Páginas

segunda-feira, 13 de abril de 2026

A visita da família real ao Gerês

 


Em Outubro de 1887, a família real portuguesa visitava o Norte do país e pela primeira vez, um monarca português visitava uma das zonas mais selvagens do reino.

Esta visita e a forma como influenciou o rei D. Luís, marcaria a decisão de se estabelecer passados alguns meses, um perímetro florestal que levasse à preservação das paisagens serranas e quase um século depois, noutras circunstâncias, à criação do primeiro e único parque nacional português.

Após a estadia na cidade de Braga, a comitiva real partia para o Gerês a 12 de Outubro de 1887. No dia anterior, à família real havia sido ofertado o livro "Gerez Historico", da autoria de Paulo Marcellino, promotor da caçada que dias mais tarde teria lugar nas serranias geresianas.

A partida para o Gerês ocorria pelas 11h30 da manhã, seguindo o rei D. Luís e os príncipes, pois a rainha D. Maria Pia e a princeza D. Amélia haviam resolvido dicar na cidade dos arcebispos devido ao facto de o príncipe da Beira, princípe D. Carlos ter sofrido um mal estar nesse noite. No entanto, e após a melhoria do estado de saúde do príncípe, o resto da realeza seguia em direcção ao Gerês pelas 15h00, sendo acompanhadas pelo conde de Bertiandos, Gonçalo Meneses.

A chegada a Rio Caldo foi saudada com arcos alinhados cobertos de flores e medronhos, estando dispersas pelo chão abóboras que serviam de vasos, com ramos de medronheiros. A comitiva chegava ao Gerês às 16h30, sendo ali aguardada por Ricardo Jorge e Paulo Marcellino, além de vários caçadores e muito povo que quis assistir à chegada da realeza. Na ocasião queimou-se fogo de artifício ao mesmo tempo que se emitiam "aclamações entusiásticas" ao rei ao ser acompanhado até ao chalé de Alfredo Tait, onde a família real se hospedaria durante a sua estadia. A rainha D. Maria Pia e a princeza D. Amélia chegavam ao Gerês pelaa 20h00, sendo acompanhadas pela população do Vilar da Veiga que as seguiram numa marcha luminosa com balões e lanternas venezianas.

A noite seria festiva nas Caldas do Gerês, com a localidade iluminada de forma festiva, tando nas estradas como nos chalés particulares, além do Grande Hotel e do Hotel Universal. Nessa noite, muita gente afluiu ao Gerês para testemunhar os festejos da presença da família real, havendo música por duas bandas filarmónicas, além de cantares populares junto do chalé de Alfredo Tait.



A caçada real teve lugar a 13 de Outubro, nela participando - além da família real - cerca de 500 caçadores dos lugares vizinhos. O monteiro-mór da caçada foi Sebastião Pinto de Carvalho, sendo vice-monteiro-mór Miguel Gonçalves Dias, coadjuvados por José Gil Barbedo e por Manuel Marcella e Martins. A caçada seria composta por três batidas, sendo uma a Norte (para a caçada ao javali), uma no centro da serra (corças, gamos e veados), e uma terceira a Nascente (cabra-montês).

O dia nasceu cinzento e a promeger chuva, porém, foi decidido avançar com a caçada, mas aconselhou-se à rainha que não seria conveniente aventurar-se nas serranias com o tempo tão mau, pois a ascensão seria fatigante. No entanto, D. Maria Pia recusou tais conselhos e seguiu em conjunto com a restante comitiva.

A saída ocorreu pelas 8h00, seguindo o rei, a raínha e os príncipes a cavalo, sendo acompanhados por Ricardo Jorge e Paulo Marcellino, além dos caçadores (a princeza D. Amélia não tomou parte na caçada).

A subida em direcção à Portela de Leonte era na altura difícil e perigosa, sucedendo-se os desfiladeiros e as veredas estreitas e tortuosas abertas em terrenos quase a pique, sendo o avançar acompanhado por ruidosas quedas de água que se despenham desde grande altura, formando lagoas e poços que só se podiam contornar caminhando por penedias escarpadas. Recorde-se que nesta altura ainda não existia a estrada que mais tarde seria aberta entre as Caldas do Gerês e a Portela de Leonte, onde seria construída uma das primeiras casas florestais.

