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sexta-feira, 17 de julho de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCXVIII) - A caminho de Iteiro d'Ovos

 


A grande mariola assinala a direcção do Estreito a caminho de Iteiro d'Ovos, um dos colossos da Serra do Gerês. A Meda de Rocalva espreita no lado esquerda da fotografia.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 16 de julho de 2026

"Bloco quer conhecer parecer do ICNF e medidas de proteção ambiental para a etapa que atravessa a Mata de Albergaria"

 


Notícia do jornal Terras do Homem pelo jornalista Pedro Antunes Pereira, para ler aqui.

"A realização de um evento com a dimensão logística da Volta a Portugal que envolve centenas de veículos, equipas, organização, forças de segurança, comunicação social e um elevado número de espectadores levanta preocupações quanto aos impactes sobre os habitats naturais, as espécies protegidas, o património arqueológico e o risco acrescido associado ao período de elevado perigo de incêndio."

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

De velhos mitos



Conhecer a História é compreender o território.













Conhecer a História é não alimentar falsos mitos.

Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Uma prenda de um amigo

 


Quando fazia parte das filieras do Agrupamento XIX - S. Vicente, Braga, do Corpo Nacional de Escutas, um dos locais com que mais frequência visitávamos era a Serra do Gerês.

Nos idos dos 90, olhar para a carta militar n.º 31 era como viajar com a imaginação através de montes e vales. Os nomes que iam surgindo ao longo das nossas viagens imaginárias, levavam-nos para aventuras sem fim e transportavam-nos para «grandes conquistas» por entre as serranias desconhcidas.

Uma viagem ao Gerês e a emoção da chegada à vila termal ou à aldeia do Campo do Gerês, era o início de uma aventura que nos levava a zonas «quasi» selvagens. Explorar o Vale do Homem, caminhar nas planuras da Messe, mergulhar nas águas do Arado, calcorrear as ruelas escuras dos povoados ou aventurar-nos pelo desconhecido da Serra Amarela, criavam memórias que ainda perduram e perdurarão.

O Parque Nacional e o contacto com as suas gentes era uma ocasião para tudo aproveitar, conhecer e absorver. Por isso, coleccionávamos tudo o que podíamos encontrar, desde o pequeno osso ou um pequeno ramo no qual inscrevíamos a data da aventura, até um parafuso enferrujado das minas perdidas na vastidão da serra, passando pela documentação impressa sobre o Parque Nacional.

Ontem recebi uma prenda de um amigo dessas aventuras calcorreadas com botas de biqueira de aço ou com as «botas da tropa» do irmão mais velho, calçando as meias de lá religiosamente compradas na vila do Gerês e carregando as pesadas mochilas e tendas de lona ao longo de longos quilómetros.

As fotografias, que vão existindo, parecem começar a desbotar e a perder a cor, mas a memória destes momentos encontra-se sempre viva e clara... "às bezes!"

Um abraço!

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCXVII) - O Curral das Abrótegas e Carris

 


O marco geodésico dos Carris (na extrema da freguesia do Campo do Gerês) surge como um pequeno ponto no horizonte nesta fotografia que tem em primeiro plano o abrigo pastoril do Curral das Abrótegas, Serra do Gerês. Faltando-lhe a cobertura de torrões de terra, este abrigo pastoril é um magnífico exemplo dos velhos abrigos de falsa cúpula existentes um pouco por todo o território do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

O Curral das Abrótegas é também conhecido como o "Curral do Armando Espada", sendo um de dois currais existentes na Chã das Abrótegas (o outro é o Curral de Cabanas Novas - ou Curral do Conde de São Lourenço).

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

"O Gerês não tem de escolher entre Natureza e desenvolvimento"

 


O Vereador da Câmara Municipal de Terras de Bouro, António Cunha, publicou na rede social controlada pela Meta, a sua opinião sobre a passagem da Volta a Portugal em Bicicleta pela Mata de Albergaria... 

"Terras de Bouro precisa do turismo e o turismo precisa de promoção. Felizmente, essa promoção pode e deve ser compatibilizada com a preservação do património natural. Quem me conhece sabe que jamais defenderia qualquer iniciativa que colocasse em causa os valores ambientais do Parque Nacional da Peneda-Gerês."

O texto completo pode ser acedido aqui.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)


quarta-feira, 15 de julho de 2026

"ICNF diz que não lhe cabe multar quem ignora restrições no Gerês, onde GNR identificou 47 pessoas nas Sete Lagoas"

 


Notícia do Observador para ler aqui.

A presidente da Câmara de Montalegre defende a aplicação de multas para resgates em zonas de alerta de incêndio devido ao incumprimento das regras. O ICNF diz que não lhe cabe aplicar sanções.

