sábado, 7 de julho de 2018

Trilhos seculares - Pôr-do-Sol desde o Pé de Cabril


No final da tarde do dia 24 de Junho de 2018, um dia quente de Verão, decidi revisitar o Farol da Serra do Gerês, o Pé de Cabril.

Aliando o bom tempo à vontade de assistir a mais um pôr-do-Sol, iniciei a pequena caminhada a partir da Portela de Leonte. Seguindo pelo caminho flores tal que se inicia por detrás da Casa Florestal tristemente abandonada, depressa chegava à Portela do Confurco e tomada a direcção do colosso granítico.

Mesmo antes de chegar à sua base, e à vista do Prado Marelo e do Curral de Tirolirão, apercebi-me do espectáculo que a Natureza ia encenando com um mar de nevoeiro a cobrir a albufeira de Vilarinho da Furna e a trepar as colinas Geresianas. Em pouco tempo encontrava-me numa ilha por cima das nuvens a assistir ao final do dia. O nevoeiro foi tomando conta da Serra Amarela e da parte poente do Gerês, inundando também a albufeira da Caniçada e o Vale do Rio Gerês.









































Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Contadores na Vª edição do Fiadeiro de Contos de Pitões das Júnias


A Vª edição do Fiadeiro de Contos contará com a presença dos contadores:

- Estefania Surreira
- Lénia Santos 
- Clara Haddad
- Miguel Sermão

O Fiadeiro de Contos irá decorrer nos dias 21 e 22 de Julho.


Vais faltar?


A Estefania Surreira terá a honra de abrir o Fiadeiro de Contos de 2018.

Fez formação em Técnicas de Introdução ao Teatro, tendo sido convidada, nos últimos anos, a participar em diversos projectos teatrais e em recitais encenados do Sindicato de Poesia de Braga.

Dedica-se ao estudo do Canto Lírico desde 1997 e participa, com regularidade, em recitais de canto e piano. Integra o dueto de Música Antiga e Experimental Folie à Deux e é vocalista dos NyX Kaos, banda de fusão entre a música electrónica, o piano digital e o canto lírico.


Apaixonada por Literatura e Ilustração para a infância, finalizou a Pós-Graduação em Livro Infantil, em Julho de 2014. Iniciou o seu percurso de contadora de histórias e mediadora da leitura, criando o projecto As tartarugas também voam, pondo o álbum ilustrado, a narração oral e a leitura dramatizada no centro do seu trabalho.

Dedica-se ao Hatha Yoga e à Meditação Tibetana desde 2008.


A Estefânia terá duas presenças no V Fiadeiro de Contos, fazendo a abertura do evento às 18h00 no Anfiteatro do Largo da Escola com uma apresentação para o público infantil e depois pelas 21h00 no Largo do Eiró no dia 21 de Julho.


A Lénia Santos estará em Pitões das Júnias para a Vª edição do nosso Fiadeiro de Contos!

Há Histórias que ocupam um lugar na prateleira da sala, do quarto, da nossa memória ou do nosso coração. Histórias que ganham o primeiro, o segundo ou o terceiro lugar. Histórias que foram ouvidas num lugar especial, no colo da mãe ou do pai, na biblioteca ou na escola. Histórias que são contadas num lugar, perto de quem as quer escutar e levar um pedacinho para recontar num outro lugar. Há histórias que nos fazem crescer e que nos transformam. Há histórias que cabem dentro de uma mala e do nosso coração.


No Universo da literatura oral descobri que ainda consigo sentir o embalo e o cante de minha mãe quando as palavras servem de colo. Ler, ouvir e contar para crianças é sentir crescer com elas nesta permanente descoberta do mundo e de nós próprios. Os idosos são guardiões do nosso património, conhecedores da memória colectiva, gosto de os ouvir e de partilhar histórias que são comuns. Desde 2007 que trabalho como mediadora de leitura em contexto de biblioteca e freguesias rurais com públicos escolar, familiar, bebés, crianças e idosos, na Biblioteca Municipal de Beja: a casa onde moram as palavras.
Quero ver, ver e conhecer …

“Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...”
Fernando Pessoa


A Lénia Santos estará na Vª edição do Fiadeiro de Contos com a sua presença no Largo do Eiró pelas 21h00 do dia 21 de Julho.


No dia 22 de Julho, a Clara Haddad irá fazer uma sessão de contos para o público infantil na Vª edição do Fiadeiro de Contos.

