismo de Cerdeira está a organizar uma actividade na qual será possível visitar as antigas ruínas das Minas dos Carris e o Vale do Alto Homem.

Designada por "Caminhada aos Carris", esta actividade tem como objectivo realizar uma visita guiada às minas com explicação dos aspectos mais importantes da actividade mineira na altura da II Guerra Mundial. A caminhada é feita ao longo do Vale do Homem e será acompanhada pelo autor do livro "Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês".

A actividade terá lugar a 28 de Dezembro.

Inscrições limitadas!!!

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Ainda sobre a câmara de vigilância do Soajo


Recentemente, o centro da vila do Soajo parece ter sido alvo de uma intervenção de mau gosto ou que pelo menos não agradou aos habitantes daquela vila (Pelourinho do Soajo vandalizado).

Aparentemente, a plantação de barcos de ferro ferrugentos para impedir o trânsito no Largo do Eiró não agradou a ninguém.

Não sei bem se a ideia de amarrar uma câmara de vigilância com um arame num monumento nacional, neste caso o Pelourinho do Soajo, partiu de alguma entidade autárquica ou se foi apenas uma ideia de péssimo gosto para vigiar os mamarrachos.

De qualquer das formas, parece que a ferrugem irá deixar o centro da vila e o pedericalho já foi removido do pelourinho...

Fotografia © Tatiana Martinho (Facebook) (Todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa / Carris (1 a 9 de Dezembro)


A semana começa com neve nas Minas dos Carris e a paisagem vai-se manter pintada de branco por uns dias, pois não se espera chuva para derreter a neve mas sim dias frios.

O céu será geralmente pouco nublado ou limpo com as temperaturas a bater nos -1ºC a 4 de Dezembro com uma máxima de 10ºC para o dia 9 de Dezembro.

O delator nas Minas dos Carris


Nos escritos para o meu livro "Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês", tive a oportunidade de trocar correspondência electrónica com um dos engenheiros que nos anos 50 ajudou a preparar o complexo mineiro dos Carris para a azafama que decorreria até 1957, ano do então seu encerramento e suspensão dos trabalhos.

Virgílio de Brito Murta foi um elemento importante no registo de várias histórias e da História das Minas dos Carris. Relatou-me muitos aspectos técnicos, mas também pessoais dos dias passados nos píncaros Geresianos. Esta é uma dessas histórias...

A mina representava um universo à parte onde na escuridão das galerias se forjavam alianças e cumplicidades, e onde os problemas e as desavenças eram muitas vezes resolvidas com uma queda num abismo escudo. Nas palavras de Virgílio Muta “a vida era muito dura e o vento Norte era um inferno. Entre Outubro e Maio, ou nevava ou chovia, e à noite no mês de Fevereiro, a temperatura chegava a baixar até aos 17º C negativos. Na mina, a perfuração era feita com martelos pneumáticos, cuja parte principal, e mais cara, era o cilindro. Por cada metro perfurado além duma certa metragem, os marteleiros e ajudantes tinham um prémio, que era muitas vezes superior aos próprios salários. Claro que eles não queriam perder tempo e, por isso, qualquer falha ou avaria os irritava demais.

Ora, aconteceu que um dia, o mestre Angelino, que era o encarregado dos trabalhos subterrâneos, me participou que tinha aparecido um martelo com marcas de marretada no cilindro. Disse-lhe para ver se descobria quem fora o habilidoso, acreditando que isso nunca aconteceria, pois, nas minas subterrâneas, a delação era coisa rara e muito perigosa. Mas, ao invés do que eu desejava, o mestre Angelino um dia informou-me que já sabia quem tinha sido o autor da proeza. Era um marteleiro, e eu não tive outro remédio senão chamá-lo ao meu gabinete. O homem negou tudo, jurou pelas alminhas, deu a sua palavra de honra, etc., etc. O mestre Angelino foi então buscar o delator, que garantiu ser aquele companheiro o autor da dita marretada. Este, imediatamente confessou tudo, disse que estava irritado por o martelo se ter avariado e, impensadamente, fez o que fez. Que não confessara antes, porque queria saber quem tinha sido o filho da puta que o denunciara. Perguntei-lhe se sabia o que ia acontecer. Respondeu que sabia muito bem, que eu o ia despedir. E, de facto assim foi; com muita pena minha, porque ele era realmente um bom marteleiro. Perguntei depois ao denunciante, qual era a recompensa que pretendia: era um lugar de auxiliar do encarregado (vigilante). Disse-lhe que também ia ser despedido, o que de modo algum esperava, ficando extremamente ofendido pelo prémio que recebeu. O autor da marretada deu duas gargalhadas, despediu-se e foi ao escritório pedir a conta. O denunciante ainda ficou para ver se me convencia a mudar de ideias, que não esperava que lhe pagasse daquela maneira, que era muito meu amigo, etc., etc. Eu consolei-o dizendo que ele ainda me devia agradecer, porque, se continuasse a trabalhar, arriscava-se a levar um empurrão para dentro de algum poço, ou até uma marretada, o que seria um bocado desconfortável para ele e incómodo para a Companhia. E dessa vez, com toda a certeza, não haveria ninguém para contar como tinha sido… Lá se foi embora, não muito satisfeito, mas mais conformado.

O tempo passou e, numa noite do Porto, chuvosa e fria, lá pelas três da manhã, vinha eu descendo uma rua escura e estreita, quando vi dois indivíduos, com todo o aspecto de já terem bebido uns bons copos, subindo na minha direcção. Quando passaram por mim, pararam e interromperam aquela conversa de bêbados. Um deles voltou-se para o meu lado e disse «Deus o salve, meu senhor» – e eu achei que iria mesmo precisar da salvação Divina. «O Sr. se calhar já não se lembra de mim, mas eu lembro-me bem de si.» Nessa vida de minas, lida-se com tantos trabalhadores, que é difícil a gente lembrar-se de todos. Mas daquele eu lembrei-me, e muito bem. Era o mineiro da marretada, que eu tinha despedido. Pensei cá comigo que «…agora é que a coisa ia aquecer…» O homem aproximou-se de mim, cambaleando um pouco, e eu encostei-me à parede esperando pelo pior, pois fugir era muito feio. Então, ele voltou-se para o companheiro e, apontando na minha direcção, contou, rindo às gargalhadas, o caso que se tinha passado na mina, e que atrás relatei. Disse-me que nunca mais tinha visto o denunciante, mas que ainda havia de ajustar as continhas com ele. «E comigo?» Pensei eu… Não é para me gabar (até porque não estava nada à vontade), mas fiquei muito satisfeito e muitíssimo aliviado, com o que ele a seguir disse ao companheiro, e que foi mais ou menos o seguinte «este foi o melhor chefe com quem eu já trabalhei. Ainda me farto de rir quando me lembro da cara daquele gajo que me denunciou, quando aqui este senhor lhe disse que também estava despedido…” 

Texto adaptado de "Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês" (Rui C. Barbosa, Dezembro de 2013)

Na fotografia, Virgílio de Brito Murta (direita) e o topógrafo Manuel Parreira Marques. 

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)