Fotografia © Pedro Sarmento Costa/LUSA

V Encontro de Escaladores no Campo do Gerês


No fim de semana de 26 e 27 de Setembro de 2026, vai realizar-se o 5° Encontro de Escaladores do Campo do Gerês!

Em breve mais novidades, informações e a abertura das inscrições!

Falta de água na "serra alta"

 


A pouca quantidade de chuva que tem caído nos últimos meses, não foi suficiente para renovar os aquíferos a maior altitude na Serra do Gerês.

Muitas das nascentes ou fontes encontram-se com pouco caudal e a recolha de água dos ribeiros pode ser problemática, pois com a presença das vezeiras na serra, a qualidade é duvidosa que mesmo as pastilhas purificadoras e desinfectantes ou os filtros de água poderão não ser suficientes para a tornar potável.

Por exemplo, se em 2025 a Fonte do David - nas Minas dos Carris - acabaria por secar em meados de Agosto, no corrente ano a fonte já quase não tem água, que cai a gotas e em breve estará seca. Para quem caminha pelo Vale do Alto Homem, a única fonte é a Fonte da Abilheirinha, no início do percurso. A Fonte da Portela do Homem apresenta um escasso caudal.

O mesmo se verifica noutras fontes (na zona do Arado, Vale do Rio Conho,) com pequenos ou inexistentes caudais, e mesmo algumas estando já secas (a caminho de Pradolã, logo após Pousada; e a Fonte do Curral de Rocalva).

Para as grandes travessias (por exemplo, Prados da Messe para Borrageiros), existe água na Fonte de Premuinho (a poucas dezenas de metros do Curral de Premuinho) e possivelmente (com pouco caudal) haverá água na Fonte de Arrocela (perto das velhas minas). Para a travessia para Pitões das Júnias aconselha-se que levem pelo menos 3 litros de água, pois não há fontes ou nascentes de confiança disponíveis.

Caso tenham alguma informação sobre as fontes ou nascentes com «bom» caudal ao longo dos percursos, por favor compartilhem?!

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Sobre os «polémicos» resgates, os custos dos mesmos, da responsabilidade individual e a gestão do Parque Nacional

 


Os resgates que ocorrem na Serra do Gerês (os outros não merecem tanta divulgação mediática) são sempre tema nos dias de Verão ou quando a meteorologia brinda a paisagem com os dias soalheiros.

A cada resgate surge uma legião de impertigados a exigir o pagamento dos mesmos, seja em que circunstância ocorram; desde "ovelhas não são para mato" até a "irresponsáveis", lê-se de tudo. O cenário é o reflexo do tipo de sociedade na qual nos tornamos: ódiosa, mal formada e informada, cada vez mais dependentes de uma IA que, eventualmente, nos vai dominar, mas que para muitos será uma ferramenta de conhecimento vazio e ôco.

A situação é tal que o Comandante dos Bombeiros Voluntários de Salto, Hernâni Carvalho, «se viu obrigado» a publicar um interessante esclarecimento na sua página da rede social Facebook...

De forma resumida:

1) "Eu não acompanho a ideia de que as pessoas que são socorridas no Parque Nacional da Peneda do Gerês, tenham de pagar multas ou custos Associados ao Socorro. Em Portugal, o socorro é gratuito e não pode ser diferente para os visitantes deste Parque. (...) ninguém paga uma ambulância que leva um cidadãos alcoolizado ao hospital. Portanto, no Parque, há-de ser como é no resto do País."

2) "Eu não tenho nenhum interesse que as pessoas que não cumprem as declarações de alerta, ou o regulamento do Parque, sejam multadas. (...) Aquilo que defendo, é mais responsabilidade individual, atitudes preventivas que visem a segurança coletiva e previnir acindetes. Defendo sim, que as entidades que têm responsabilidade de ordenar o território, tivessem mais informação disponível, portas e pontos físicos de difusão de informação oficial e uma malha de vigilantes que, no território, informassem as pessoas."

3) "(...) quem não respeitar o PNPG e as suas gentes, não o merece conhecer."

4) "Assumo que sou mais um apaixonado do Parque Nacional da Peneda do Gerês. Gostava de ver este diamante bruto melhor gerido, não só com respeito pela natureza e por este património natural ímpar, mas sobrerudo com mais respeito por quem lá vive. (...) ...mas não me canso de dizer que o Parque tem uma ausência de estado grotesca nalguns aspetos, como este, e excesso de estado e de zelo em outros, que só o prejudicam."

A declaração completa pode ser lida aqui.

Fotografia © Hernâni Carvalho (Todos os direitos reservados)

A Volta a Portugal no Gerês

 


Um evento como a Volta a Portugal em Bicicleta é inegavelmente um meio de promoção do território a nível nacional e internacional.