A chegada à Portela de Leonte proporcionou largos horizontes, surgindo uma mata verdadeiramente virgem recheada de grandes árvores e lustrosa vegetação. Foi na Chã de Leonte onde a comitiva real se posicionou para a espera das corças, estabelecendo-se previamente a batida numa grande área em redor. Os monteiros procuraram assustar os animais utilizando tiros e gritos, mas a caçada não surgiu onde a realeza a aguardava...

Porém, não muito longe - e num local descrito como "Chã da Carvalhosa" (possivelmente a Chã do Carvalho ou Chã do Carvalho de Leonte) - o padre Domingos da Chunha Almeida Peixoto e o caçador Serafim da Silva, abatiam uma corça, sendo outra abatida em Maceira.

Os receios criados pelo mau tempo vieram a confirmar-se mais tarde. As nuvens negras encobriram os píncaros serranos e a serra começou a mostrar quem ali ditava as ordens, com a chuva a começar a cair de forma torrencial. Foi improvisada uma cobertura para abrigar a raínha utilizando a manta alentejana que era usada por D. Carlos, mas o peso da água em breve tornava inútil esse esforço. Foi então decidido começar a descida em direcção às Caldas do Gerês a pé e debaixo de aguaceiros constantes, seguindo pelos atalhos agrestes da montanha. À frente seguia D. Mria Pia usando um pequeno guarda-chuva, sendo acompnhada por António Paraty, conde de S. Mamede, e pelo major Duval Telles. Atrás, seguia o infante D. Afonso envolto num gabão de Aveiro e depois o príncipe D. Carlos, vindo finalmente o rei D. Luís acompanhado pelos condes de Ficalho e de Tarouca, todos sem qualquer resguardo.

A chuva era intensa e o ambiente de invernia, sendo imensos os obstáculos a ultrapassar antes de se chegar às Caldas. A água havia engrossado os pequenos regatos que agora eram enchurradas que se despenhavam ruidosas pelas encostas. A caminhada era feita com extremo cuidado, pois uma simples escorregadela poderia terminar numa queda nas profundezas dos despenhadeiros que se abriam nas orlas dos caminhos estreitos. Por outro lado, a vegetação selvagem na forma de urzes e carquejas, junatemte com as arestas rochosas que feriam os pés, tornavam o regresso num tormento.

Após 4 km de dura e penosa caminhada, a comitiva chegava a Secelo onde a realeza pôde montar a cavalo e seguir para as Caldas do Gerês.

Pelas 16h00 chegava os caçadores do Vilar da Veiga com as duas corças mortas que ofereceram a D. Luís, tendo este retribuído com 100$000 reais ao que os caçadores retribuiram com uma descarga das suas armas ainda carregadas.

No jantar estiveram presentes Ricardo Jorge, Paulo Marcellino, José Gil Barbedo e Manuel Marcella e Martins, além do padre Sebastião e Miguel Gonçalves Dias, todos convidados do rei.

Nessa noite, os caçadores de Brufe, Carvalheira e Cibões, desceram a quebrada da Cerdeira trazendo uma outra corça morta por Manuel Joaquim Martins Coraco e por Francisco Martins Caniço, que foram gratificados com 10 libras.

Uma caçada que estava prevista para o dia 14 não foi realizada pela realeza, pois os caminhos ficaram intransitáveis com a chuva que caiu nessa noite. Poirém, os povos das freguesias do Campo do Gerês e outras, continuaram a caçada, abatendo um veado e duas corças. Este dia foi passado pela família real em passeio nas proximidades das Caldas do Gerês, indo ao Vilar da Veiga e Rio Caldo. O príncipes D. Carlos «entreteve-se» a "atirar aos pássaros" e tanto ele como a raínha e D. Amélia fizeram alguns cróquis de diversos locais pitorescos.

O padre Sebastião de Freitas ofereceu a D. Amélia uma colecção de minerais da Serra do Gerês, destacando-se um magnífico exemplar de cristal rosa.

Na noite do dia 14 chegaram os povos do Campo do Gerês, Cabril e Brufe com as duas corças e com o veado que haviam abatido. À raínha foi ainda oferecida por Gaspar Malheiro uma corça domesticada.

A família real regressaria a Braga no dia 15 de Outubro, deixando o Gerês pelas 11h00.