Actriz e contadora de histórias profissional. Nasceu na cidade de São Paulo/Brasil em 1975 e desde 2005 fixou residência em Portugal. Narra para todos os tipos de públicos, e em algumas ocasiões a narração é acompanhada por música ao vivo. O seu repertório é composto por relatos tradicionais árabes, brasileiros, portugueses e africanos.


Com sentido de humor, leveza e magia, Clara conta histórias que ouviu e aprendeu desde a infância. Já narrou por todo o Brasil e Portugal, Espanha, França, Bélgica e Venezuela em teatros, centros culturais, escolas, festivais, bares, etc. Em 2015 foi distinguida como a melhor narradora de língua portuguesa da Europa.


A Clara Haddad estará no V Fiadeiro de Contos no dia 22 de Julho pelas 18h00 no Anfiteatro do Largo da Escola.


Miguel Sermão irá apresentar as suas histórias na noite do dia 22 de Julho, sendo o terceiro contador na Vª edição do Fiadeiro de Contos de Pitões das Júnias.

Miguel Sermão nasceu em Luanda.

É actor e contador de histórias (estórias). Frequentou os cursos de: Fotografia (Arco ) Ciências da Comunicação (UNI) Tradução e Escrita Criativa ( Lusófona ) e estudou Teatro e Animação Social na escola de formação da Comuna Teatro de Pesquisa, onde é actor há 23 anos.

Trabalhou em teatro com vários encenadores, destacando-se João Mota, João Garcia Miguel, Álvaro Correia, Alfredo Brissos, Miguel Seabra, Feruccio Soleri, Luca Aprea, Rogério de Carvalho entre outros.

No cinema trabalhou com Luís Galvão Teles, Jorge António, Fabrício Costa , Pedro Costa, Edgar Pera, Jorge Silva Melo, Pedro Sena Nunes...

Na televisão trabalhou com vários realizadores como Sergio Graciano, Francisco Antunez, Manuel Pureza, Jorge Quiroga...

Como contador partilhou espaço com Ângelo Torres, Cristina Taclin, António Fontinha, Ana Sofia Paiva, Paulo Patraquim, entre outros.

Participou nos encontros Palavras Andarilhas, Lagos Festival, Sintra Anima, entre outros. Colabora também com as bibliotecas, do Barreiro, Seixal, Vale das Amoreiras, assim como diferentes escolas ...

É formador na área de expressão dramática para infância e juventude, encenador, dialogue coach, e director de actores para televisão.

Programa do V Fiadeiro de Contos de Pitões das Júnias


A Vª edição do Fiadeiro de Contos de Pitões das Júnias terá lugar nos dias 21 e 22 de Julho de 2018. 

Pitões das Júnias é uma aldeia situada a cerca de 1200 metros de altitude, no norte de Portugal, Concelho de Montalegre, Distrito de Vila Real e região de Barroso.

Totalmente inserida no Parque Nacional Peneda-Gerês, a sua origem é desconhecida em parte mas muitas vezes se confunde com a do Mosteiro de Santa Maria das Júnias, monumento de classificado como Monumento Nacional em que o actual mosteiro e seu templo anexo foram erguidos durante a primeira metade do século XII, antes mesmo da fundação da nacionalidade.

Existe na sua população a necessidade de criar novos motivos que propiciem o convívio entre os habitantes, existindo por isso um crescente desejo de terem actividades na aldeia que promovam o contacto entre a população, sentindo-se particularmente que existe uma vontade maior no envolvimento e participação em actividades culturais.

A região do Barroso, apesar de ser uma zona rica na sua cultura e tradições, é uma região carenciada ao nível da existência de estruturas culturais, o que contribui para a existência de sentimentos de renúncia e de desistência, cujas consequências a curto e longo prazo poderão ser desastrosas para os seus habitantes mas também, em sentido amplo, para o desenvolvimento do território. A importância da cultura como instrumento de integração social, no desenvolvimento local, na educação, na fixação das pessoas nas suas localidades, assim como no aumento da sua autoestima, levou à criação do Fiadeiro de Contos, em Pitões das Júnias.