De facto, aproximando-se da sua centésima edição, até se questiona como não correu mais cedo por estas paragens? A resposta é óbvia: a Volta passa em locais onde o financiamento existe e não é pelos «lindos olhos do Gerês» que ela vem para cá.

Tornando-se a polécima do momento, o traçado da Volta quer levá-la a cortar a Mata de Albergaria, Reserba Biogenética declarada pela UNESCO, verdadeiro coração e razão de ser do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG). Em dois ou três dias já se escreveu o essencial sobre as razões pelas quais não deve (e não pode) passar pela Mata de Albergaria: a Volta é essencialmente uma "enorme comitiva composta por dezenas e dezenas de automóveis da organização, das equipas, da comunicação social, das forças de segurança e de assistência, para além do inevitável afluxo de espectadores", acrescentando helicópteros a baixa altitude. Se a passagem é fugaz, a presença de milhares de pessoas num espaço limitado como é a Mata de Albergaria, a "área ecologicamente mais sensível do único Parque Nacional português" é razão suficiente para ter "bom senso" e determinar um percurso alternativo para a Volta que pode, seguramente, promover de melhor forma o concelho e o Parque Nacional.

Volta a Portugal em Bicicleta em Terras de Bouro e na vila do Gerês, óbviamente que sim! A passar na Mata de Albergaria, óbviamente que não!



Questiona-se também como é que se chegou a este traçado para a Volta em Portugal em Bicicleta sabendo de antemão que: 

- 1) atravessa uma zona sensível do Parque Nacional,

- 2) sabendo que o Plano de Ordenamento do PNPG não o permite,

- 3) sabendo que o traçado seria polémico e que estaria sugeito a "constrangimentos".

Quem aconselhou a Organização da Volta em Portugal em Bicicleta 2026 e que garantias foi dada à Organização de que tal seria possível? Porque se apela a uma minimização de "constrangimentos"? Porque é que o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas - ICNF - (supostamente) não foi consultado antes da divulgação do evento a 9 de Julho de 2026?

O que é a Mata de Albergaria? A Mata de Albergaria é uma extensa área florestal, localizada na zona central do PNPG ocupando uma área superior a 1.500 hectares, ao longo do Vale do Rio Homem. Tendo resistido a séculos de desflorestação por incêndios frequentes e pastorícia, a Mata de Albergaria é hoje um testemunho único dos bosques que outrora cobriam o noroeste da Península Ibérica: o carvalhal galaico-português. Representa o único carvalhal maduro de carvalho-alvarinho (Quercus robur) existente em Portugal. Os restante bosques de carvalho existentes em Portugal são de menor dimensão e, sobretudo, muito mais jovens. 



O Parque Nacional da Peneda-Gerês está no limite, sem financiamento, sem Vigilantes da Natureza, ao abandono, mal tratado, enfim «sem rei, nem roque». Tal como referiu Hernani Carvalho, o Parque Nacional "tem uma ausência de estado grotesca nalguns aspetos, (...), e excesso de estado e de zelo em outros, que só o prejudicam" e citando Miguel Brandão Pimenta, "a legislação ambiental é invocada para limitar os cidadãos, mas pode ser ignorada quando estão em causa grandes eventos."

Define-se "Parque Nacional" como uma área que contenha maioritariamente amostras representativas de regiões naturais características, de paisagens naturais e humanizadas, de elementos de biodiversidade e de geossítios, com valor científico, ecológico ou educativo. A classificação de um parque nacional visa a proteção dos valores naturais existentes, conservando a integridade dos ecossistemas, tanto ao nível dos elementos constituintes como dos inerentes processos ecológicos, e a adopção de medidas compatíveis com os objetivos da sua classificação.

A autorização da passagem deste evento pela Reserva Biogenática da Mata de Albergaria por parte do ICNF é uma verdadeira machadada na sua autoridade e deita por terra qualquer credibilidade e autoridade na gestão do PNPG, com as óbvias graves consequências de daí advêm.

O Parque Nacional é de todos, "vamos juntos" protegê-lo!

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

"A Volta a Portugal em Bicicleta Invade o Nosso Único Parque Nacional"



Comunicado da FAPAS sobre a possibilidade da Volta a Portugal em Bicicleta passar pela Mata de Albergaria na sua edição de 2026.

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A FAPAS - Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade, vem manifestar a sua profunda preocupação com as recentes notícias da passagem, no próximo dia 13 de Agosto, da Volta a Portugal em Bicicleta 2026 no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), classificado pela UNESCO como Reserva Mundial da Biosfera.

Nada nos move contra a Volta a Portugal, mas muito nos mobiliza em defesa do nosso único Parque Nacional: a biodiversidade, a paisagem, a cultura local, o turismo rural, entre muito outros valores que o Parque Nacional deve acautelar.