_____

O texto é baseado num artigo da revista O Occidente (n.º 322, 1 de Dezembro de 1887)

Fotografia: O Occidente

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCLXII) - A Corga Funda

 


A imensa Corga Funda surge-nos como um rasgo na paisagem dos domínios de Pincães, Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

A neve voltou ao de leve às Minas dos Carris

 


Com o frio que se fez sentir no final do dia 12 de Abril e cumprindo as previsões meteorológicas, a neve voltou ao de leve à paisagem das Minas dos Carris, tal como se pode constatar pela imagem proveniente da Estação Meteorológica Experimental dos Carris.

 Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados) via Carlos Araújo / EMC

Previsão meteorológica para Nevosa/Carris (13 a 19 de Abril)

 


A neve poderá ainda voltar à paisagem das Minas dos Carris na manhã do dia 13 de Abril. Os céus limpos deverão regressar a partir da noite do dia 14 de Abril.

domingo, 12 de abril de 2026

Vezeira do Vilar da Veiga renova abrigo pastoril do Curral da Espinheira

 


A Vezeira do Vilar da Veiga, Terras de Bouro, procedeu à renovação integral do abrigo pastoril do Curral da Espinheira.

O abrigo encontrava-se sem uso e alagado há já vários anos, sendo agora alvo de trabalhos de reconstrução, restauração, renovação e melhoramentos, podendo ser utilizado pelos vezeireiros durante as suas permanências na serra. Esta renovação inseriu-se num conjunto de trabalhos de melhoramento e nova utilização do Curral da Espinheira.

Recorde-se que a vezeira - um movimento de transumância secular que se pratica na Serra do Gerês, terá o seu Dia dos Covais a 3 de Maio e os animais deverão subir para as pastagens de altitude por volta do dia 10 de Maio.

De salientar que os abrigos pastoris que existem na Serra do Gerês e nas outras serranias do Parque Nacional, são propriedade privada pertencente aos diferentes baldios e vezeiras e que a sua ocupação deverá ser autorizada pelas mesmas, havendo prioridade por parte dos pastores na sua utilização.

Assim, estas estruturas e edifícios deverão ser respeitados e preservados por todos os que visitam as serranias do Parque Nacional.

Fotografia © Filipe Mora Pires (Todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa/Carris (12 a 18 de Abril)

 


Possibilidade de queda de neve nas Minas dos Carris a 12 e 13 de Abril.


Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados) via Carlos Araújo / EMC


sábado, 11 de abril de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCLXI) - As paredes convergentes do Fojo de Pincães

 


O Fojo do lobo de Pincães (ou Fojo da Sobreira) é um dos muitos testemunhos existentes na Serra do Gerês da dura e difícil convivência entre o Homem e o Lobo.

No seu livro "Aldeia de Pincães" (Julho de 2009, pág. 125), António F. M. Ribeiro Guimarães, refere "O fojo do lobo de Pincães tem um enquadramento, com a serra, extraordinário e do local onde se encontra temos uma vista deslumbrante sobre as Serra do Gerês e da Cabreira. Os pastores garantem haver lá uma pedra com a inscrição 1184."

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Festival Aldeia de Lobos 2026

 


O Festival Aldeia de Lobos, em Fafião, irá decorrer a 10 e 11 de Julho de 2026.

Novidades em breve!

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Previsão meteorológica para Nevosa/Carris (9 a 15 de Abril)

 


Aparentemente os modelos ainda não colocam de parte a possibilidade de queda de neve nas Minas dos Carris a 11 e 12 de Abril. Ficamos atentos...

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCLX) - O Pé de Cabril descendo a Costa do Morujal

 


Passando a Chã do Carvalho (ou Chã do Carvalho de Leonte) e descendo a Costa do Morujal, os tons de Primavera vão-se instalando na paisagem que adorna o Pé de Cabril, Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa/Carris (8 a 14 de Abril)

 


Se mesmo em pleno Inverno é difícil estabelecer as condições nas quais podemos esperar neve nos próximos dias, em períodos de mudança de estação - onde a situação meteorológica é mais instável - esta previsão é mais difícil. E foi isso mesmo que aconteceu com a previsão de um período de neve para os dias 11 a 13 de Abril que agora surgem quase sem precipitação.

terça-feira, 7 de abril de 2026

Previsão meteorológica para Nevosa/Carris (7 a 13 de Abril)

 


Retomando de forma breve estas publicações para dar nota do possível episódio de neve que poderá ocorrer nas Minas dos Carris entre 11 e 13 de Abril.