Num tempo em que não se ouvia rádio, nem havia televisão, contar e ouvir histórias era um dos principais passatempos. Serões familiares onde também se reuniam amigos e vizinhos, eram o palco privilegiado para os mais velhos contarem histórias que os próprios já tinham ouvido dos seus pais e avós, transmitindo desta forma a herança da identidade de uma comunidade e região. Numa altura em que os media dominam a comunicação global, recuperar a tradição oral, parte determinante do património imaterial e da formação da identidade de cada região, torna-se essencial. É importante sublinhar que a arte de contar histórias está ligada ao entretenimento cultural e à difusão do folclore regional, e também ao incentivo à leitura.

Com o V Fiadeiro de Contos, trata-se pois de promover a convivência entre os habitantes num encontro de dois dias, em que contadores de histórias de vários pontos do país se juntam a contadores galegos e da aldeia. Apesar de não haver um hábito organizado neste sentido, os habitantes da aldeia mantêm informalmente a transmissão de uma tradição oral entre pais e avós, que com orgulho partilham por vezes com os restantes e com os visitantes, em reuniões festivas. Quer-se assim com este encontro, preservar e fomentar um hábito que se tem perdido ao longo dos anos: contar histórias como uma forma de fortalecer os laços entre as pessoas, através do encontro e da partilha, reavivando a memória colectiva e preservando o património imaterial. Mas para além de promover o convívio, quer-se também apostar na cultura como um pretexto para a abertura da aldeia aos visitantes, incrementando a economia local através da procura de alojamento e alimentação. 

Assim, mais uma vez o Fiadeiro de Contos pretende levar a cabo a promoção do desenvolvimento artístico descentralizado; afirmar a cultura enquanto instrumento de dinamização social, turística e económica da região de Barroso; dinamizar a formação e o desenvolvimento de público críticos e participativos; dinamizar e valorizar o património imaterial e material sensibilizando os públicos e agentes locais para a sua salvaguarda e preservação; reforçar a identidade cultural das populações da zona do Barroso.

O V Fiadeiro de Contos decorrerá no Largo do Eiró localizado no centro da aldeia, local privilegiado de passagem e encontro habitual dos moradores (aqui serão realizadas as sessões à noite) e no anfiteatro ao ar livre localizado na área envolvente à antiga escola primária de Pitões (aqui serão realizadas as sessões da tarde mais direccionadas para o público infantil).

O programa desta edição é o seguinte:

21 de Julho  (Sábado)

18h Anfiteatro do Largo da Escola 
 
Estefânia Surreira – Publico Infantil

21h Largo do Eiró 

Lénia Santos
Estefânia Surreira 

Grupo musical "Rosa Cruz"
                       
22 de julho (Domingo)

18h Anfiteatro do Largo da Escola 

Clara Haddad - Publico Infantil                   

21h Largo do Eiró
Miguel Sermão 

Grupo musical “2 na fronteira”

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Exposição "Um uivo pela sobrevivência"


Estará patente no Centro de Educação Ambiental do Vidoeiro, Caldas do Gerês, entre 9 de Julho e 14 de Setembro de 2018, a exposição "Um uivo pela sobrevivência" organizada pelo Grupo Lobo.

Na mesma altura será exibido o documentário "Parque Nacional da Peneda-Gerês" que foca os aspectos mais importantes do nosso único Parque Nacional.


Enquadramento histórico da exploração mineira em Carris (II)



A 20 de Novembro de 1940, o Banco de Portugal e o Bank of England assinaram um Acordo de Pagamentos, válido enquanto durasse a confrontação militar, que garantiu ao Estado e às empresas britânicos crédito ilimitado em escudos para compras a realizar em Portugal. Tendo-se recusado a negociar um Acordo Comercial de Guerra com Londres, o Governo chefiado por António de Oliveira Salazar acabou, no entanto, por aceitar, desde 28 de Janeiro de 1941, que as relações entre ambos os países seriam, em princípio, geridas de acordo com as regras do bloqueio económico, definidas pelo Ministry of Economic Warfare.

No que diz respeito ao Estado nacional-socialista, para além das alterações resultantes do seu alargamento aos "territórios" que, uma vez anexados, foram passando a integrar o Terceiro Reich, manteve-se sempre em vigor o Acordo para Liquidação de Créditos Comerciais assinado a 13 de Abril de 1935. De certa forma imposto por Berlim, configurou um sistema de clearing bilateral gerido por cada um dos bancos centrais e Governos.