O site oficial da Volta a Portugal indica que a 7.ª etapa partirá de Vieira do Minho, passará pela Caniçada, Rio Caldo e Vila do Gerês, subirá à Portela de Leonte pela EN308-1 e atravessará depois a Mata da Albergaria, pela estrada florestal até à Portela do Homem. 

Não serão só os ciclistas a atravessar a Mata de Albergaria, uma das áreas mais sensíveis do PNPG, mas também uma numerosa e ruidosa comitiva de acompanhamento constituída por automóveis, motos, altifalantes, sirenes, espectadores, etc.

Depois de inúmeras atrocidades feitas e tentadas no PNPG faltava esta atividade, de resto sujeita a parecer do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), entidade que gere o PNPG.

Esta área protegida rege-se pelo Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês (POPNPG) aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 11-A/2011 de 4 de fevereiro.

Ora esse Plano determina, no seu Artigo 8.º (Actos e actividades condicionados) que "[...] na área de intervenção do POPNPG ficam sujeitos a parecer do ICNB, I. P., os seguintes actos e actividades, quando realizados em áreas sujeitas a regimes de protecção [como é o caso da Mata de Albergaria]: "e) A prática de actividades desportivas e recreativas não motorizadas [...] bem como a realização de eventos desportivos ou recreativos, [...] excepto se previstas na Carta de Desporto de Natureza;", o que não acontece.

Não faltam locais montanhosos em Portugal onde esta competição se poderia realizar, mas acetaram logo numa área protegida, o que mostra, por um lado, a profunda iliteracia ambiental e, por outro, o enorme recuo das medidas e ações de conservação da natureza

A FAPAS solicita à Senhora Ministra do Ambiente e ao ICNF que divulguem publicamente o parecer que o ICNF deu (se é que deu!) sobre esta a travessia da Mata de Albergaria pela ruidosa Volta a Portugal em Bicicleta 2026.

É que, se o ICNF não deu parecer, então a situação é mais grave!

terça-feira, 14 de julho de 2026

"A Volta a Portugal não está acima da lei", um texto de Miguel Brandão Pimenta

 


O site oficial da Volta a Portugal 2026 é claro: a 7.ª etapa partirá de Vieira do Minho, passará pela Caniçada, Rio Caldo e Vila do Gerês, subirá à Portela de Leonte pela EN308-1 e atravessará depois a Mata da Albergaria, pela estrada florestal até à Portela do Homem. 

Não passará apenas o pelotão. Segui-lo-á uma enorme comitiva composta por dezenas e dezenas de automóveis da organização, das equipas, da comunicação social, das forças de segurança e de assistência, para além do inevitável afluxo de espectadores. Tudo isto no coração da área ecologicamente mais sensível do único Parque Nacional português.

Esta decisão é incompreensível. E é ainda mais grave porque o Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês é claro ao não permitir a realização de provas desportivas na Área de Protecção Parcial, onde se integra a Mata da Albergaria.

Portugal tem milhares de quilómetros de estradas e inúmeras alternativas para traçar uma etapa da Volta. Não havia qualquer necessidade de fazer passar a prova precisamente pelo sector mais sensível e mais protegido do Parque Nacional, que é simultaneamente Reserva Biogenética da Europa.

A passagem da Volta em Albergaria será um lamentável retrocesso e mais um sinal de que a legislação ambiental é invocada para limitar os cidadãos, mas pode ser ignorada quando estão em causa grandes eventos.

O ICNF e a organização da Volta a Portugal têm o dever de esclarecer publicamente em que disposição legal fundamentam esta decisão. Se a lei permite esta etapa, indiquem o artigo. Se não permite, expliquem por que razão entendem não estar obrigados a cumpri-la.

Fotografia © Miguel Brandão Pimenta (Todos os direitos reservados)

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCXVI) - Cancela

 


As paredes aprumadas do maciço de Cancela são aqui fotografadas na descida do Vale do Alto do Homem após a passagem do Modorno, Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

"Volta a Portugal quer entrar no coração do Gerês, mas ICNF ainda não aprovou a etapa"

 


Notícia do jornal PÚBLICO pela jornalista Andrea Cunha Freitas para ler aqui.

Passagem inédita pela Mata de Albergaria, uma das áreas mais sensíveis do Parque Nacional da Peneda-Gerês, gera contestação. Autoridade ambiental confirma que processo está em análise.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Postais do PNPG (CCLXXII) - "GEREZ - Estrada para as Salas"

 


Um aspecto da estrada para as Salas que liga as Caldas do Gerês ao Campo do Gerês, num postal da primeira metade do século XX.

O postal (não circulado) é uma edição Neogravura, Lda (Lisboa) e baseado numa fotografia da Foto Zalez (Edição Loja Espanhola).

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Minas dos Carris, 13 de Julho de 2026

 


A paisagem vista das Minas dos Carris ne tarde do dia 13 de Julho de 2026, com o Pico da Nevosa e a Garganta das Negras. 