Teremos dois dias de chuva (7 e 8 de Abril) seguidos de uma acalmia nos dias 9 e 10 de Abril e depois a possibilidade de queda de neve entre 11 e 13 de Abril. Sendo a previsão a mais de três dias, deverá ser vista com uma pitada de sal...

domingo, 5 de abril de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCLIX) - Paisagem desde o Vidoal

 


A paisagem desde o Vidoal nunca desilude por entre os cenários que a Serra do Gerês nos oferece. Seja em dias de nevoeiro, onde as nuvens envolvem como mortalhas as penedias e os ramos dos grandes carvalhos, seja em dias de neve, onde o manto branco cobre a paisagem de um silêncio que se entranha, a grandiosa paisagem que se abre perante o olhar leva-nos às alturas do Pé de Medela e de Carris de Maceira, mergulhando na Corga da Cântara para logo apontar de novo aos céus no Cabeço da Cântara que encima o Vale do Rio Maceira escondido nas profundezas. A Roca d'Arte surge como rampa para os freguedos aprumados do Cabeço de Lavadouros antes do olhar se deter (a partir daqui fora de cena) no Cabeço de Sineiros e a antena que se eleva no Borrageiro chamar a nossa atenção.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sábado, 4 de abril de 2026

Que futuro para a Peneda-Gerês?

 


Uma conversa entre o autor do livro "Peneda-Gerês, Parque Nacional de Portugal", de Miguel Brandão Pimenta, Maria de Lurdes Serpa Carvalho, diretora da CCDR do Algarve, e o biólogo Jorge Palmeirim. Moderação de Isabel Lucas.

Único parque nacional do país, a Peneda-Gerês é hoje uma paisagem cultural sob forte pressão.

No livro "Peneda-Gerês, Parque Nacional de Portugal" evidencia problemas como o turismo massificado, a perda de habitats e a descaracterização do património construído, levantando questões essenciais.

Como garantir a continuidade dos 114 aldeamentos e dos seus mais de sete mil habitantes sem pôr em causa a conservação dos ecossistemas? E o que está por detrás dos «velhos interesses disfarçados» que continuam a prejudicar a verdadeira missão do Parque?

Um interessante debate para ver aqui!

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCLVIII) - Roca das Pias e Roca Negra

 


Fundidas na imagem com um maciço granítico contínuo, a Roca Negra parece surgir como continuação da Roca das Pias, tendo, porém, entre elas o Quinão do Meio, nesta paisagem de beleza agreste da Serra do Gerês (a antena existente no Borrageiro surge timidamente à esquerda da Roca Negra).  

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Outros trilhos - Vale da Ribeira do Mosteiro (PR1 FEC)

 


Um percurso de pequena rota através das paisagens do Parque Natural do Douro Internacional, o PR1 FEC desenrola-se na zona sul do concelho de Freixo de Espada à Cinta, na freguesia de Poiares.

A Ribeira do Mosteiro corre por entre meandros rochosos, escavando um vale profundo com vertiginosas escarpas e precipícios, um verdadeiro ex-libris em termos paisagísticos e geológicos. Este percurso permite a visita a este local único por caminhos e trilhos antigos, nomeadamente através da lendária Calçada de Alpajares, classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1977. O percurso estende-se por uma paisagem montanhosa e agreste escavada por diversas linhas de água, sendo a principal a ribeira do Mosteiro. As vertentes estão preenchidas por matos de giestas, piorno e rosmaninho e, junto às fragas, observam-se também manchas de cornalheira, algumas de porte arbóreo.




Ao longo da ribeira, as árvores características da galeria ripícola, como amieiros, salgueiros, freixos e choupos, convivem com diversas fruteiras, em particular laranjeiras, limoeiros e nespereiras. Nas encostas contíguas marcam presença os amendoais e olivais.