Mesmo tendo em conta o aumento das importações de bens portugueses de interesse estratégico – entre os quais começavam a destacar-se o estanho e o tungsténio –, nos anos de 1939/1940 e primeiro semestre de 1941 o saldo da balança comercial entre os dois países continuou favorável à Alemanha. Este fenómeno, contraditório com a lógica de endividamento externo tendencialmente adoptada por todos os Estados beligerantes, ocorreu, apenas, nas duas fases iniciais do conflito, devido à renovação dos contratos de fornecimento de armas e de tecnologia para a indústria militar negociados com Lisboa a partir de 1937.

A invasão da URSS (iniciada a 22 de Junho de 1941) e a entrada dos EUA na guerra (7 a 11 de Novembro de 1941) implicaram uma alteração decisiva da situação internacional e da posição de Portugal no seio da mesma. Tratou-se, para além do mais, de uma redução drástica dos contactos comerciais da Alemanha, quer com a América Central e do Sul, quer com a Ásia. Os jazigos de volfrâmio localizados na Europa – predominantemente em Portugal e na Espanha – adquiriram, então, para o Terceiro Reich, uma importância decisiva.

Apesar do 'sobreaquecimento' já antes atingido, voltaram a 'disparar', tanto os valores da procura, dos preços e da oferta de minérios de tungsténio, como os níveis de intervenção – directa e notória – dos dois grupos beligerantes. Toda esta actividade implicava o envolvimento de cidadãos estrangeiros e nacionais, das representações diplomáticas, serviços secretos e de propaganda; redes de empresas (com destaque para a Beralt Tin & Wolfram), colaboradores individuais e parceiros comerciais – coordenados, respectivamente, pela United Kingdom Commercial Corporation e pela Minero-Silvícola (propriedade do Estado nacional-socialista através da holding Rowak/Sofindus).

De Outubro de 1941 a Junho de 1942, o Governo português legislou e adoptou medidas político-administrativas visando recuperar a capacidade de controlar o universo do volfrâmio. Por motivações próprias e em resposta a pressões oriundas, sobretudo, da Alemanha, procurou – com empenho direccionado, meios limitados e, consequentemente, sucesso parcial – proibir a exploração mineira 'informal' durante as fases mais intensas dos ciclos agrícolas, reduzir o número de trabalhadores rurais envolvidos, concentrar num círculo restrito de organismos oficiais a efectiva capacidade de manipular variáveis como a propriedade de empresas e concessões, o direito de exploração, o financiamento, a produção, os preços, a comercialização, a circulação, a semi-transformação, a exportação e a tributação/taxação.

Sob a orientação do próprio António de Oliveira Salazar – Presidente do Conselho, Ministro dos Negócios Estrangeiros e Ministro da Guerra, despachando directamente com o Subsecretário de Estado das Corporações e Previdência Social, com os Directores da Polícia de Vigilância e Defesa do Estado e do Secretariado de Propaganda Nacional –, dos Ministros das Finanças, Economia, Interior e Obras Públicas, Transportes e Comunicações, foram, neste âmbito, reforçados os poderes da Direcção-Geral de Minas e Serviços Geológicos e Circunscrições Mineiras; Comissão Reguladora do Comércio dos Metais; Direcção-Geral da Indústria e Circunscrições Industriais; Instituto Nacional do Trabalho e Previdência; Direcções Gerais dos Caminhos-de-ferro e dos Transportes Terrestres; Inspecção do Comércio Bancário do Ministério das Finanças e Banco de Portugal; governos civis e câmaras municipais/juntas de freguesia, repartições de finanças, forças policiais e tribunais. A 24 de Janeiro de 1942, o Estado Novo assinou com o Terceiro Reich um acordo sobre tungsténio. Válido entre 1 de Março de 1942 e 28 de Fevereiro de 1943, fixava as quantidades a exportar, definia as "explorações livres" e as minas controladas pelos beligerantes, delimitava a percentagem de "minérios livres" a entregar a cada contendor. Resultou na troca de concentrados portugueses por outros produtos alemães e, apenas em último caso, por divisas convertíveis ou ouro. Só em 24 de Agosto de 1942 foi concretizada uma iniciativa do mesmo tipo com o Reino Unido, seguindo-se um Acordo de Fornecimentos-Compras e um Acordo Comercial de Guerra com os Aliados (23 e 27 de Novembro de 1942).