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados) via Carlos Araújo / EMC

"Apesar do risco de incêndio, 47 pessoas foram identificadas no Gerês em zonas interditas"

 


Notícia da SIC Notícias pela jornalista Manuela Carneiro e Miguel Costa, para ver aqui.

As 47 pessoas identificadas pela GNR incorrem em coimas, de acordo com as circunstâncias e a legislação em vigor.

Imagem: SIC

domingo, 12 de julho de 2026

"Volta a Portugal 2026: ZERO exige clarificação sobre etapa da prova que passa em zona crítica do Parque Nacional da Peneda-Gerês"

 


A ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável tomou conhecimento, através da apresentação do percurso da 87.ª Volta a Portugal em Bicicleta, de que a 7.ª etapa (13 de agosto, Vieira do Minho – Termas do Gerês) atravessa o Parque Nacional da Peneda-Gerês, incluindo a subida inédita a Germil e uma incursão em território espanhol junto à fronteira.

Leia o texto completo aqui.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCXV) - A Roca das Pias

 


O cume da Roca das Pias (ou Cutelo de Pias, como é designado na aldeia da Ermida), Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sábado, 11 de julho de 2026

"Haja bom senso!"

 


Define-se "bom senso" como uma forma de agir que não é afectada pelas paixões, que se pauta na razão e no equilíbrio, de acordo com os padrões e a moral, isto é uma forma sensata e equilibrada de decidir e julgar, com razoabilidade (e acima de tudo) prudência.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCXIV) - O Camalhão desde o Borrageiro

 


O Camalhão, guardião do Vale de Teixeira, é aqui fotografado na subida para o Borrageiro, Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCXIII) - O Caramelo e o Pé de Cabril

 


Na subida da Costa de Sabrosa, surge-nos o cenário de vales profundos e florestas luxuriantes. No caso, o Vale do Rio do Forno é fechado na sua margem esqueda pela Costa de Caramelo, tendo como pano de fundo o Pé de Cabril, o Colado Seco e parte da Costa de Bemposta.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quarta-feira, 8 de julho de 2026

"Fogo que atingiu Parque do Gerês abrandou, mas ainda não foi extinto"

 


Notícia do jornal PÚBLICO para ler aqui.

A situação parece agora estar muito mais calma e o incêndio já não surge na lista de ocorrências no país.

Do artigo do PÙBLICO retiro o seguinte...

"Também Miguel Dantas da Gana referiu a suspeita de fogo deliberado perante a existência de vários focos.

“Tudo indica que poderá ter havido fogo posto, uma vez que parecem existir vários focos de incêndio em locais distintos”, disse, ressalvando que qualquer conclusão deverá aguardar a investigação das autoridades competentes."

Fotografia (imagem meramente ilustrativa) © Horacio Villalobos#Corbis/Corbis via Getty Images

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCXII) - Tardes de Verão

 


As pachorrentas vezeiras compõem a paisagem da Serra do Gerês nos dias de Verão numa paisagem que se adianta no calendário.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

O lixo como indicador turístico, os queixosos de Verão e os sabichões...

 


Este texto foi indecentemente roubado a uma publicação do Refúgio de Vegabaño, Picos de Europa, e adaptada à «nossa» realidade. Fica mais um texto para os indignados do Facebook...

O lixo como indicador turístico, os queixosos de Verão e os sabichões... e a realidade da nossa dimensão... é que vivemos em dimensões diferentes...

Em todo o Parque Nacional da Peneda-Gerês, dependendo da ápoca do ano (mas muito mais óbvio no período de Verão) mistura-se o fluxo de montanhistas, desportivos e turistas de montanha... 

Uns geram um saco de pistácios, um rolo de embalagens de chocolate e cascas de fruta, não mais de 10 centímetros cúbicos

O turista de montanha gera até o impensável... mas em média um litro e meio de porcaria... em média também, nada lhes agrada... queixam-se de tudo (que não há caixotes para deixar O SEU LIXO, que a vegetação está alta, que não há água nas cascatas, que não podem levar os carros até ao rio e cascatas, que os caminhos dos trilhos têm muitas pedras...).

Têm uma solução para cada problema e quem cá vive, não sabe viver, estes índios numa reserva... trazem também dois ou três cães sem qualquer treino e muitas vezes sem trela, e que muitas vezes ladram ao gado que pasta na serra ou aos cavalos nos caminhos, assustandos-os com as óbvias consequências)...

Estes quebram todas as regras, disem ter direito a tudo (mas nada de deveres) e dão-nos lições de Direito...

No fim há também aqueles se queixam dos que se queixam do lixo e do comportamento de quem nos visita. Revoltam-se, dizem que isto afugenta a maralha e dizem que não vão conseguir dar de comer aos filhos. Espero que ninguém morra de fome...