Quanto à fauna, destaca-se a presença de aves como o britango (Neophron percnopterus), o grifo (Gyps fulvus), a águia-real (Aquila chrysaetos), a cegonha-preta (Ciconia nigra) e o falcão-peregrino (Falco peregrinus), bem como o chasco-preto (Oenanthe leucura), espécie Criticamente Em Perigo em Portugal, sendo este um dos poucos locais onde é observado com alguma regularidade.




O percurso corresponde a um circuito pedonal circular, com 7,5 km de extensão, que se inicia junto ao Castro de São Paulo, a cerca de 3 km da aldeia de Poiares. Daqui pode observar-se, à esquerda, uma estrutura quartzítica designada por Muro da Abalona.

O Muro da Abalona consiste numa parede rochosa de grandes dimensões situada numa zona do vale da ribeira do Brita. Esta mais não é do que uma espessa camada de quartzito que foi dobrada até atingir uma posição vertical. Há cerca de 300 milhões de anos, o choque entre continentes provocou o dobramento e elevação dos sedimentos depositados em bacias marinhas, o que originou cadeias montanhosas, erguendo terrenos até então marinhos. Este processo de colisão continental, para além das pressões que gerou, provocou também um aquecimento nos minerais, o que resultou na sua modificação. Assim, por metamorfismo de contacto, os depósitos arenosos deram origem a quartzitos. Devido à sua resistência aos agentes erosivos, as camadas quartzíticas foram-se mantendo praticamente inalteradas, enquanto as rochas mais xistosas, que as envolviam, eram afectadas pela erosão, sendo os materiais resultantes transportados para longe pela chuva, pelos cursos de água, pelo vento e outros agentes erosivos, fazendo desaparecer, pouco a pouco, os materiais que envolviam esta camada de quartzito.




A pequena rota segue para Sul, descendo a Calçada de Alpajares, e continua por caminho de pé posto até atravessar a ribeira do Mosteiro por um pontão. Continua para Sul por caminho vicinal, ao longo da ribeira, até encontrar a estrada municipal conhecida por Estrada do Candedo. Inflete então para Norte, seguindo por esta estrada (praticamente sem trânsito automóvel) até ao miradouro das Alminhas, onde continua pela calçada aí existente.

Atravessa novamente a ribeira e sobe pela Calçada de Alpajares até ao Picão de Santa Ana, seguindo depois por caminho vicinal até ao ponto de partida. A Calçada de Alpajares é um caminho medieval, talvez da 1ª dinastia, importante até ao início do séc. XX (antes das estradas do Estado Novo). Ligaria as terras de Miranda, a Norte, à zona de Ribacôa, a Sul. O traçado seria mais próximo do rio Douro, até Freixo de Espada à Cinta. Daqui, orientava-se em direção à Serra de Poiares e à aldeia com o mesmo nome. De Poiares seguiria a direção Este-Oeste e depois Norte-Sul, grosso-modo, até atingir o Monte de São Paulo. Daqui faria a descida em ziguezague até atingir a ribeira do Brita e continuaria até entrar no vale da ribeira do Mosteiro, seguindo pela sua margem esquerda até atravessar uma antiga ponte mais abaixo, a ponte do Diabo. Pela margem direita da ribeira, iria afastando-se progressivamente da sua foz e seguiria um caminho na margem do Douro até chegar em frente a Barca de Alva, onde a travessia se faria por uma antiga barca. Também conhecida como calçada dos Mouros ou do Diabo, actualmente, só resta um pequeno troço, com cerca de 1 km, empedrado com seixos do rio e pedaços de xisto, que liga o Monte de São Paulo à ribeira do Brita, e que corresponde a um dos sectores do percurso pedestre do vale da ribeira do Mosteiro. 





No PR1 FEC, salientam-se diversos aspetos geológicos, com destaque para as dobras resultantes da colisão entre continentes que provocou o dobramento dos sedimentos marinhos, sendo as mais espetaculares observadas no miradouro das Alminhas.

Outro aspeto relevante são as pinturas rupestres, do Paleolítico Superior, que se encontram junto à Calçada de Alpajares, na chamada Fraga do Gato, que representam dois animais - uma lontra (delineada a ocre avermelhado) e um mocho (pintado em tons de negro).

Ficam algumas fotografias do dia...






























Texto baseado em:

PR1 FEC Vale da Ribeira do Mosteiro

- Calçada de Alpajares

Muro da Abalona

Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)