Algo de semelhante voltou a acontecer em 1943, apesar da crescente inferioridade militar do Eixo, das reforçadas exigências anglo-americanas e da diferente configuração assumida pelo "dossier volfrâmio" na vizinha Espanha: acordo com Berlim a 21 de Abril de 1943 - tendo vigorado de 1 de Março de 1943 ao fim de Fevereiro de 1944 -; duas prorrogações do acordo luso-britânico sobre tungsténio, dos Acordos de Fornecimentos-Compras e Comercial de Guerra com os Aliados (até Dezembro de 1943); concessão de facilidades militares ao Reino Unido nos Açores (18 de Agosto de 1943).

Continua...

Extraído de "Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês", Rui C. Barbosa (Dezembro de 2013)

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Enquadramento histórico da exploração mineira em Carris (I)


Para entendermos a história das Minas dos Carris é necessário fazer-se um enquadramento sociocultural e histórico de Portugal e do Mundo no princípio dos anos 40 do Século XX. Sendo um Estado neutral em plena Segunda Guerra Mundial, Portugal é um país dominado por um Estado Novo que desde a década de 20 controla todos os aspectos da sociedade. António de Oliveira Salazar lançara já as sementes de um «orgulhosamente sós» e ao mesmo tempo que Portugal mantém a velha aliança luso-britânica e permite a utilização dos Açores como ponte para o ataque Aliado ao Terceiro Reich, fornece às forças do Eixo o minério necessário para manter a máquina de guerra, recebendo em troca preciosos pagamentos em ouro que aos poucos vão aumentando as reservas do Estado que mantém o país num índice de subdesenvolvimento.

Escasseando a indústria, Portugal é um país onde as diferenças sociais são profundas. Sobrevivendo quase de uma agricultura de subsistência, muitos procuram no chão o ouro negro que fará crescer fortunas «da noite para o dia» dando origem a ilusões que irão desaparecer tão rapidamente como a procura nos mercados internacionais pelo volfrâmio irá cair.

Imerso numa guerra desde Setembro de 1939, o mundo rapidamente assiste à expansão germânica como que um relâmpago que estremece o frágil status-quo vigente desde o armistício de 11 de Novembro de 1918 assinado em Compiègne, França, e que pôs fim à Primeira Guerra Mundial. Humilhada por um tratado imposto numa carruagem de caminho-de-ferro, a Alemanha foi aos poucos crescendo e tendo cada vez mais a necessidade de um espaço vital que escasseava dentro das suas fronteiras.

Para a Alemanha Nazi, Portugal nunca teve uma importância estratégica antes da deflagração do segundo conflito mundial. No entanto, e sendo um dos principais fornecedores de volfrâmio, a importância nacional foi-se tornando considerável com o decorrer das hostilidades. Oliveira Salazar evita que Portugal entre no conflito, traçando assim o rumo da história portuguesa para as próximas décadas.

Para melhor compreendermos o complicado enquadramento histórico no qual será iniciada a exploração mineira dos Carris, cita-se uma parte do artigo "Portugal, Espanha, o volfrâmio e os beligerantes durante e após a Segunda Guerra Mundial" da autoria de João Paulo Avelãs Nunes e apresentada no encontro "Relações Portugal – Espanha: cooperação e identidade" : “Desde Setembro de 1939 até à rendição da França, em Junho de 1940, o mercado português do tungsténio foi hegemonizado pelos Aliados, consequência da capacidade de bloqueio das vias terrestres e marítimas de ligação entre Portugal e a Alemanha, do controlo accionário ou posse das principais sociedades mineiras, do facto de o Terceiro Reich manter o acesso aos fornecedores latino-americanos e aos grandes produtores asiáticos – através da União Soviética.

O Eixo passou, então (Julho de 1940), a poder transportar os bens adquiridos e fornecidos a Portugal através da Espanha e de França, voltando, com maior intensidade, a investir em empresas concessionárias e outras. Apesar da "legislação de excepção" entretanto publicada, até ao primeiro trimestre de 1942 as actividades económicas ligadas à mineração do volfrâmio continuaram a desenvolver-se quase sem intervenção acrescida por parte do Estado ou de organismos corporativos. Se, por um lado, o regime respeitou as posições alcançadas e os equilíbrios estabelecidos nas décadas anteriores – favoráveis ao Reino Unido –, por outro assegurou aos (ou tolerou por parte dos) beligerantes quase total liberdade de acção no terreno."

Continua...

Extraído de "Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês", Rui C. Barbosa (Dezembro de 2013)

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quarta-feira, 4 de julho de 2018

segunda-feira, 2 de julho de 2018