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

terça-feira, 7 de julho de 2026

"Incêndio no Gerês teve origem em três locais: “É um prejuízo ambiental grande para o parque nacional”"

 


Notícia d'O Minho para ler aqui.

O incêndio que lavra em Xertelo, Montalegre, no Parque Nacional da Peneda-Gerês, teve origem em três locais distintos, está a ser combatido por 104 operacionais e nove meios aéreos e está a ceder aos meios.

Fotografia: Bombeiros de Portugal / Facebook

Incêndio no PNPG (Sete Lagoas, Cabril) - Actualização

 


Continua a lavrar com intensidade o incêndio florestal que se iniciou às 20h58 do dia 6 de Julho de 2026, na zona das Sete Lagoas (Xertelo, Cabril).

Pelas 17h00 o incêndio estava a ser combatido por 97 operacionais, apoiados por 22 viaturas e 5 meios aéreos.

Terras de Bouro dá início ao programa "Voluntariado Jovem para as Florestas"

 


O Município de Terras de Bouro informou que foi iniciado, à semelhança dos anos anteriores, o programa Voluntariado Jovem para as Florestas.

Este projecto surge no âmbito das candidaturas para a juventude do Instituto Português do Desporto e Juventude, sendo que estas ações são levadas a cabo para promover práticas no âmbito da proteção da natureza, florestas e respetivos ecossistemas.

A abertura oficial do programa, que irá contar com cerca de 11 voluntários, decorreu a 6 de Julho na Câmara Municipal de Terras de Bouro, na presença do Presidente do Município, Manuel Tibo e do Vice-Presidente, Adelino Cunha e, para além das boas-vindas, foram referidos uma vez mais os objetivos desta ação:

• Promover práticas de voluntariado jovem no âmbito da preservação da natureza, florestas e respetivos ecossistemas;

• Promover a aquisição de competências transversais no âmbito da participação e cidadania junto dos/as jovens;

• Sensibilizar as populações em geral para as práticas que promovam a descarbonização da sociedade, tornem a economia circular e valorizem os territórios;

• Sensibilizar a comunidade para a preservação da natureza e para o seu papel na qualidade de vida;

• Prevenir os incêndios florestais e outras catástrofes com impacto ambiental;

• Sublinhar a importância de uma participação ativa na prevenção e na solução dos problemas ambientais;

• Mobilizar para a criação de valores e práticas ambientais, individuais e coletivas, sociais e institucionais e de sã relação com o território;

• Promover uma cultura de corresponsabilidade em termos de sustentabilidade.



Como tem vindo a acontecer nas edições anteriores, esta iniciativa representa um contributo importante para a proteção do património natural do concelho, envolvendo os mais jovens numa participação ativa em prol do ambiente.

Ao longo das próximas semanas, os voluntários desenvolverão ações de sensibilização e vigilância, reforçando a prevenção de incêndios florestais e promovendo uma cultura de cidadania, responsabilidade ambiental e valorização do território, contribuindo para a preservação de um dos mais importantes patrimónios naturais de Terras de Bouro. 

Fotografias © Município de Terras de Bouro (Todos os direitos reservados)

"Céu de Verão" na Porta do Mezio

 


O Verão começou. E com ele chegam as noites que nos fazem parar, respirar fundo e olhar para as estrelas.

No dia 11 de Julho a APEXSKIES convida-o a viver uma experiência única na Porta do Mezio. Entre constelações, histórias milenares e observações através de telescópios, terá a oportunidade de descobrir alguns dos tesouros que iluminam o céu de verão.

Mais informações e inscrições aqui!

"Bombeiros combatem incêndio em área sensível no Parque Nacional Peneda-Gerês"

 


Notícia do jornal PÚBLICO pelo jornalista Andrea Cunha Freitas pela ler aqui.

Fogo continua activo na zona das Sete Lagoas, em Cabril. Ocorrência surge após aviso sobre o risco da presença de dezenas de pessoas em zona proibida do Gerês feito no dia anterior, no domingo.

(a imagem em cima mostra o aspecto da Garganta das Negras e Pico da Nevosa em resulado do fumo deste incêndio) 

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados) via Carlos Araújo / EMC

Incêndio no PNPG (Sete Lagoas, Cabril)

 


Um novo incêndio florestal deflagrou na zona das Sete Lagoas, Serra do Gerês.

O incêndio foi declarado às 20h58 do dia 6 de Julho de 2026 e está a ser combatido por 41 operacionais, apoiados por 9 viaturas e 1 meio aéreo.

A Estação Meteorológica Experimental dos Carris captou a imagem da nuvem de fumo resultante do incêncio.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados) via Carlos Araújo / EMC

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCXI) - O Covelo

 


Terminada a subida da encosta Norte do Cabeço do Redondelo, Serra do Gerês, entramos no profundo Covelo que nos leva ao topo do cabeço e nos proporciona caminho para Gamil.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

"Resgates em Cabril expõem riscos da circulação em zonas interditas"

 


Notícia da Rádio Montalegre pela jornalista Maria José Afonso.

Duas operações de resgate em apenas dois dias, na zona das Sete Lagoas, em Cabril, no Parque Nacional da Peneda-Gerês, voltam a chamar a atenção para os riscos associados à circulação em áreas de montanha, sobretudo num período de severidade meteorológica e de elevado risco de incêndio rural.

No sábado, os Bombeiros Voluntários de Salto participaram no resgate de 19 cidadãos espanhóis, entre os quais uma mulher grávida com ferimentos. A operação contou ainda com meios dos Bombeiros de Vieira do Minho, INEM, SIV de Montalegre e Grupo de Resgate e Montanha da GNR/UEPS.

No domingo, uma jovem de 19 anos sofreu uma queda na mesma zona, obrigando a nova intervenção dos Bombeiros Voluntários de Salto.

À Rádio Montalegre, Hernâni Carvalho, comandante dos Bombeiros Voluntários de Salto e presidente da Federação Distrital dos Bombeiros de Vila Real, alertou para a complexidade das ocorrências em Cabril, devido aos acessos difíceis, aos trilhos exigentes e às condições próprias do Parque Nacional.

O responsável lembra que, em locais como as Sete Lagoas, onde existe praticamente um único trilho de acesso, a presença de dezenas de pessoas pode dificultar qualquer operação de evacuação, sobretudo em caso de incêndio.

Hernâni Carvalho defende maior cultura de risco, cumprimento das restrições em vigor e uma visitação mais organizada no Parque Nacional, com controlo, informação, sinalética, presença no terreno e acompanhamento dos grupos.

O comandante alerta ainda que operações desta dimensão mobilizam muitos meios de socorro, durante longos períodos, retirando capacidade de resposta a outras ocorrências.

As autoridades apelam ao cumprimento das regras e à adoção de comportamentos preventivos, de forma a proteger visitantes, população e operacionais.

Imagem ilustrativa

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Questionário "Partilhar Território: Pessoas, Gado e Fauna Selvagem"

 


Este questionário integra um estudo sobre a coexistência entre pessoas, gado e fauna selvagem, com foco especial na Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés (RBTGX).

Para os que vivem, trabaham ou conhecem bem a região do Gerês‑Xurés: a tua voz importa.

O Gerês‑Xurés é de todos, mas nem sempre é dado a compartir o mesmo espaço. Para compreender melhor como as pessoas, o gado e a fauna salvagem convivem nesta Reserva da Biosfera Transfronteiriça, o Centre for Functional Ecology - Science for People & the Planet (Departamento de Ciências da Vida da Universidade de Coimbra) da Universidade de Coimbra, está a desenvolver o estudo Compartir Territorio no marco dum projecto de doutoramento.

Se tens uma ligação com esta região, a tua opinião e experiência são fundamentais.

Concellos incluídos:

Espanha: Lobios, Entrimo, Muíños, Lobeira, Calvos de Randín e Bande.

Portugal: Melgaço, Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Terras de Bouro e Montalegre.

O questionária é voluntário, totalmente confidencial e só leva uns minutos.

ES – https://ls.uc.pt/index.php/225711?lang=es

PT – https://ls.uc.pt/index.php/225711?lang=pt

Novo resgate põe a nu miséria do Parque Nacional

 



O dia 5 de Julho de 2026 foi marcado por um novo resgate na Corga de Sobroso (Sete Lagoas), Serra do Gerês, quando uma jovem de 19 anos sofreu uma queda no leito do rio.

Esta foi a segunda ocorrência em 24 horas na mesma zona ("Bombeiros em operação de resgate de 19 pessoas", pelo jornalista Pedro André Mendes, 4 de Julho de 2026), apesar de estar em vigor um estado de alerta durante o qual está proibido o acesso às zonas florestais assim definidas nos respectivos planos municipais.

A verdade, é que a situação não é nova e verifica-se todos os anos em condições semelhantes: simplesmente, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e o Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) não têm meios para proceder a uma vigilância efectiva de todo o território da área protegida. De facto, com uma área de cerca de 70.000 hectares existem apenas 12 Vigilantes da Natureza para cobrir essa área e cuja função não se limita à área do PNPG. Apesar do apoio que posssa vir das equipas de Sapadores Florestais, é manifestamente insuficiente e põe a nu as condições miseráveis do PNPG.

A situação do resgate vem despoletar o desconforto de algumas entidades encarregadas dos resgates, com o Comandante dos Bombeiros Voluntários de Salto, Hernâni Carvalho, a referir que "todos os dias temos tido situações destas," segundo noticia A Voz de Trás-os-Montes na sua edição digital ("Jovem de 19 anos resgatada nas Sete Lagoas apesar da proibição de acesso", pelo jornalista Pedro André Mendes, 5 de Julho de 2026).

Recorde-se que devido às condições meteorológicas extremas, foi declarada a situação de alerta em todo o território nacional continental entre as 00h00 do dia 3 de Julho e as 23h59 do dia 6 de Julho, estando proibido o acesso a espaços florestais, sendo proibido circular ou permanecer em zonas florestais, caminhos rurais ou vias que as atravessem.

No entanto, e com excepção da estrada que liga a Portela de Leonte e a Portela do Homem, não existe um controlo efectivo no acesso às diversas zonas florestais e mesmo na Portela do Homem assistiu-se à tentativa de entrada nesses espaços por parte de visitantes que, estacionando no lado galego da fronteira, tentam aceder às zonas ribeirinhas nas proximidades.

Mesmo o controlo da interdição no acesso à Mata de Albergaria está a ser feito pelos elementos contratados para a cobrança da taxa de acesso àquela zona, tal como testemunhei na manhã do dia 4 de Julho.

O Parque Nacional deveria ser dotado de um sistema de aviso semelhante ao que existe em zonas de montanha e através do qual se poderia informar os visitantes das condições que iriam encontrar. Por exemplo, à saída das Caldas do Gerês na direcção da fronteira ou à saída do Campo do Gerês em direcção à Mata de Albergaria, deveria existir uma sinalética electrónica com a informação sobre o estado do acesso, informação essa que teria utilidade tanto no Verão como no Inverno em dias de nevada ou de frio «extremo». Na Serra da Estrela existe uma informação simples que mostra a interdição (ou não) das vias de acesso à Torre. Porque não um sistema semelhante no PNPG?

Por outro lado, porque (aparentemente) nunca se viu uma coordenação entre o ICNF e a GNR para a vigilância do PNPG? Porque é que o PNPG não está dotado de elementos da Guarda Florestal no terreno? Porque é que - apesar de ser aconselhado - o ICNF não coloca a informação sobre as coimas em caso de desrespeito pelas regras de visitação? Talvez seja hora de efectivamente se passar dos conselhos aos actos e começar a responsabilizar quem desrespeita as regras de visitação e por parte de quem tenha uma actuação negligente.

Sabemos que a maior percentagem do turismo no PNPG nesta altura do ano provém dos visitantes que não querem visitar o PNPG, mas sim pretendem fazer praia na montanha ("Parque Nacional da Peneda-Gerês: não se pode ir para o Gerês como se vai para a praia", pelas jornalistas Patrícia Carvalho e Teresa Pacheco Miranda, 3 de Agosto de 2020 - exclusivo a assinantes). Apesar da consciência e da percepção do perigo das zonas ribeirinhas ter (aparentemente) aumentado, todos os anos se repetem as situações de quedas nas lagoas e lá vão surgindo as típicas notícias dos "resgates no Gerês". O trabalho de consciencialização deve ser feito por todos: ICNF, associações de promoção do território, hoteleiros, postos de turismo, etc. No entanto, o problema só se irá resolver quando os banhistas tiverem respeito por eles próprios e tomarem medidas preventivas para evitar o acidente. Tendo em conta o estado actual da consciencialização da sociedade, temo que o problema se irá agravar nos próximos anos.



A protecção do Ambiente e da Natureza em Portugal nunca foi a primeira, segunda ou mesmo terceira prioridade para os sucessivos governos nacionais. As áreas protegidas sobrevivem com escassos orçamentos que não lhes permite cumprir com os objectivos para as quais foram criadas. No caso do PNPG - que deveria ser a jóia da coroa da protecção da Natureza no nosso país e que aguarda há quase dois anos pelo novo Regulamento de Gestão e pelo seu Programa Especial - os sinais do seu definhamento estão todos aí para os que quiserem ver.

Relembro a catástrofe que atingiu o PNPG em Agosto de 2025 no qual um incêndio florestal dizimou quase por completo a Serra Amarela sem que o Governo fosse capaz de resolver a situação com um efectivo reforço de meios. Seguiu-se a visita da ministra e tudo ficou na mesma. O que se assistiu não foi um filme de catástrofe, foi a destruição de um território vivo; não foi apenas "mato", foi bosque, foi floresta, foi a natureza e foi o sustento de muitas pessoas. Ardeu por culpa da negligência.

Sem um verdadeiro reforço e uma mudança de paradigma na protecção da Natureza em Portugal, temo que estejamos a assistir aos últimos dias do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Fotografia © Paulo "No Gerês" Figueiredo (Todos os direitos reservados)